Discurso do Fed, seguro-desemprego e Tesouro dos EUA: o que move os mercados

Os investidores iniciam esta quinta-feira, 9, atentos a uma agenda concentrada nos Estados Unidos, enquanto seguem monitorando o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que voltaram a ditar o humor dos mercados desde a sessão de terça, 7.
Depois de um pregão de queda no Ibovespa, na véspera, 8, pressionado pela aversão ao risco global e pelas perdas da Vale (VALE3), o foco agora se volta para indicadores da economia americana que podem oferecer novos sinais sobre o mercado de trabalho e a atividade econômica, além de eventos envolvendo autoridades monetárias.
O que acompanhar
No Brasil, a agenda econômica é mais esvaziada, mas os investidores acompanham o leilão de títulos públicos promovido pelo Tesouro Nacional e compromissos do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A agenda começa às 8h30, quando o ministro da Fazenda concede entrevista à Rádio Gaúcha. Às 11h30, o Tesouro Nacional realiza o leilão de títulos públicos, com oferta de LTN e NTN-F, operação acompanhada pelo mercado por seussinais sobre a demanda por papéis da dívida pública.
No campo político, também está prevista uma sessão do Congresso Nacional para análise de vetos presidenciais. Encerrando a agenda do dia, às 17h, Durigan recebe representantes da Anfavea no Ministério da Fazenda para uma audiência.
Apesar do feriado da Revolução Constitucionalista de 1932, celebrado apenas no estado de São Paulo, a B3 opera normalmente, mantendo todos os mercados de renda variável, derivativos e renda fixa privada em funcionamento.
Já na Argentina, a situação é diferente. O país celebra o Dia da Independência nesta quinta, e a bolsa local permanece fechada durante todo o dia.
No cenário internacional, o primeiro destaque da agenda é a divulgação da balança comercial da Alemanha referente a maio, às 3h (horário de Brasília). O dado serve como termômetro da atividade econômica da maior economia da Europa.
O principal foco, porém, estará nos Estados Unidos. Às 9h30, o Departamento do Trabalho divulga os pedidos iniciais de seguro-desemprego referentes à semana encerrada em 3 de julho. Na semana anterior, foram registrados 215 mil novos pedidos, e o indicador costuma ser acompanhado de perto por investidores por oferecer um retrato atualizado das condições do mercado de trabalho americano.
Pouco depois, às 10h, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, participa de um evento. Suas declarações poderão ser analisadas em busca de pistas sobre a avaliação da autoridade monetária em relação à economia e aos próximos passos da política de juros.
Às 11h, será a vez da divulgação das vendas de moradias existentes nos Estados Unidos referentes a junho. Em maio, o indicador registrou alta de 3,2% na comparação mensal, refletindo parte do comportamento do setor imobiliário diante do atual ambiente de juros elevados.
Ainda no período da tarde, às 14h, o Tesouro americano realiza um leilão de títulos de 30 anos, evento tradicionalmente acompanhado pelo mercado por ajudar a medir a demanda por ativos considerados seguros e influenciar a curva de juros dos Estados Unidos.
Como foi o último pregão
O Ibovespa encerrou a quarta-feira, 8, em queda de 0,69%, aos 170.825 pontos, em um dia marcado pelo aumento da aversão ao risco.
O principal fator foi a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, após declarações do presidente americano Donald Trump sobre a possibilidade de novos ataques ao país e a retomada de um bloqueio no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo.
A perspectiva de interrupções na oferta global impulsionou os preços da commodity. O Brent avançou 5,20%, para US$ 78,02 o barril, enquanto o WTI subiu 4,37%, a US$ 73,52. O movimento beneficiou as ações da Petrobras, que avançaram mais de 3%, mas não foi suficiente para impedir a queda do principal índice da bolsa brasileira.
Além do cenário geopolítico, a Vale também pressionou o Ibovespa. As ações da mineradora caíram mais de 4% após a renúncia do presidente do conselho de administração e o rebaixamento da recomendação dos papéis pelo Morgan Stanley, aumentando as preocupações dos investidores com a companhia.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em leve queda de 0,07%, cotado a R$ 5,148. A expectativa para esta quinta-feira é de que os mercados continuem reagindo também aosdesdobramentos da crise no Oriente Médio.
