'Dias mais difíceis da história da Azul', diz CEO sobre apagão em Viracopos e E2
Companhia enfrentou apagão em seu principal hub e paralisação temporária da frota Embraer E195-E2, afetando mais de 80 voos e cerca de 8 mil passageiros

Uma combinação de problemas operacionais colocou a Azul diante de um dos maiores desafios de sua história recente. Um apagão no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), e uma instabilidade na frota de jatos Embraer E195-E2 fizeram a companhia cancelar mais de 80 voos e afetar cerca de 8 mil passageiros.
“Ontem e hoje foram alguns dos dias mais difíceis desde que fundamos a Azul, com duas contingências que impactaram diretamente a nossa operação”, afirmou John Rodgerson, CEO da Azul, em publicação nas redes sociais.
Segundo o executivo, Viracopos, principal hub da companhia, ficou sem energia por horas durante a manhã. O aeroporto movimenta quase 200 voos diários da Azul.
Na mesma janela, a empresa enfrentou restrições para operar sua frota de Embraer E195-E2, deixando mais de um terço dos aviões desse modelo em solo durante a ocorrência.
Na terça-feira à noite, 22 de setembro de 2026, os jatos Embraer E195-E2 da Azul começaram a apresentar instabilidade na recepção do sinal de GPS. A companhia suspendeu temporariamente os voos com esse modelo enquanto investigava o problema.
A Azul possui 47 aeronaves E195-E2, sendo que duas já estavam fora de operação naquele dia. Durante a interrupção, a frota desse modelo ficou parada por cerca de três horas.
Os aviônicos do E2 utilizam o sistema Primus Epic 2, da Honeywell. A fabricante informou que investigava a causa da falha.
Segundo a Embraer, o problema poderia afetar a programação das companhias aéreas, mas não comprometia a segurança dos voos, já que o E2 possui outros recursos de navegação além do GPS.
Viracopos teve 18 voos cancelados
O impacto operacional foi concentrado em Viracopos, principal base da Azul. Entre 17h e 21h, o aeroporto teve 18 voos da companhia cancelados, sendo sete partidas e 11 chegadas.
A operação voltou a funcionar com a decolagem realizada às 21h49 em Viracopos. No total, a Azul registrou mais de 80 cancelamentos, com impactos também em aeroportos como Confins, Brasília e Santos Dumont.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acompanhou a situação e informou que os passageiros afetados têm direito à assistência prevista na Resolução 400/2016, incluindo alimentação, hospedagem, reacomodação ou reembolso conforme o tempo de espera.
Na publicação, Rodgerson destacou a atuação dos funcionários da Azul durante a crise e afirmou que as equipes trabalharam para reduzir os impactos aos passageiros e recuperar a malha aérea.
O executivo também agradeceu o apoio recebido de outras empresas do setor, incluindo a Latame o Abra Group, controlador da Gol.
“Ao longo do dia, recebi várias ligações da LATAM Airlines, oferecendo ajuda para acomodar nossos clientes e apoiar nossa operação. Isso não acontece todos os dias. Em um momento difícil, eles mostraram que o bem-estar dos clientes pode estar acima da concorrência”, afirmou Rodgerson.
Ele também citou o apoio da Anac e da Aeroportos Brasil Viracopos, concessionária responsável pela administração do aeroporto.
“Os últimos dias mostraram o tamanho dos desafios que podemos enfrentar, mas também revelaram algo igualmente importante: quando as pessoas precisam de ajuda, a colaboração pode falar mais alto do que a concorrência”, escreveu o CEO.
Leia a postagem completa de John Rodgerson:
Ontem e hoje foram alguns dos dias mais difíceis desde que fundamos a Azul, com duas contingências que impactaram diretamente a nossa operação.
Primeiro, o aeroporto de Viracopos, nosso principal hub, que movimenta quase 200 voos diários, ficou sem energia por horas no período da manhã. Depois, enfrentamos o desafio de voar com a nossa frota de Embraer E2, o que deixou mais de um terço da nossa frota no chão.
Em momentos como esse, procuramos soluções que não comprometam a Segurança, que vem sempre em primeiro lugar na Azul Linhas Aéreas Brasileiras. Para cuidar dos nossos Clientes e atendê-los da melhor forma possível, cada decisão precisou ser tomada com responsabilidade, cautela e foco total nas pessoas.
Nossos Tripulantes fizeram o que fazem de melhor. Estiveram na linha de frente, orientando Clientes, replanejando operações, buscando alternativas e trabalhando incansavelmente para reduzir os impactos de uma situação que ninguém planejou enfrentar, muito menos com tantos cancelamentos em um único dia.
Nossos times atravessaram a noite mobilizados para apoiar os Clientes e recuperar a operação. E o trabalho continua. Ainda temos Clientes impactados e seguimos trabalhando para reduzir os efeitos dessa situação e restabelecer nossa malha o mais rapidamente possível.
Mas ontem também vi algo que merece ser reconhecido.
A aviação é um mercado competitivo. Disputamos diariamente a preferência dos Clientes e buscamos ser melhores a cada dia. Mas existem momentos em que aquilo que nos une como indústria se torna maior do que aquilo que nos diferencia.
Ao longo do dia, recebi várias ligações da LATAM Airlines, oferecendo ajuda para acomodar nossos Clientes e apoiar nossa operação. Isso não acontece todos os dias. Em um momento difícil, eles mostraram que o bem-estar dos Clientes pode estar acima da concorrência.
Também quero agradecer ao Abra Group, que me enviou uma mensagem e se colocou à disposição para ajudar no que fosse necessário.
Gestos como esses mostram que, quando a Segurança e o cuidado com os Clientes estão em jogo, a indústria aérea sabe se unir em torno daquilo que realmente importa.
Meu muito obrigado aos nossos Tripulantes, aos Tripulantes da LATAM Airlines e da GOL Linhas Aéreas, a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil e Aeroportos Brasil Viracopos SA que nos auxiliaram também e a todos os profissionais da aviação que estenderam a mão quando precisamos.
Os últimos dias mostraram o tamanho dos desafios que podemos enfrentar, mas também revelaram algo igualmente importante: quando as pessoas precisam de ajuda, a colaboração pode falar mais alto do que a concorrência. E é exatamente esse espírito que faz da aviação uma indústria tão especial.
