Do ovo à Forbes: como o 'Rei do Ovo' construiu um império de R$ 35 bilhões
Ricardo Faria chegou ao top 10 dos brasileiros mais ricos após expandir a Granja Faria para os EUA e a Europa

O agronegócio brasileiro continua a produzir algumas das maiores fortunas do país. Na lista de bilionários da Forbes de 2026, publicada nesta sexta-feira, 28, Ricardo Castellar de Faria, conhecido como o “Rei do Ovo”, aparece pela primeira vez entre os dez brasileiros mais ricos.
Aos 51 anos, o empresário, dono da Granja Faria, tem patrimônio estimado em R$ 35,1 bilhões, ocupa a 10ª posição no ranking nacional e lidera a lista de bilionários do agronegócio.
O salto foi expressivo. Quando estreou na lista da Forbes, em 2024, Faria ocupava a 21ª posição entre os brasileiros mais ricos, com uma fortuna estimada em R$ 17,45 bilhões. Em dois anos, o patrimônio calculado pela revista praticamente dobrou.
Por trás dessa ascensão está uma estratégia de expansão que levou o negócio de Faria para além do mercado brasileiro. A Global Eggs, holding que controla a Granja Faria e operações nos Estados Unidos e na Europa, registrou faturamento de US$ 2,5 bilhões em 2025, o equivalente a cerca de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões.
A história da companhia ajuda a explicar como o empresário saiu de uma operação brasileira para construir um grupo com presença em alguns dos maiores mercados de ovos do mundo. A produção anual da Global Eggs, hoje, é estimada em 15 bilhões de ovos, distribuídos em diferentes categorias, dos convencionais aos especiais.
A trajetória de Ricardo Faria
A transformação começou em 2018, quando Faria vendeu a Lavebras por R$ 1,7 bilhão e criou a Global Eggs. A partir dali, a estratégia passou a ser concentrada no mercado de ovos, com a Granja Faria como principal plataforma de crescimento.
Nos anos seguintes, o grupo avançou por meio de aquisições no Brasil. Empresas como Katayama e Grupo BL passaram a fazer parte da expansão, ampliando a capacidade da companhia e ajudando a consolidar sua posição no mercado nacional.
O movimento levou a Granja Faria à liderança entre os produtores de ovos do país. A consolidação brasileira, porém, era apenas a primeira etapa de uma estratégia que ganharia uma dimensão internacional nos anos seguintes.
A primeira grande expansão internacional veio em novembro de 2024, quando a Global Eggs comprou o Hevo Group, da Espanha, por 120 milhões de euros. Com a operação, o grupo assumiu a liderança do mercado espanhol.
Poucos meses depois, a companhia atravessou o Atlântico. Em março de 2025, a Global Eggs adquiriu a americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão. A operação colocou a holding entre as cinco maiores empresas do mercado de ovos dos Estados Unidos.
A expansão europeia também continuou. Em 2025, a Global Eggs comprou a Granja Legaria e a Avícola Tratante, ambas na Espanha, ampliando a capacidade produtiva do grupo na União Europeia.
A sequência de aquisições mostra uma estratégia baseada em escala. Primeiro, a empresa consolidou sua posição no Brasil. Depois, passou a comprar operações já estabelecidas em mercados internacionais, aumentando sua presença na Europa e nos Estados Unidos.
A expansão também mudou a dimensão financeira da companhia. Em março de 2026, o fundo Warburg Pincus fez um aporte de US$ 1 bilhão na Global Eggs. Com a operação, a empresa passou a ser avaliada em US$ 8 bilhões.
O salto na lista de bilionários
O crescimento da Global Eggs ocorreu em paralelo à ascensão de Faria no ranking da Forbes. Em 2024, o empresário apareceu pela primeira vez na lista, com patrimônio estimado em R$ 17,45 bilhões. Naquele ano, ocupava a 21ª posição entre os brasileiros mais ricos.
Dois anos depois, Faria aparece em 10º lugar, com patrimônio estimado em R$ 35,1 bilhões. O avanço também o colocou no topo entre os bilionários ligados ao agronegócio brasileiro.
Os números da empresa ajudam a dimensionar o negócio por trás da fortuna. A Global Eggs faturou US$ 2,5 bilhões em 2025, enquanto sua avaliação chegou a US$ 8 bilhões após o aporte da Warburg Pincus em 2026.
