Dívida Pública atinge R$ 9,3 tri em junho, alta de 2,61%
O resultado representa um aumento de R$ 235 bilhões em um mês; de acordo com o Tesouro Nacional, o principal responsável pela alta do estoque da dívida em junho foi o crescimento dos títulos remunerados pela taxa flutuante, como a Selic

A Dívida Pública Federal (DPF) atingiu o patamar de R$ 9,268 trilhões em junho deste ano, representando um acréscimo de 2,61% em relação a maio, quando o estoque estava em R$ 9,033 trilhões. A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 29, que apontou um aumento de R$ 235,74 bilhões no estoque da dívida em apenas um mês.
O Relatório Mensal da Dívida Pública Federal (RMD) mostra que aexpansão foi impulsionada principalmente pela apropriação de juros, que somou R$ 521,03 bilhões no acumulado de 2026 até junho, além da emissão líquida de títulos públicos. Apenas em junho, a emissão líquida da dívida alcançou R$ 142,25 bilhões, resultado de emissões de R$ 149,59 bilhões e resgates de R$ 7,33 bilhões.
O resultado vem após o ministro da Fazenda, Dario Durigan declarar na última quinta-feira, 23, que o governo mantém o compromisso com o ajuste fiscal e classificar a estabilização da relação entre a dívida pública e o PIB (Produto Interno Bruto) como a "última milha" desse processo.
"Tem uma última milha a ser buscada, que vai exigir que a gente siga consolidando o fiscal, cortando gasto desnecessário, fazendo com que o gasto público seja eficiente, e recompondo a base tributária", disse Durigan na ocasião.
Na análise do ministro, uma parcela do avanço recente da dívida pública está associada ao patamar da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. "A dívida sobe por conta dos juros, porque o resultado primário, que é o que o governo arrecada e gasta em termos de fiscal, isso nós zeramos desde 2024", afirmou.
A dívida pública é o conjunto das obrigações financeiras assumidas pelo governo para financiar suas atividades quando as receitas, como impostos e outras arrecadações, não são suficientes para cobrir todas as despesas.
Nesses casos, a União emite títulos públicos, comprados por investidores, bancos, fundos e outros agentes, obtendo recursos para manter investimentos, serviços públicos e outras políticas do Estado.
Avanço da dívida pública
Segundo oTesouro Nacional, o principal responsável pela alta do estoque da dívida em junho foi o crescimento dos títulos remunerados pela taxa flutuante, cujo estoque aumentou 3,31% no mês, alcançando R$ 4,57 trilhões. Essa categoria passou a representar 49,3% de toda a dívida pública, acima dos 49% registrados em maio.
Os títulos prefixados encerraram junho com estoque de R$ 1,95 trilhão, equivalentes a 21% da dívida. Já os papéis indexados à inflação atingiram R$ 2,40 trilhões, mas reduziram sua participação para 25,9% do total. Os títulos atrelados ao câmbio representam os 3,7% restantes.
O relatório também mostra que o custo da dívida continua elevado. O custo médio do estoque da DPF acumulado em 12 meses passou de 12,31% ao ano, em maio, para 12,68% ao ano em junho. Já o custo médio da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu para 13,19% ao ano, enquanto o custo médio das novas emissões alcançou 14,20% ao ano.
Perspectivas para a dívida
Apesar da alta, o Tesouro Nacional informou que o estoque da dívida permanece dentro da faixa prevista pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) 2026, que projeta uma DPF entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões ao final deste ano.
O prazo médio da dívida recuou levemente, passando de 4,07 anos para 4,01 anos. Ao mesmo tempo, a parcela dos títulos com vencimento em até 12 meses caiu de 20,26% para 20,07%, permanecendo dentro dos limites considerados adequados pelo Tesouro.
Outro indicador acompanhado pelo governo é a reserva de liquidez, utilizada para garantir o pagamento dos vencimentos da dívida. Em junho, ela aumentou de R$ 1,21 trilhão para R$ 1,35 trilhão, volume suficiente para cobrir aproximadamente 8,33 meses de vencimentos.
Entre os detentores da dívida mobiliária federal interna, as instituições financeiras seguem como principais credoras, com 31,8% de participação. Em seguida aparecem os fundos de previdência, com 22,5%, e os fundos de investimento, com 22%.
O que é e como é calculada a dívida pública?
A Dívida Pública Federal (DPF) corresponde ao total de títulos emitidos pelo governo federal para captar recursos no mercado e cumprir suas obrigações financeiras.
Seu estoque é atualizado continuamente e leva em conta fatores como novas emissões de títulos, resgates, pagamento e apropriação de juros, além de correções por índices de preços, câmbio e taxas de juros, conforme o tipo de papel emitido.
Quando o governo arrecada menos do que gasta, recorre ao mercado para financiar essa diferença por meio da emissão de títulos públicos.
Segundo o Tesouro Nacional, esse mecanismo permite manter investimentos e serviços essenciais, além de distribuir ao longo do tempo o custo de projetos de longo prazo, como obras de infraestrutura e hospitais, beneficiando também gerações futuras.
O órgão ressalta, porém, que a sustentabilidade desse modelo depende de uma gestão responsável da dívida e da credibilidade fiscal do país.
