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Sacre Investimentos
Economia
23/07/2026
4 min

Divórcio do século na Coreia do Sul entra na reta final com disputa bilionária sobre fortuna impulsionada pela IA

Divórcio do século na Coreia do Sul entra na reta final com disputa bilionária sobre fortuna impulsionada pela IA

Um tribunal de apelação da Coreia do Sul se prepara para decidir nesta sexta-feira como será dividida a fortuna de cerca de US$ 5 bilhões de Chey Tae-won, presidente do grupo SK e acionista controlador da fabricante de chips SK Hynix.

A ação opõe o executivo à ex-esposa Roh Soh-yeong, de 65 anos. Ela busca uma parcela maior do patrimônio após a disparada das ações da SK Hynix, uma das empresas mais beneficiadas pela corrida global da inteligência artificial.

Conhecido no país asiático como o “divórcio do século”, o processo reúne poder político, riqueza empresarial e uma separação marcada por acusações de infidelidade.

Roh recorreu de uma sentença que lhe concedia cerca de US$ 50 milhões, valor que, segundo ela, não reflete sua contribuição ao casamento de 27 anos.

Agora, defende que a divisão dos bens considere a valorização recente dos ativos do grupo. A revisão pode elevar a compensação para até US$ 1 bilhão, segundo advogados especializados citados pela imprensa sul-coreana.

O empresário sustenta que o avanço recente da SK Hynix ocorreu sem participação da ex-mulher. Por isso, argumenta que o cálculo deve usar uma avaliação anterior ao rali das ações da companhia.

Boom da IA ampliou patrimônio

O julgamento ocorre em um momento de forte expansão para os negócios de Chey.

Desde o início de 2025, os papéis da SK Hynix avançaram cerca de dez vezes. O movimento mais que dobrou a fortuna do executivo.

A empresa se tornou uma das principais fornecedoras de chips de memória usados nos sistemas de inteligência artificial da Nvidia. Em maio, seu valor de mercado superou US$ 1 trilhão e consolidou a companhia entre as maiores vencedoras da onda de investimentos em IA.

O momento ficou evidente em um encontro recente entre Chey e o CEO da Nvidia, Jensen Huang, em Seul. A reunião ganhou destaque na imprensa local e simbolizou a fase vivida pelo setor de semicondutores.

União entre famílias poderosas

Chey e Roh se casaram em 1988, em uma cerimônia que os jornais sul-coreanos classificaram como o “casamento do século”.

Ela é filha de Roh Tae-woo, presidente da Coreia do Sul entre 1988 e 1993. Ele é neto do fundador do conglomerado SK, um dos maiores grupos empresariais do país.

A crise veio a público em 2015, quando Chey divulgou uma carta aberta na qual revelou manter um relacionamento com outra mulher e ter uma filha fora do casamento. Na ocasião, afirmou que não via possibilidade de salvar a união.

Roh resistiu ao divórcio no início. Depois, aceitou a separação e passou a contestar na Justiça a divisão da fortuna.

Debate sobre a origem da riqueza

Parte do embate gira em torno da formação do patrimônio da família SK.

Os advogados de Roh apresentaram documentos que apontariam para transferências de recursos ligados ao ex-presidente Roh Tae-woo em favor do conglomerado décadas atrás. Segundo a acusação, o dinheiro ajudou a impulsionar a expansão dos negócios do grupo. A defesa nega qualquer irregularidade.

Em 2024, um tribunal de apelação concluiu que Roh tinha direito a 35% dos bens do ex-marido. A decisão acabou contestada pelas duas partes. O Supremo Tribunal da Coreia do Sul confirmou o divórcio, mas deixou a definição financeira para instâncias inferiores.

Além da disputa patrimonial, a Justiça já determinou o pagamento de cerca de US$ 1,4 milhão à ex-esposa por danos emocionais.

Histórico de condenações

A trajetória de Chey também inclui problemas judiciais.

Em 2003, ele foi condenado por fraude contábil e negociações ilegais.

Dez anos depois, voltou à prisão após ser considerado culpado pelo desvio de cerca de US$ 42 milhões em recursos corporativos usados em investimentos pessoais.

Nos dois casos, recebeu perdões presidenciais.

À espera da nova decisão, o empresário segue à frente de um dos maiores grupos da Ásia.

O veredito desta sexta-feira pode não apenas redefinir a divisão da fortuna, mas também afetar sua participação acionária e seu controle sobre o conglomerado SK.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

AutorJoão Kawada
FonteMoney Times
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