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Sacre Investimentos
TecnologiaBDR
27/07/2026
3 min

Do iPhone ao Gemini: como Apple superou Nvidia como empresa mais valiosa do mundo

Do iPhone ao Gemini: como Apple superou Nvidia como empresa mais valiosa do mundo

A Apple destronou a Nvidia como empresa mais valiosa do mundo nesta segunda-feira, 27, após uma alta leve de 0,8% em Wall Street. Às 15h22, no horário de Brasília, a fabricante do iPhone era avaliada em US$ 4,93 trilhões, enquanto a Nvidia operava em torno de US$ 4,76 trilhões.

A Apple é também a integrante do grupo das Sete Magníficas que mais subiu no ano, em alta acumulada de 24% em 2026. Outras empresas, como a Tesla, Microsoft e Meta, por sua vez, estão em queda. A Nvidia já subiu cerca de 6% em 2026.

A companhia liderada por Tim Cookconseguiu a virada no topo não por um anúncio isolado, mas por uma mudança na forma como Wall Street passou a enxergar a corrida da inteligência artificial (IA).

Durante quase dois anos, o mercado premiou as empresas que gastavam mais para construir a infraestrutura da tecnologia — e ninguém se beneficiou tanto disso quanto a Nvidia, que vende os chips dessa construção. Agora, o pêndulo virou.

Enquanto Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta comprometem somas recordes com data centers e processadores, a Apple faz o caminho oposto ao adicionar recursos de IA a seus produtos sem bancar sozinha a infraestrutura pesada por trás deles, deixando boa parte desse custo com parceiros.

"Outrora criticadas por não investirem mais em IA, elas conseguiram evitar algumas dessas armadilhas de despesas de capital", disse Jay Woods, estrategista-chefe de mercado da Freedom Capital Markets, segundo o Yahoo Finance.

O iPhone que não parou de vender

A virada só foi possível porque o negócio central da Apple seguiu forte. No trimestre encerrado em março, o último divulgado, a empresa registrou receita recorde de US$ 111,2 bilhões, alta de 17% em um ano. O iPhone puxou o resultado, com US$ 57 bilhões, avanço de 22%.

Dois motores sustentam a alta. O primeiro é a base instalada: são cerca de 2,5 bilhões de dispositivos ativos no mundo, que alimentam tanto as trocas de aparelhos quanto a venda de serviços.

O segundo é justamente a divisão de serviços — App Store, iCloud, assinaturas —, que cresce a um ritmo de dois dígitos e opera com margem bruta de 76,7%, bem acima da média da empresa. Quanto mais os serviços pesam no faturamento, mais lucrativa a Apple fica.

A recuperação na China, mercado que preocupava por causa da concorrência local e do atraso nos recursos de IA, também ajudou: a região voltou a crescer com força no período.

A promessa da Siri e o 'tesouro' dentro do iPhone

Há ainda uma aposta que o mercado começou a precificar de que a Apple tem, guardado nos próprios aparelhos, um ativo que as rivais não têm.

No WWDC, sua conferência de desenvolvedores, em junho, a empresa apresentou a nova Siri com IA (capaz de entender contexto pessoal, controlar aplicativos e manter conversas), prometida para chegar com as atualizações de sistema no segundo semestre. O anúncio marcou também a parceria com o Gemini, do Google.

Analistas veem nos dados pessoais que vivem em cada iPhone uma espécie de mina de ouro para a IA — informação que poderia tornar a Siri muito mais útil que assistentes rivais.

O desafio é que esses dados estão trancados dentro do sistema em nome da privacidade, e a Apple precisaria encontrar uma forma de extrair valor deles sem quebrar essa promessa.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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