Do PayPal ao “carro voador”: veja a linha do tempo de inovações das empresas de Musk
De pagamentos online a foguetes reutilizáveis e implantes cerebrais, veja 13 marcos das companhias ligadas ao empresário

RESUMO +
De pagamentos pela internet a implantes cerebrais, empresas ligadas a Elon Musk desenvolveram produtos em setores muito diferentes. Esta linha do tempo reúne 13 marcos entre 1999 e 2026, incluindo o primeiro Roadster, a Dragon, a Starlink e o Grok. Os avanços resultam do trabalho de equipes, parceiros e, em alguns casos, programas públicos. Parte virou serviço comercial; outra parte começou como demonstração ou estudo clínico. O novo Roadster fecha a lista com três configurações e uma restrição: a Rocket não é aprovada para vias públicas.
A Tesla apresentou nesta quinta-feira, 15, um novo Roadster com propulsores em algumas configurações. O esportivo acrescenta mais um capítulo à trajetória das empresas ligadas a Elon Musk, que passaram dos serviços financeiros pela internet a carros elétricos, foguetes, inteligência artificial e implantes cerebrais.
A demonstração do novo Roadster retoma uma história que já chegou ao cotidiano, da internet da Starlink no Brasil às conversas com assistentes de IA. Também exige separar três coisas: apresentar uma ideia, demonstrar que ela funciona e colocá-la nas mãos do público.
A linha do tempo reúne 13 marcos, de 1999 a 2026, desenvolvidos por equipes das empresas, fornecedores e parceiros. A seleção passa por produtos que chegaram ao mercado e experiências que abriram novas frentes de pesquisa.
Um anúncio, um teste bem-sucedido e um produto à venda são etapas diferentes da inovação.1999–2001: X.com e PayPal levam pagamentos para a internet
Telas do aplicativo PayPal em imagem de 2022. O serviço de pagamentos se consolidou após a união entre Confinity e X.com. (PayPal)
A X.com, empresa de serviços financeiros criada com a participação de Musk em 1999, se uniu à Confinity em março de 2000. A Confinity já havia desenvolvido o produto PayPal, que permitia enviar dinheiro a alguém usando seu endereço de e-mail.
A empresa resultante adotou o nome PayPal em 2001. Usar o e-mail como identificador simplificava a transferência de dinheiro entre usuários da internet. Essa X.com era uma empresa financeira, diferente da rede social X que surgiria da mudança de nome do Twitter.
2008: o primeiro Roadster coloca a Tesla nas ruas
Roadster de primeira geração conectado a um carregador, em foto de arquivo. O modelo começou a ser vendido em 2008. (Ming-yen Hsu/Flickr)
A Tesla começou a vender o Roadster de primeira geração em 2008. O esportivo combinava propulsão elétrica com baterias de íons de lítio, usadas em um projeto que exigia sistemas próprios de controle, refrigeração e segurança.
A novidade ajudou a apresentar o carro elétrico como um produto de desempenho, além da proposta de substituir a gasolina. A Tesla já existia desde 2003 quando Musk entrou em seu conselho, em 2004; ele assumiu como presidente-executivo em outubro de 2008. O veículo foi desenvolvido por uma equipe, com componentes e participação de fornecedores.
2012: a Dragon leva uma nave comercial à estação espacial
Dragon é capturada pelo braço robótico da Estação Espacial Internacional em 25 de maio de 2012. (NASA)
Em 25 de maio de 2012, a cápsula Dragon, da SpaceX, foi capturada pelo braço robótico da Estação Espacial Internacional e conectada ao laboratório orbital. Foi a primeira nave de uma empresa comercial a realizar esse encontro e conexão com a estação, segundo a Nasa.
A missão era de demonstração e transportava carga, não astronautas. O resultado abriu caminho para o serviço de abastecimento da estação em parceria com a agência americana. A inovação envolvia tanto a nave quanto um modelo em que a Nasa contratava transporte de uma empresa privada.
2012: Model S e Supercharger juntam carro elétrico e recarga
Tesla Model S em imagem de arquivo. As primeiras entregas do sedã ocorreram em 2012. (Divulgação)
As primeiras entregas do Model S ocorreram em 22 de junho de 2012. O sedã ampliou a proposta iniciada pelo Roadster, com mais espaço e uma arquitetura projetada para a propulsão elétrica, incluindo a bateria instalada no assoalho.
Em setembro, a Tesla apresentou as seis primeiras estações da rede Supercharger. A combinação atacava um problema que ia além do carro: onde recarregar durante uma viagem. O carro e a rede de recarga passaram, assim, a fazer parte da mesma estratégia de expansão.
2015: Powerwall leva as baterias da Tesla para dentro de casa
Baterias Powerwall da Tesla, em foto de arquivo. A primeira instalação do produto ocorreu em 2015. (Tim Rue/Bloomberg)
A Powerwall ampliou a atuação da Tesla para o armazenamento residencial de energia. Apresentada em 2015, a bateria permite guardar eletricidade para uso posterior, inclusive energia gerada por painéis solares.
A própria Tesla situa a primeira instalação em maio de 2015. A proposta aproxima geração, armazenamento e consumo: em vez de usar toda a eletricidade no momento em que ela é produzida, a casa pode recorrer à reserva em outro horário. A bateria também pode funcionar como reserva durante interrupções no fornecimento, conforme a configuração da instalação.
2015–2017: Falcon 9 pousa e volta a ser usado
Primeiro estágio do Falcon 9 durante pouso, em imagem de arquivo. A recuperação abriu caminho para reutilizar o equipamento. (SpaceX/Divulgação)
Em 21 de dezembro de 2015, no horário da Flórida, a SpaceX pousou o primeiro estágio de um Falcon 9 após um lançamento que colocou satélites em órbita. Era a parte do foguete responsável pelo impulso inicial, não o veículo inteiro.
