Diversificação protege WEG da 'perda' de quase R$ 1 bilhão com eólicas
Com 60% da receita no exterior e produção em 69 fábricas, a WEG cravou faturamento recorde em 2025

A fabricante de motores WEG voltou ao topo do MELHORES E MAIORES em bens de capital em um ano que testou sua resiliência. Quase 1 bilhão de reais em receita com equipamentos para parques de geração eólica sumiram de um ano para o outro com a conclusão dos projetos. O impacto foi amortecido por uma engrenagem construída ao longo de décadas: a diversificação de mercados e de produtos.
O mercado brasileiro, hoje, representa menos de 3% do potencial de vendas da companhia. O exterior já responde por mais de 60% da receita. Mas há prós e contras em ter a maior parte da operação fora do Brasil num mundo de tensões comerciais. “Por mais que o mundo esteja turbulento, minhas decisões são pouco impactadas pelas variáveis de curto prazo”, afirma Alberto Kuba, CEO da empresa. Quando as tarifas americanas viraram ameaça concreta, a Weg acionou planos de mitigação já em curso, remanejando rotas entre seus 69 parques fabris. A regra é vender dentro do próprio bloco regional, evitando movimentar produto entre Ásia e América do Norte. A estratégia deu certo e a receita subiu de 38 bilhões para 40,8 bilhões de reais, com margens preservadas. “Foi um ano em que a WEG bateu o recorde de receita e conseguimos manter os lucros num patamar estável”, diz o executivo, admitindo surpresa. “Eu não esperava que o ano de 2025 acabasse tão bem, dado todo o cenário que se desenrolou.”
A força operacional não chegou à ação da companhia, uma queridinha da bolsa. O papel caiu cerca de 30% em 2025. Kuba credita o descolamento à natureza do negócio. “No longo prazo a racionalidade e os fundamentos se encontram, mas no curto prazo o que impera é a incerteza.”
As avenidas de crescimento apontam para o negócio de energia. A instabilidade das redes elétricas, com blackouts pelo mundo, a eletrificação de veículos e o avanço da inteligência artificial aquecem a demanda por transformadores e geradores. O negócio de data centers também sustenta esse crescimento. “A gente não imaginava que teria esse boom”, admite Kuba.

