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15/08/2026
4 min

Do copo à matéria-prima: como a Nissin reaproveita embalagens de Cup Noodles

Estratégia combina logística reversa, cooperativas de reciclagem e reaproveitamento de resíduos industriais; operação depende também do descarte correto pelos consumidores

Do copo à matéria-prima: como a Nissin reaproveita embalagens de Cup Noodles

O copo usado para embalar o Cup Noodles, marca de macarrão instantâneo da Nissin Foods, pode deixar de ir para aterros sanitários e retornar à cadeia produtiva como matéria-prima para novos produtos. É nessa frente que a fabricante vem estruturando uma operação de logística reversa para recuperar resíduos pós-consumo de suas embalagens.

Em 2025, a fabricante de macarrão instantâneo recuperou cerca de 2.170 toneladas de resíduos pós-consumo por meio da operação. Parte dos materiais coletados é convertida em matéria-prima para novos produtos, como placas de chapatex, material utilizado na separação de pallets durante o transporte de cargas, além de itens institucionais, entre eles agendas e calendários.

O modelo se apoia em diferentes etapas fora das fábricas. Primeiro, o copo precisa ser descartado pelo consumidor em uma lixeira destinada a recicláveis ou encaminhado para um sistema de coleta seletiva. Depois, cooperativas de reciclagem fazem a triagem do material e ajudam a direcioná-lo novamente à cadeia produtiva.

Esse desenho coloca um limite importante para a própria estratégia: a capacidade da empresa de reaproveitar as embalagens depende também da infraestrutura de coleta e da participação do consumidor, etapas que acontecem depois que o produto deixa o controle direto da fabricante.

A Nissin afirma apoiar a estruturação de cooperativas de reciclagem dentro de sua estratégia de logística reversa, em uma operação alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), legislação brasileira que estabelece responsabilidades para a gestão e a destinação dos resíduos. Segundo a companhia, a parceria também está associada à geração de trabalho e renda nas organizações envolvidas na coleta e triagem.

Resíduo também é alvo dentro das fábricas

A estratégia não se restringe ao que acontece depois que o macarrão é consumido. A Nissintambém passou a recuperar parte do material descartado durante a fabricação das próprias embalagens.

Segundo a empresa, 40% das aparas de papel geradas na produção dos copos de Cup Noodles são atualmente recuperadas. Essa frente teria permitido reciclar aproximadamente 1.700 toneladas de resíduos dentro da operação fabril.

Os dois números medem etapas diferentes da cadeia. As 2.170 toneladas se referem a resíduos recuperados após o consumo, enquanto as cerca de 1.700 toneladas correspondem a materiais gerados no processo industrial. A empresa não detalhou, nas informações divulgadas, qual parcela dos resíduos pós-consumo corresponde especificamente aos copos de Cup Noodles nem o destino de cada material recuperado.

A distinção é relevante porque uma estratégia de economia circular, modelo que busca manter materiais em uso por mais tempo e reduzir a geração de resíduos, envolve tanto evitar descartes no processo produtivo quanto criar caminhos para que embalagens retornem à cadeia depois de chegarem às mãos do consumidor.

“Cada etapa desse processo reforça que a sustentabilidade ambiental é construída a partir de ações conjuntas. Buscamos soluções que reduzam impactos, valorizem os parceiros envolvidos na cadeia de reciclagem e criem novas possibilidades para os materiais que antes seriam descartados”, afirma Fernanda Facca, gerente de SGI da Nissin Foods do Brasil.

Meta de resíduos faz parte de plano mais amplo

As ações integram o Earth Food Challenge 2030, plano global de sustentabilidade do grupo Nissin Foods. A estratégia reúne compromissos relacionados ao desenvolvimento de embalagens, redução de emissões atmosféricas, eficiência no uso da água, energia renovável e mudanças nas cadeias produtivas.

No Brasil, a empresa opera fábricas em Ibiúna, no interior de São Paulo, e Glória do Goitá, em Pernambuco. A companhia produz 53 itens destinados ao mercado brasileiro e outros 25 para exportação, dos quais 12 são exclusivos para mercados externos.

Ao avançar na recuperação de resíduos, a Nissin tenta atuar em dois pontos diferentes de um mesmo problema: reduzir as sobras geradas antes de o produto sair da fábrica e recuperar parte do que é descartado depois do consumo.

No caso dos copos, porém, fechar esse ciclo não depende apenas de decisões industriais. A embalagem precisa entrar no sistema correto de coleta, chegar às cooperativas e ser separada de maneira adequada antes de ganhar um novo uso — o que torna a logística reversa uma cadeia compartilhada entre fabricante, consumidor e organizações de reciclagem.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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