Diretor do Banco Central faz alerta para agro; “desaceleração forte”
O Banco Central espera uma forte desaceleração da agropecuária em 2027, em meio aos efeitos do clima, ao endividamento elevado dos produtores rurais e ao aumento dos preços dos insumos. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (24) pelo diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, durante […]

O Banco Central espera uma forte desaceleração da agropecuária em 2027, em meio aos efeitos do clima, ao endividamento elevado dos produtores rurais e ao aumento dos preços dos insumos.
A avaliação foi feita nesta quinta-feira (24) pelo diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, durante a coletiva de imprensa da apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro.
“Se vocês olharem a contribuição da agricultura, vocês vão ver uma desaceleração forte”, afirmou Picchetti.
Segundo o diretor, parte desse movimento está relacionada aos efeitos climáticos sobre a produtividade das lavouras. Mas o clima não explica tudo.
“Em parte tem a ver com os efeitos do clima, em parte tem a ver com outros elementos que a gente está chamando a atenção no relatório, que têm a ver com o endividamento elevado dos produtores rurais e aumento do preço dos insumos”, disse.
A piora esperada para o setor ocorre em meio à perspectiva de uma desaceleração mais ampla da economia brasileira. O BC reduziu de 2% para 1,8% sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e estima avanço de apenas 1,4% em 2027.
El Niño entra na conta
Na apresentação, Picchetti também chamou atenção para um estudo do BC que tenta mensurar os impactos de fenômenos climáticos, como El Niño e La Niña, sobre a produtividade agrícola.
O exercício econométrico analisa diferentes culturas e regiões do país e, segundo o diretor, aponta efeitos negativos sobre a produtividade de algumas lavouras, principalmente milho, algodão e arroz.
Para a soja, entretanto, o resultado é menos claro. Picchetti explicou que os efeitos positivos e negativos observados em diferentes regiões tendem a se compensar.
O diretor ressaltou ainda que o estudo mede a produtividade, ou seja, a produção em relação à área plantada, e não permite estimar os efeitos dos fenômenos climáticos sobre o tamanho da área cultivada.
A avaliação sobre o agro ajuda a explicar por que o BC espera que a perda de força da economia continue no próximo ano. Segundo Picchetti, a desaceleração já observada na atividade está relacionada aos efeitos da política monetária restritiva.
“Isso tem a ver com a perspectiva de uma desaceleração gradual que está respondendo à política monetária, que está em um ciclo de calibração”, afirmou.
