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Sacre Investimentos
MercadosCMDT
23/07/2026
3 min

Dinheiro global voltou a olhar para a América Latina, mas ainda evita apostar pesado no Brasil

Dinheiro global voltou a olhar para a América Latina, mas ainda evita apostar pesado no Brasil

A América Latina voltou ao radar dos gestores globais de ações no começo deste ano, impulsionada por valuations descontados, empresas resilientes e mudanças políticas em países da região. O Brasil aparece como um mercado repleto de oportunidades, mas o risco fiscal e os juros elevados ainda impedem uma alocação mais robusta de recursos.

Durante painel na Expert XP nesta quinta-feira (23), gestores de casas como Capital Group, Investec Investment e LarrainVial afirmaram que a região permanece subalocada nas carteiras internacionais, apesar de representar uma fatia significativa da economia global.

“Temos setores que representam uma parcela significativa do PIB mundial, mas recebem uma fatia muito pequena das alocações globais”, afirmou Ana Reynal, da Capital Group.

Segundo ela, o fluxo para a América Latina começou a ganhar força neste ano e, justamente pela baixa exposição dos investidores estrangeiros, pequenas entradas de capital já são capazes de impulsionar os mercados da região.

Na visão da gestora, diversas empresas latino-americanas continuaram, apesar do cenário conturbado, entregando crescimento de dois dígitos.

Evan Chavez, da Investec Investment, defende que o momento da América Latina deve ser analisado principalmente pelo valuation. Segundo ele, a recente correção do mercado brasileiro abriu oportunidades interessantes, enquanto diversas companhias saíram estruturalmente mais fortes dos últimos anos.

“O valuation continua sendo o principal argumento para olhar a região”, resumiu.

Brasil ainda inspira cautela

Apesar do interesse renovado, os gestores deixaram claro que o Brasil ainda carrega um custo de risco elevado.

Seba Ramírez, chefe de ações chilenas da LarrainVial, afirmou que há empresas de excelente qualidade no país, mas que muitas delas continuam excessivamente dependentes de uma melhora do ambiente macroeconômico.

“O risco Brasil ainda é alto para manter posições por muitos anos”, afirmou. Segundo ele, a preferência da gestora é por companhias menos expostas ao risco fiscal ou à necessidade de uma queda dos juros para entregar resultados.

Ramírez também destacou que mudanças políticas em países como Argentina, Chile e Peru estão alterando o ciclo de investimentos da região e podem ampliar o interesse internacional pela América Latina. Por enquanto, porém, o Brasil não se beneficia de algo parecido.

IA beneficia a região de forma indireta

Na avaliação dos gestores, a revolução da inteligência artificial continua concentrando investimentos nos Estados Unidos, mas a América Latina tende a capturar parte desse movimento de forma indireta.

Ramírez afirmou que o avanço da IA pode elevar a demanda por commodities metálicas, beneficiando empresas da região ligadas à mineração e à cadeia de matérias-primas.

Já outro gestor presente no painel, Glassin, afirmou que o maior risco para investir no Brasil continua sendo institucional, especialmente em temas ligados à governança corporativa e à proteção de acionistas minoritários.

AutorVitor Azevedo
FonteMoney Times
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