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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
11/07/2026
4 min

Do diesel à terra: produzir grãos nos EUA nunca foi tão caro — e 2027 será ainda pior

Do diesel à terra: produzir grãos nos EUA nunca foi tão caro — e 2027 será ainda pior

Os custos para produzir grãos, como soja e milho, nos Estados Unidos devem atingir novos recordes em 2027, mesmo com a expectativa de alívio nos preços de combustíveis e fertilizantes.

A conclusão é de uma análise da American Farm Bureau Federation (AFBF), uma das principais entidades agrícolas dos EUA, baseada nas projeções do relatório Custo das Commodities e Retorno, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Segundo o estudo, o aumento dos custos de produção deixou de ser um efeito temporário da inflação e das rupturas nas cadeias globais de suprimentos para se tornar uma característica estrutural da agricultura americana.

"As projeções preliminares do USDA para 2027 mostram que os custos totais de produção continuarão subindo para a maioria das principais culturas, levando todas as commodities a níveis recordes", afirma a AFBF.

O levantamento mostra que o custo de produção do arroz deve atingir US$ 1.427 por hectare em 2027, o maior entre as principais culturas analisadas. Na sequência aparecem amendoim (US$ 1.248), algodão (US$ 1.001), milho (US$ 952), soja (US$ 701), sorgo (US$ 477) e trigo (US$ 428).

A revisão mais recente do USDA elevou as estimativas de custo para todas as principais culturas na safra de 2026. Segundo a AFBF, a principal explicação está na disparada dos gastos com combustíveis, lubrificantes, eletricidade e fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pelos impactos sobre o mercado global de energia.

"Como esperado, as projeções atualizadas indicam que os custos de produção serão maiores do que o previsto anteriormente para todas as principais culturas em 2026", diz o estudo.

Entre as maiores revisões aparecem os custos com combustível, lubrificantes e eletricidade, que aumentaram 41% para o sorgo, 36,8% para o amendoim, 35,2% para o trigo, 34,6% para o milho, 34,4% para o arroz e 32,9% para a soja, em comparação com as projeções anteriores do USDA.

Os fertilizantes também ficaram mais caros. As revisões variam entre 6,5% e 11,7%, dependendo da cultura, com os maiores aumentos registrados para arroz, trigo, amendoim, milho e soja.

Apesar disso, o USDA espera um cenário mais favorável em 2027, diante da possibilidade de redução das tensões no Oriente Médio e da normalização do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e fertilizantes.

A previsão ocorre em um momento de pressão sobre o setor agrícola americano, uma vez que astarifas comerciais e tensões com a China contribuíram para a perda de espaço da soja americana no mercado global, com aumento das compras chinesas de fornecedores como Brasil e Argentina.

Segundo dados da AFBF, os pedidos de falência no agronegócio dos EUA cresceram 46% em 2025 na comparação com o ano anterior.

Além disso, segundo pesquisa da própria entidade, com mais de 5.700 agricultores, mostra que 70% dos entrevistados afirmaram não conseguir arcar com todos os fertilizantes necessários para a safra de 2026.

Agro dos EUA

Mesmo com a expectativa de queda dospreços de combustíveis e fertilizantes, os custos de produção devem continuar subindo no próximo ano.

Segundo a AFBF, o aumento será impulsionado por outras despesas da atividade agrícola, como sementes, defensivos, reparos, mão de obra, maquinário e arrendamento de terras.

"Os custos recordes projetados para 2027 sugerem que o aumento das despesas com insumos não é mais um desafio temporário, mas uma realidade persistente enfrentada pelos agricultores em todo o país", afirma o estudo.

Os números mostram que, desde 2005, o custo total de produção aumentou 165% na soja, 146% no milho, 106% no trigo, 103% no arroz, 88% no amendoim e 84% no algodão.

Na avaliação da entidade, essa tendência torna os produtores mais vulneráveis em momentos de queda dos preços das commodities, já que boa parte das despesas permanece elevada independentemente da receita obtida na comercialização da safra.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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