Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
24/07/2026
3 min

‘Divórcio do século’: bilionário da tecnologia terá de pagar R$ 3,27 bilhões à ex-mulher

‘Divórcio do século’: bilionário da tecnologia terá de pagar R$ 3,27 bilhões à ex-mulher

O Tribunal Superior de Seul decidiu, nesta sexta-feira, 24, que Chey Tae-won, presidente do conglomerado SK Group e da fabricante de chips SK Hynix, deverá pagar 944 bilhões de wons, cerca de R$ 3,27 bilhões, à ex-esposa, Roh Soh-yeong. A disputa, chamada na Coreia do Sul de "divórcio do século", envolve a divisão do patrimônio acumulado durante os 34 anos de casamento. A decisão ainda pode ser contestada na Suprema Corte.

O montante estabelecido pelo tribunal supera o valor determinado em primeira instância. A quantia corresponde a cerca de 12% do patrimônio de Chey, estimado em US$ 5,6 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index, segundo o Financial Times. O cálculo ocorreu após um período de valorização dos ativos ligados ao empresário, em meio ao aumento da demanda global por infraestrutura para inteligência artificial.

A Justiça considerou que a expansão patrimonial do SK Group ao longo do casamento não resultou exclusivamente da atuação empresarial de Chey. Segundo o tribunal, Roh também contribuiu para a formação desse patrimônio por meio da administração familiar, da criação dos três filhos e de atividades relacionadas ao conglomerado.

A valorização das empresas do grupo durante a tramitação do processo também entrou no cálculo da divisão dos bens. O tribunal atribuiu a Roh aproximadamente um terço do patrimônio considerado sujeito à partilha, embora ela tenha reivindicado inicialmente quase metade da fortuna do ex-marido.

Como a inteligência artificial ampliou o patrimônio de Chey

Parte da valorização da fortuna de Chey está relacionada ao desempenho da SK Hynix, fabricante de semicondutores que se tornou uma das principais fornecedoras globais de chips de memória usados em sistemas de inteligência artificial. A empresa passou a atender à expansão da demanda por componentes destinados ao processamento de modelos e aplicações da tecnologia.

Esse movimento teve impacto sobre o valor dos ativos ligados ao empresário durante o período analisado pela Justiça. Chey possui patrimônio estimado em cerca de US$ 5,6 bilhões.

Analistas citados no contexto do processo avaliam que o pagamento da indenização poderá ocorrer em dinheiro, sem a necessidade de venda da participação de Chey na holding, empresa que concentra participações societárias, do grupo. Dessa forma, a decisão judicial não implica, por si só, uma mudança no controle acionário do conglomerado.

Disputa começou após revelação de relacionamento extraconjugal

A crise no casamento tornou-se pública em 2015. Naquele ano, Chey informou, em uma carta publicada pela imprensa sul-coreana, que mantinha um relacionamento extraconjugal e tinha um filho fora do casamento.

Dois anos depois, o casal iniciou formalmente o processo de divórcio. A disputa judicial passou a tratar da divisão de um patrimônio que cresceu durante a expansão da SK em áreas como semicondutores, telecomunicações e energia.

Chey e Roh permaneceram casados por 34 anos e tiveram três filhos. O processo passou por diferentes instâncias da Justiça sul-coreana até chegar à decisão anunciada nesta sexta-feira, 24.

Origem da fortuna entrou na disputa judicial

O processo também envolveu discussões sobre a relação entre os chaebols, conglomerados empresariais controlados por famílias e com participação histórica na economia da Coreia do Sul, e o poder político do país.

Roh é filha de Roh Tae-woo, que presidiu a Coreia do Sul entre 1988 e 1993. Segundo o The New York Times, a disputa levantou questionamentos sobre a origem dos recursos que contribuíram para a expansão do grupo SK nas décadas anteriores.

A relação entre o patrimônio empresarial e a família de Roh tornou-se um dos pontos discutidos no processo de divisão dos bens. A decisão do Tribunal Superior de Seul ampliou o valor estabelecido anteriormente, mas o processo ainda poderá seguir para a Suprema Corte sul-coreana.

AutorMateus Omena
FonteExame
Distribuído por