Dividendo de 65%: Após R$ 4 bilhões em vendas, small cap revela novo foco e fala sobre proventos; veja o que esperar
Uma das small caps negociadas na bolsa de valores, a SYN Prop e Tech (SYNE3), empresa de locação e venda de propriedades comerciais, ficou sob os holofotes dos investidores nos últimos anos pela alta distribuição de proventos. Desde 2021, foram aproximadamente R$ 2,79 bilhões. Somente em 2025, a companhia repassou R$ 464 milhões aos acionistas […]

Uma das small caps negociadas na bolsa de valores, a SYN Prop e Tech (SYNE3), empresa de locação e venda de propriedades comerciais, ficou sob os holofotes dos investidores nos últimos anos pela alta distribuição de proventos.
Desde 2021, foram aproximadamente R$ 2,79 bilhões. Somente em 2025, a companhia repassou R$ 464 milhões aos acionistas entre dividendos e redução de capital.
Para se ter uma ideia, um levantamento da corretora de investimentos Ricomostrou que a ação apresenta um dividend yield (DY) acumulado nos últimos 12 meses próximo de 65%, um dos maiores da B3.
Para entender o que explica esse percentual e se ele é sustentável, o Money Times conversou com a administração da small cap.
E, logo de cara, há a notícia: à reportagem, Ricardo Loducca, diretor da área comercial e de marketing da SYN, afirmou que a empresa não espera repetir, nos próximos períodos, o mesmo nível de provento distribuído dos últimos quatro anos.
Por que o dividendo deve cair?
O executivo explicou que boa parte dos rendimentos elevados veio de grandes operações de venda de ativos realizadas desde 2022, que movimentaram cerca de R$ 4 bilhões.
“Se você está esperando receber os dividendos que foram pagos nos últimos quatro anos, não vai ter”, afirmou.
A lógica é relativamente simples: a companhia não possui o mesmo volume de imóveis disponível para venda e, por isso, a distribuição tende a voltar a um patamar mais recorrente.
Loducca ponderou, porém, que a small cap continua gerando renda com os ativos que permaneceram no portfólio.
A diferença é que, após um ciclo de grandes vendas e distribuição de recursos aos acionistas, a SYN agora concentra esforços na valorização dos empreendimentos que ficaram em carteira — principalmente os shopping centers.
As vendas bilionárias
Há cerca de quatro anos, a companhia vendeu quatro das 12 torres corporativas que possuía em carteira para a Brookfield, em uma operação de aproximadamente R$ 2 bilhões.
Apesar da alienação, a empresa permaneceu responsável pela gestão imobiliária e comercial dos empreendimentos.
Dois anos depois, a SYN vendeu uma parcela relevante de suas participações em shopping centers para o fundo imobiliário XP Malls (XPML11), em uma transação também próxima de R$ 2 bilhões.
Após isso, permaneceu com 10% de fração no Shopping Metropolitano Barra, no Tietê Plaza Shopping e no Grand Plaza Shopping.
Já no Shopping Cidade São Paulo, ficou com 60% do empreendimento, enquanto o XPML11 passou a deter os outros 40%.
“A gente fez esses dois movimentos que foram bem relevantes nos últimos anos”, disse Loducca. “A companhia tem uma governança muito forte, mas eu acho que nada se compara a quando você faz R$ 4 bilhões em vendas. É uma reciclagem de capital muito grande.”
O principal foco
Após esse ciclo de reciclagem de portfólio, a SYN decidiu voltar as atenções para shopping centers, escritórios corporativos e logística.
Dos três, os centros de compra, segundo Loducca, têm sido o principal foco da companhia e, inclusive, já respondem por aproximadamente 65% a 70% da receita da small cap.
“Shopping é o nosso carro-chefe”, afirmou o executivo.
A estratégia, porém, não envolve necessariamente novas aquisições ou vendas. Na verdade, o diretor contou que a companhia pretende priorizar a revitalização e a melhoria dos ativos que já estão no portfólio.
“O nosso foco hoje é investir em qualidade, especialmente nos shopping. Eles são espaços de recorrência, e a gente preza muito pelo atendimento ao cliente”, disse Loducca.
Nesse sentido, o executivo afirmou que a SYN prevê investir cerca de R$ 60 milhões em capex nos shopping centers somente em 2026.
Entre as iniciativas, estão uso de inteligência artificial (IA), reformas de praças de alimentação, troca de pisos e melhorias de fachadas.
“Como o nosso driver agora é melhorar a qualidade e a percepção dos ativos, que eu acho que é onde vamos entregar dinheiro daqui para frente, resolvemos fazer algo mais substancial”, explicou.
A small cap também tem apostado, de acordo com ele, na transformação dos centros de compra em espaços de maior permanência.
Segundo Loducca, alimentação, entretenimento, saúde, estúdios e iniciativas ligadas a wellness vêm ganhando espaço no mix dos empreendimentos.
“Você tem que proporcionar um ambiente para que o consumidor viva aquele ambiente, que ele permaneça cada vez mais.”
Lajes corporativas seguem relevantes
Apesar do maior peso dos shoppings na receita, a SYN também mantém atenção às lajes corporativas. E a luta tem sido contra o home office. Ou quase isso.
De acordo com Loducca, a companhia tem trabalhado para tornar os edifícios mais atrativos aos usuários e, com isso, estimular o retorno ao trabalho presencial.
“Um pouco dessa hotelaria que a gente traz para o shopping, a gente também ramifica para o edifício, que é você ter uma concierge superativa e produtos e serviços dentro do empreendimento para atender ao cliente”, afirmou.
“E, quando eu falo cliente, é o cliente que aluga, mas é também o usuário, que é o que mais usufrui do prédio”, prosseguiu.
Logística em segundo plano
No caso do terceiro setor, o diretor contou que, apesar de manter dois galpões no portfólio, a SYN não pretende, por enquanto, desenvolver novos projetos logísticos.
Segundo ele, a companhia entregou recentemente um empreendimento na região de Guarulhos, na Grande São Paulo, pré-locado ao Mercado Livre (MELI).
O executivo afirmou que a empresa já teve atuação relevante no segmento no passado, inclusive em parceria com a Prologis.
Para Loducca, a logística até continua sendo uma oportunidade, “mas a SYN é seletiva”.
“Uma empresa do mercado imobiliário como a nossa ganha dinheiro num momento de oportunidade. Tem que comprar bem, desenvolver bem, carregar bem e vender no tempo certo”, disse, ao reforçar que, sem novas transações à vista, a small cap pretende concentrar capital e esforços nos ativos que já conhece.
