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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
20/10/2026
8 min

Do anúncio ao fluxo de caixa: Google amplia Gemini para pequenas e médias empresas

Novos recursos reúnem criação de campanhas, identidade visual e análise financeira; Regina Chamma explica a estratégia para ampliar o uso da tecnologia entre empreendedores

Do anúncio ao fluxo de caixa: Google amplia Gemini para pequenas e médias empresas

O Google anunciou nesta terça-feira, 20, uma nova central de negócios no aplicativo do Gemini, com ferramentas de inteligência artificial para ajudar microempreendedores, autônomos e pequenas empresas a criar campanhas de marketing, organizar a identidade visual e analisar as finanças.

Apresentados durante a 15ª Feira do Empreendedor do Sebrae-SP, os recursos começam a ser disponibilizados gradualmente para usuários do aplicativo em todo o mundo. O pacote também facilita a conexão com o Perfil da Empresa, o Google Ads e o Google Workspace, além de aplicativos parceiros, como Canva e Wix.

A iniciativa amplia a aposta da companhia em levar a IA para a operação de negócios que nem sempre têm equipe ou dinheiro para contratar profissionais especializados. Em entrevista exclusiva à EXAME, Regina Chamma, diretora do Google Customer Solutions no Brasil, afirma que esse é um dos segmentos em que a tecnologia pode provocar maior transformação.

“A IA ajuda uma empresa que talvez nunca tenha tido tantos recursos disponíveis, que enfrenta dificuldades de capital de giro ou não consegue contratar profissionais de diferentes áreas. Ela dá a esse pequeno empreendedor acesso ao conhecimento de uma maneira muito mais rápida”, diz.

A estratégia faz parte de uma atuação que vai além do Gemini. Segundo Regina, as ferramentas e plataformas do Google, incluindo publicidade, aplicativos e YouTube, contribuíram para movimentar R$ 230 bilhões em atividade econômica no Brasil em 2025. O número se refere ao conjunto dessas operações, e não apenas à inteligência artificial ou aos pequenos negócios.

“Nosso propósito é ajudar essas empresas a crescer, gerar empregos e movimentar a economia”, reforça.

O que muda no Gemini?

  • Painel único para o pequeno negócio: A nova página inicial de negócios (business landing page) funciona como um painel central dentro do Gemini. Nele, o empreendedor pode centralizar a construção de marca, analisar finanças e entender o comportamento dos clientes. O painel também é integrado nativamente a ferramentas do Google (Google Workspace, Google Ads e Perfil da Empresa na Busca) e a aplicativos externos, facilitando o fluxo de trabalho sem a necessidade de alternar entre várias abas.
  • Identidade de Marca Inteligente: Criar peças de marketing ficou mais simples e consistente. O Gemini agora é capaz de memorizar a identidade visual da empresa. Basta enviar o site institucional, o logotipo, o manual de marca, fontes ou paleta de cores uma única vez. Equipado com o modelo visual mais recente do Google, o Nano Banana 2.1, a ferramenta gera imagens, anúncios e conteúdos em vídeo sempre alinhados às diretrizes visuais da marca, eliminando o retrabalho a cada nova campanha.
  • Gestão Financeira Sem Complicação: O Gemini passa a automatizar a criação de relatórios e painéis financeiros interativos em segundos. O empreendedor pode tirar fotos de recibos físicos, fazer o upload de planilhas ou notas fiscais de compra e receber análises simples, diretas e consolidadas sobre o fluxo de caixa e a saúde financeira do seu negócio.

“Pense na área de finanças, na geração de um relatório, nas campanhas de marketing e publicidade. São vários usos que esse empreendedor poderá fazer de uma maneira muito mais fácil”, afirma Regina Chamma.

Para a executiva, a simplificação é essencial para aproximar a tecnologia de quem acumula funções na empresa.

“A IA democratiza um conhecimento que talvez estivesse muito mais concentrado nas grandes empresas. Nosso papel é levá-la de uma maneira simples, prática e fácil, para que a pequena e a média empresa consigam tirar proveito dela.”

Do uso pessoal à rotina da empresa

Na avaliação de Regina Chamma, a familiaridade dos brasileiros com a inteligência artificial abre espaço para uma adoção maior no trabalho. Segundo dados apresentados pelo Google, 82% dos brasileiros já utilizam alguma ferramenta de IA. E 71% relatam uso em tarefas pessoais e 41%, em atividades profissionais.

“Existe uma diferença grande nesse cenário. As pessoas ainda usam muito mais a IA para algo pessoal, como planejar uma viagem ou procurar um produto, do que para uma atividade profissional. Mas 41% já é um número bastante alto”, explica a diretora de Google Customer Solutions.

Os percentuais, porém, não permitem determinar quanto a tecnologia já está incorporada à rotina de trabalho. “A gente ainda não sabe dizer qual é a intensidade desse uso”, enfatiza.

