Dívida global ligada a investimento em IA deve chegar a US$ 570 bi em 2026

O Morgan Stanley estima que a emissão de dívida global ligada à IA irá dobrar e chegar a US$ 570 bilhões neste ano. De acordo com o banco, a oferta de títulos e atividades do mercado de crédito aumenta à medida que hyperscalers recorrem a fontes alternativas de financiamento para aumentar o investimento em inteligência artificial.
Segundo a Reuters, no fim de maio de 2026, a emissão de créditos já estava em US$ 236 bilhões, quatro vezes mais do que no mesmo período do ano passado. Os hiperscalers têm ampliado sua base de investidores com a emissão de dívida em moedas estrangeiras, e não no dólar, conforme o banco.
“Por enquanto, acreditamos que o comportamento dos preços dos títulos está sendo impulsionado principalmente pelas expectativas de oferta”, disse o Morgan Stanley.
As big techs, por muito tempo, dependeram de altos fluxos de caixa para fazer investimentos. Mas a corrida pela IA tem exigido que as companhias invistam cada vez mais e coloquem mais recursos no capex, o que tem feito com que recorram à emissão de dívidas.
Levantamento do Financial Times mostra que Amazon, Alphabet, Meta e Microsoft têm um capex somado de US$ 725 bilhões para 2026. O valor é 77% maior do que o recorde de US$ 410 bilhões do ano anterior. O capex passou a ser lido como indicador de compromisso com a corrida de IA.
E os investimentos não devem parar de crescer. Segundo o Morgan Stanley, em 2027, o capex dos hyperscalers deve ultrapassar US$ 1 trilhão.
O banco destacou que os investimentos nas empresas de chip têm focado em negócios de curto prazo que são amortizados ao longo do tempo.
Uma análise da consultora Gartner publicada em maio de 2026 estima que o investimento global de IA deve alcançar US$ 2,59 trilhões em 2026, o que corresponde a uma alta de 47% em relação ao ano anterior. Em 2027, os aportes devem atingir US$ 3,5 trilhões.
Entre os setores que irão receber o investimento, o de maior destaque é o de infraestrutura, que irá crescer 46,7% em comparação com 2025, à medida que se expande a IA generativa e os agentes autônomos.
