Direcional (DIRR3): Ações recuam após prévia do 2T26; o que dizem os analistas?

Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da Direcional Engenharia (DIRR3) operam em queda nesta quinta-feira (9), um dia após a construtora divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, a leitura sobre os números é mista.
Por volta das 11h (de Brasília), os papéis da companhia recuavam aproximadamente 0,9% na bolsa de valores, negociados a R$ 12,47. No acumulado dos últimos 12 meses, a desvalorização chega a quase 8%.
A título de comparação, no mesmo horário, o principal índice da B3 (IBOV) avançava 0,16%, aos 170.931 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Direcional, segundo a Empiricus
De acordo com Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, os números da Direcional vieram “próximos das projeções“, com destaque para a geração de caixa e para a manutenção de uma velocidade de comercialização (VSO) saudável, apesar de um trimestre marcado por fatores pontuais que impactaram a conversão de vendas.
Entre abril e junho, a construtora lançou R$ 2,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), sendo R$ 1,6 bilhão correspondente à sua participação.
O montante representou uma alta de 8% em relação ao apurado no mesmo período de 2025, mas mais que o dobro do registrado no 1T26.
O mix de produtos permaneceu concentrado na marca Direcional (62%), voltada ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV), enquanto a Riva, subsidiária do grupo destinada a clientes de média renda, respondeu por 38% dos lançamentos.
No trimestre, a companhia também contou com a contribuição de dois projetos dajoint venture com a Moura Dubeux (MDNE3), localizados em Fortaleza e Natal.
Juntos, esses dois empreendimentos somaram 712 unidades e VGV de R$ 234 milhões, sendo R$ 117 milhões referentes à fração da DIRR3.
Segundo Araujo, o movimento reforça a estratégia de expansão da construtora no Nordeste, região que ainda apresenta elevado déficit habitacional.
O analista também destacou que as vendas líquidas da Direcional totalizaram R$ 1,7 bilhão no 2T26, praticamente estáveis em relação ao 2T25 (-1%) e 5% superiores ao 1T26.
De acordo com ele, apesar de ligeiramente abaixo das estimativas do consenso de mercado, “o desempenho permaneceu sólido diante do maior volume de distratos observado em algumas praças e da desaceleração das conversões nas últimas semanas de junho, coincidindo com o período da Copa do Mundo”.
De fato, no 2T26, a velocidade de vendas consolidada (VSO) da construtora ficou em 23%, contra 26% um ano antes, sendo 24% na marca Direcional e 21%, na Riva.
Na frente financeira, a companhia reportou geração de caixa contábil de R$ 130 milhões entre abril e junho.
Excluindo efeitos extraordinários relacionados à cessão de recebíveis, às operações societárias e às alterações operacionais da Caixa Econômica Federal nos repasses, a geração de caixa operacional foi de R$ 80 milhões.
“De forma geral, seguimos vendo a Direcional bem posicionada para capturar a demanda do segmento econômico, sustentada por disciplina, crescimento consistente e fundamentos sólidos”, afirmou Araujo.
“As ações das incorporadoras registraram queda relevante nos últimos pregões, interrompendo o forte desempenho relativo observado nos dois meses anteriores. Nossa leitura é que o movimento recente reflete, em grande parte, uma combinação de realização de lucros e de prévias operacionais com leituras mistas, mais do que uma mudança estrutural na tese das construtoras voltadas à baixa renda”, prosseguiu.
O analista ponderou que DIRR3 negocia perto de 6 vezes o lucro estimado (P/L) para 2027 e permanece entre as principais recomendações da Empiricus.
O que diz a XP
Na mesma linha, a XP Investimentos avaliou os dados operacionais do segundo trimestre como “resilientes e positivos”.
Segundo a corretora, lançamentos e vendas líquidas, no entanto, ficaram 2% e 4% abaixo das estimativas, respectivamente.
A casa atribuiu a diferença principalmente à maior participação de parceiros nos lançamentos da Direcional e à menor conversão de vendas ao longo do período, em meio ao início da Copa do Mundo.
Ainda assim, também destacou que a companhia gerou R$ 80 milhões em caixa após excluir a venda de recebíveis, um ponto de atenção por parte dos clientes nos últimos trimestres.
De acordo com a XP, a Riva apresentou um desempenho mais fraco, após ter superado o mercado recentemente e diante de bases de comparação difíceis, enquanto a marca Direcional mostrou crescimento consistente.
“No geral, seguimos construtivos com a construtora, sustentados por um valuation atrativo dos papéis, desempenho operacional sólido, fim dos efeitos da Copa do Mundo no terceiro trimestre, foco em aumento de vendas e geração de caixa e as condições saudáveis do MCMV.”
O que diz o Safra
Em um tom um pouco mais cauteloso, a equipe do Safra classificou o 2T26 como “misto”, destacando que a geração de caixa positiva foi compensada por um VSO abaixo do esperado.
Assim como a XP, o banco ponderou que a maior participação de sócios minoritários nos lançamentos reduziu o volume líquido de VGV da Direcional.
Além disso, afirmou que cancelamentos mais elevados e um desempenho mais fraco da Riva pressionaram as vendas consolidadas.
Segundo a casa, os cancelamentos subiram para 16% das vendas brutas, refletindo problemas contínuos com incentivos regionais em certas praças, especialmente Manaus.
Por outro lado, o Safra elogiou a geração de caixa operacional de R$ 80 milhões e disse que ficou acima da estimativa interna de R$ 40 milhões.
“A Direcional apresentou resultados mais fracos, com vendas 12% abaixo do esperado, refletindo um menor volume de lançamentos e um desempenho mais fraco da marca Riva. Isso levanta preocupações sobre uma possível desaceleração nas vendas no segmento de renda média”, ressaltou o banco.
“Ainda assim, reiteramos nossa recomendação outperform (equivalente à compra) para a DIRR3, pois, após o recente desempenho abaixo da média, vemos as ações sendo negociadas a um múltiplo P/L ajustado atrativo de 5,4 vezes para o final de 2027”, prosseguiu.
O preço-alvo da casa para os papéis é de R$ 19, o que representa potencial valorização de cerca de 53% frente à cotação atual.
“Consideramos esse patamar um bom ponto de entrada para investidores, dado o histórico de execução impecável da empresa e o cenário favorável do programa MCMV, com novos ajustes previstos para as Faixas 3 e 4, que representam cerca de 60% das vendas da Direcional”.
