Dívida bruta sobe a 82,5% do PIB e atinge maior nível desde abril de 2021
Endividamento alcançou R$ 10,9 trilhões em julho, enquanto setor público registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu para 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho de 2026, o equivalente a R$ 10,9 trilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 31, pelo Banco Central do Brasil (BC).
O indicador avançou 0,6 ponto percentual em relação a junho e atingiu o maior patamar desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB. O recorde da série foi registrado em dezembro de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando a dívida chegou a 87,7% do PIB.
A dívida bruta considera os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais.
Por que a dívida pública aumentou em julho?
Segundo o Banco Central, a alta da dívida bruta em julho foi explicada principalmente pela incorporação dos juros nominais, com impacto de 0,8 ponto percentual, e pelas emissões líquidas de dívida, que acrescentaram 0,2 ponto.
O crescimento do PIB nominal contribuiu para reduzir a relação entre a dívida e a economia em 0,5 ponto percentual.
No acumulado de 2026, a dívida bruta aumentou 3,9 pontos percentuais do PIB. A incorporação de juros nominais teve impacto de 5,7 pontos, enquanto as emissões líquidas acrescentaram 1,5 ponto. O crescimento do PIB nominal e a valorização cambial reduziram o indicador em 3,1 pontos e 0,3 ponto, respectivamente.
O endividamento avançou mais de dez pontos percentuais desde o fim de 2022, quando correspondia a 71,7% do PIB.
Setor público tem superávit primário de R$ 1,4 bilhão
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, ante déficit de R$ 66,6 bilhões no mesmo mês de 2025. O resultado primário considera receitas e despesas, mas exclui os gastos com juros da dívida.
O Governo Central apresentou superávit de R$ 11 bilhões. Em sentido contrário, os governos regionais tiveram déficit de R$ 8,5 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram resultado negativo de R$ 1,1 bilhão.
Entre janeiro e julho, o déficit primário do setor público chegou a R$ 78,8 bilhões. No acumulado de 12 meses, o resultado ficou negativo em R$ 89,3 bilhões, equivalente a 0,67% do PIB. O percentual é 0,52 ponto percentual inferior ao déficit acumulado até junho.
Juros da dívida somam R$ 1,15 trilhão em 12 meses
Os juros nominais do setor público somaram R$ 99 bilhões em julho, abaixo dos R$ 109 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
De acordo com o BC, a redução foi favorecida pelo resultado das operações de swap cambial. Essas operações tiveram ganho de R$ 12,4 bilhões em julho de 2026, ante perda de R$ 3,3 bilhões um ano antes.
Em 12 meses, porém, os juros nominais alcançaram R$ 1,15 trilhão, ou 8,67% do PIB. No período encerrado em julho de 2025, o montante era de R$ 941,2 bilhões, equivalente a 7,60% do PIB.
Déficit nominal chega a R$ 1,24 trilhão
O resultado nominal, que reúne o saldo primário e os gastos com juros, apresentou déficit de R$ 97,6 bilhões em julho.
No acumulado de 12 meses, o déficit nominal chegou a R$ 1,24 trilhão, correspondente a 9,34% do PIB. A proporção caiu 0,64 ponto percentual em relação ao resultado acumulado até junho.
Dívida líquida alcança R$ 9,2 trilhões
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu 69,1% do PIB em julho, ou R$ 9,2 trilhões. O indicador avançou 0,6 ponto percentual no mês.
A variação refletiu principalmente os juros nominais, com impacto de 0,7 ponto, e a valorização cambial de 1,9% no mês, com efeito de 0,2 ponto. A variação do PIB nominal reduziu o indicador em 0,4 ponto.
No acumulado do ano, a dívida líquida aumentou 3,8 pontos percentuais do PIB.
Títulos ligados à Selic ampliam exposição da dívida aos juros
Além do crescimento do endividamento, a participação dos títulos públicos vinculados à taxa básica de juros nas emissões do Tesouro Nacional chama a atenção.
Até julho, o governo havia colocado no mercado R$ 2,8 trilhões em títulos atrelados à Selic, o equivalente a 48,2% dos R$ 5,7 trilhões emitidos durante o atual mandato. A parcela é a maior entre os períodos presidenciais desde o início da série histórica do Tesouro, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) acompanham as variações da Selic. Por isso, uma participação maior desses papéis aumenta a exposição das contas públicas às decisões do Banco Central sobre os juros.
Segundo as estimativas atualizadas pelo BC, uma elevação de 1 ponto percentual na Selic, mantida por 12 meses, aumenta a dívida bruta em aproximadamente R$ 63,3 bilhões, ou 0,48 ponto percentual do PIB.
*Com informações do Globo
