Divergência entre preços e fundamentos nas criptomoedas nunca foi tão grande, diz Hashdex
Gestora enxerga sinais nos fundamentos que permitem acreditar em uma recuperação do mercado, mas há diversos riscos à vista

Em relatório, a gestora brasileira especializada em criptomoedas Hashdex afirmou que a divergência entre preços e fundamentos nunca foi tão grande nesse mercado.
Os dados analisados pela companhia mostram que as transações com criptoativos atingiram máximas históricas, apesar dos preços em baixa da maioria dos ativos digitais. No segundo trimestre de 2026, o número de transações em cripto foi 17,6 bilhões, ao passo que o valor de mercado de todas as moedas digitais caiu para US$ 2,2 trilhões.
Em outubro do ano passado, quando o bitcoin estava em sua máxima histórica acima de US$ 126 mil por unidade e o valor de mercado somado de todas as criptomoedas alcançava a US$ 4 trilhões, o número de transações não chegava a 15 bilhões.
Transações com criptoativos versus valor de mercado (crédito: Hashdex)
Com isso, a razão entre capitalização de mercado e transações despencou para uma mínima histórica, o que indica que o uso e adoção dos ativos digitais aumentou, mas isso não foi acompanhado por uma valorização deles.
Capitalização de mercado cripto por número de transações (crédito: Hashdex)
Outro indicador relevante de que a queda do bitcoin talvez esteja próxima de se esgotar é o de oferta de bitcoin no prejuízo. A Hashdex lembra que houve poucos momentos em que 50% ou mais da oferta total da criptomoeda estivesse em prejuízo e que esses momentos coincidiram com fundos de mercados de baixa. “Em junho, o preço do bitcoin cruzou esse limite mais uma vez”, diz o relatório.
Quedas históricas do bitcoin em momentos nos quais 50% da oferta teve prejuízo (crédito: Hashdex)
Motivos para acreditar em uma alta das criptomoedas
Esse descompasso entre adoção e desempenho, junto com a possibilidade de aprovação do projeto de lei de regulamentação de criptoativos nos Estados Unidos (Clarity Act) no terceiro trimestre, poderiam contribuir para uma recuperação do mercado. “O Clarity Act, se sancionado, pode atuar como um grande catalisador tanto para a adoção quanto para os preços no segundo semestre do ano”, avalia a Hashdex.
A gestora destaca que o volume de transações com stablecoins neste ano já superou o total de 2025, atingindo US$ 35,9 trilhões, contra US$ 32,6 trilhões no ano passado. A Visa, em comparação, processou US$ 7,4 trilhões em 2026 até agora.
Volume de transações com stablecoins contra outros meios de pagamento (crédito: Hashdex)
Do ponto de vista técnico, a Hashdex aponta que nos momentos em que o bitcoin caiu 20% abaixo da sua média móvel de 200 dias, o retorno mediano após dois anos foi de 83%.
Preço do bitcoin em comparação com sua média móvel de 200 períodos (crédito: Hashdex)
Riscos monitorados pela gestora
Por outro lado, o relatório diz que também há riscos para a recuperação do BTC. Um deles é o aumento da incerteza sobre as ações preferenciais STRC, da Strategy, maior empresa de capital aberto compradora de bitcoins do mundo.
Os analistas da gestora afirmam que uma queda na cotação dessas ações pode fazer com que os seus rendimentos sejam elevados. Ao mesmo tempo, se os dividendos prometidos por essas ações forem financiados com a venda de bitcoins que a Strategy tem em caixa, a Hashdex enxerga a possibilidade de uma pressão vendedora adicional à medida que o mercado reage.
Outro risco, de acordo com os especialistas, é que a aprovação do Clarity Act só aumente a adoção e o fluxo de capital para o bitcoin, sem tanto interesse por outros projetos ou criptomoedas.
Do lado macroeconômico, a Hashdex destaca que o maior obstáculo previsível para os criptoativos é uma visão mais restritiva do Federal Reserve (Fed). Afinal, se em março nenhum membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) projetou um aumento na taxa de juros até o fim do ano e 12 esperavam um corte, agora oito membros projetam elevações nos juros.