Para Chamma, parte do desafio está na compreensão das aplicações: “É uma questão de as pessoas entenderem como podem usar isso para ganhar produtividade”.

Entre pequenas e médias empresas, os planos de adoção também avançam. Segundo o estudo Horizonte em Foco 2026, do Google Cloud com a IDC, a proporção de PMEs latino-americanas com planos definidos para IA passou de 34%, em 2025, para 77%, em 2026. Além disso, 48% já mantêm projetos de agentes de IA em andamento ou em implantação.

No Brasil, segundo a companhia, o uso das ferramentas de IA do Google Cloud por pequenas e médias empresas cresceu nove vezes na comparação anual em 2026.

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Presença digital vem antes da campanha

Para quem tem pouco dinheiro, quer começar a aplicar a IA em seu negócio, mas não sabe por onde começar, Regina Chamma recomenda atenção às informações básicas do negócio na internet. Uma cabeleireira, por exemplo, pode usar o Perfil da Empresa no Google para apresentar serviços, fotos, horários e formas de pagamento, mesmo sem ter um site.

“O pequeno empreendedor precisa entender que tem de ser dono do seu conteúdo digital. Não só das redes sociais, mas daquele conteúdo que importa para que o consumidor vá até o estabelecimento”, pontua.

Isso inclui informar se o negócio aceita Pix ou cartão de crédito, quais serviços presta e quando está aberto. Na avaliação da executiva, manter esses dados atualizados ganha relevância com o avanço das buscas apoiadas por IA e dos agentes capazes de executar tarefas.

A executiva resume a orientação em três frentes: presença, produtividade e performance.

“A presença é manter o conteúdo atualizado e bem-feito. A produtividade é como você usa a IA para ajudar nos processos internos, nos chatbots e nas campanhas de marketing. E a performance é como usa as ferramentas disponíveis para melhorar os resultados das campanhas e das ações”.

A executiva afirma que essa preparação não depende, necessariamente, de começar pela publicidade paga.

“A presença é fundamental e é gratuita. É como você se apresenta para o consumidor no meio digital”, diz. “O empreendedor tem uma boa presença e pode usar as plataformas publicitárias para impulsionar o negócio. Elas são complementares.”

Como transformar IA em resultado?

Na publicidade, Regina aponta o Performance Max como um exemplo de aplicação da tecnologia. A ferramenta usa IA para distribuir campanhas entre canais do Google, como Busca, YouTube, Gmail e Maps, a partir dos objetivos definidos pelo anunciante.

A executiva diz que a companhia realizou mais de 90 melhorias em seus produtos de publicidade no ano passado. O movimento acompanha mudanças na maneira como os consumidores pesquisam.

Segundo ela, as buscas passaram a usar de três a cinco vezes mais palavras, com descrições mais detalhadas do que a pessoa deseja encontrar. Em vez de procurar apenas um tênis de corrida pelo tamanho, por exemplo, o consumidor pode especificar distância, amortecimento e tipo de pisada.

“A jornada deixou de ser linear. Ela passa por diferentes plataformas, redes sociais e outras interações e buscas. O que temos feito é usar IA nas nossas plataformas para captar essa demanda onde quer que ela esteja e trazer resultado para o empreendedor.”

Ainda assim, Chamma reconhece que a implantação de uma ferramenta exige adaptação — um desafio para empresas com pouco caixa.

“O pequeno empreendedor tem uma necessidade muito mais rápida de resultado, porque às vezes não tem caixa suficiente nem o privilégio de esperar muito tempo. Mas, quando muda um processo no dia a dia, ele pode levar um tempo para acontecer: uma semana, duas ou um mês”, diz.

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Capacitação e infraestrutura ainda são desafios

O avanço da adoção convive com limitações estruturais. O estudo do Google Cloud com a IDC aponta que a infraestrutura de TI inadequada é o principal desafio das PMEs latino-americanas para rodar aplicações de IA, seguida pela arquitetura de dados pouco otimizada e pela complexidade técnica e financeira de atualizar sistemas antigos.

Além disso, 33% das empresas da região relatam grandes dificuldades para estabelecer regras de controle ou segurança no uso da tecnologia.

Para Regina Chamma, ampliar a oferta de ferramentas precisa vir acompanhado de formação. Durante a feira, o Google prevê atividades de capacitação e a oferta de um curso gratuito aos empreendedores presentes em sua palestra.

“O ponto principal é como educamos rapidamente essas pequenas e médias empresas para que tenham conhecimento da IA e saibam usá-la da melhor maneira no dia a dia”, afirma.

E acrescenta: “Se não tivermos essa capacitação, essa educação, não conseguimos dar esse passo. Ela é o alicerce de que precisamos para dar escala à IA no Brasil”.

AutorMateus Omena
FonteExame
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