O passo seguinte veio em 30 de março de 2017, quando a empresa lançou novamente um primeiro estágio que já havia voado. Recuperar e reutilizar esse equipamento permitiu evitar a fabricação de um propulsor novo a cada missão. O Falcon 9, porém, não se tornou um foguete totalmente reutilizável: o segundo estágio não fazia parte dessa recuperação.
O salto do Falcon 9 veio em duas etapas: pousar o primeiro estágio em 2015 e lançá-lo novamente em 2017.2020: Crew Dragon passa a transportar astronautas
Falcon 9 com a Crew Dragon na plataforma em maio de 2020, antes da missão Demo-2. (Steve Nesius/Reuters)
Em 30 de maio de 2020, a missão Demo-2 levou os astronautas Robert Behnken e Douglas Hurley ao espaço a bordo da Crew Dragon. A versão para tripulação acrescentava uma nova responsabilidade à experiência da SpaceX com transporte de carga.
A missão de teste fez parte do programa comercial de tripulações da Nasa e marcou a retomada dos lançamentos de astronautas de solo americano após o fim dos ônibus espaciais, em 2011. A parceria com a agência passou a incluir o transporte de pessoas, além do abastecimento da estação.
2020: Starlink abre sua internet por satélite a usuários de teste
Kit da Starlink em imagem de divulgação de 2021, após a ampliação dos testes públicos do serviço em 2020. (Starlink/Divulgação)
Em outubro de 2020, a Starlink, serviço da SpaceX, ampliou os testes públicos de internet por satélite nos Estados Unidos. Os participantes pagavam pelo equipamento e pela conexão, ainda apresentada como uma versão de teste, ou beta.
A rede usa satélites em órbita baixa e uma antena do usuário para oferecer acesso à internet, inclusive em locais difíceis de atender por infraestrutura terrestre. O serviço passou a operar no Brasil em 2022. Sua evolução inclui a discussão sobre conexão com celulares e o mercado brasileiro de telefonia, uma frente distinta do acesso por antena residencial.
2021: o Loop leva carros a túneis de transporte em Las Vegas
Túnel de demonstração da The Boring Company em Hawthorne, em 2018. O registro antecede o LVCC Loop de Las Vegas, aberto em 2021. (Robyn Beck/Reuters)
A The Boring Company colocou em operação o LVCC Loop, no centro de convenções de Las Vegas, em 2021. Segundo a empresa, o sistema abriu em abril, durante um evento de leilão de motocicletas.
O projeto conectou áreas do complexo com carros que circulam por túneis. A proposta era encurtar o deslocamento entre pavilhões sem disputar espaço com o trânsito da superfície. Diferentemente do Hyperloop, o Loop utiliza veículos sobre pneus, em vez de cápsulas em tubos de baixa pressão.
2023: Grok coloca a xAI na disputa dos assistentes de IA
Grok em imagem ilustrativa de arquivo de 2025. O assistente foi apresentado pela xAI em novembro de 2023. (Getty Images)
A xAI apresentou o Grok em novembro de 2023, inicialmente como uma versão de teste oferecida a um grupo limitado de usuários nos Estados Unidos. A empresa destacou o acesso a informações da rede social X como uma das características do assistente.
O produto marcou a entrada da companhia nos modelos de linguagem capazes de conversar e produzir respostas a comandos. A própria apresentação reconhecia que o sistema poderia gerar informações falsas ou contraditórias. A evolução dos recursos e das formas de acesso ao Grok não transforma suas respostas em informação automaticamente verificada.
2024: Neuralink faz seu primeiro implante cerebral em uma pessoa
Esquema apresentado pela Neuralink em 2020, anterior ao primeiro implante humano realizado pela empresa em 2024. (Neuralink/YouTube/Reprodução)
Em janeiro de 2024, a Neuralink realizou seu primeiro implante em um participante humano, Noland Arbaugh. O dispositivo registra sinais neurais e os transmite sem fio a um sistema capaz de convertê-los em comandos para um computador.
O avanço ocorreu no estudo clínico PRIME. O objetivo era avaliar uma interface que ajudasse pessoas com paralisia a controlar dispositivos digitais. A empresa depois anunciou metas de automação de etapas da cirurgia. O primeiro implante, porém, fazia parte de pesquisa clínica, sem representar liberação do aparelho para venda ao público.
2024: braços da torre capturam o Super Heavy
Super Heavy se aproxima da torre antes da captura no quinto teste do Starship, em 13 de outubro de 2024. (SpaceX / Handout/Anadolu via Getty Images)
No quinto teste integrado do Starship, em 13 de outubro de 2024, a SpaceX recuperou o propulsor Super Heavy com os braços da torre de lançamento. O equipamento retornou ao local de onde havia partido e foi segurado pela estrutura.
A manobra testou uma alternativa às pernas de pouso usadas pelo Falcon 9. Foi um passo no desenvolvimento de um sistema concebido para reutilização, mas aquele voo não demonstrou a recuperação e o novo lançamento do conjunto inteiro. O Super Heavy é o primeiro estágio; a nave Starship constitui a parte superior.
2026: o novo Roadster acrescenta propulsores ao esportivo
Novo Roadster apresentado em outubro de 2026: algumas configurações acrescentam propulsores ao esportivo. (Tesla/Divulgação)
A apresentação de 15 de outubro de 2026 retomou o projeto da nova geração do Roadster, mostrado originalmente em 2017. A Tesla passou a apresentar três configurações: Performance, Thrust e Rocket.
Segundo a fabricante, a Performance combina aerodinâmica ativa e sucção para aumentar a aderência; a Thrust acrescenta propulsores traseiros de gás frio. A Rocket tem um assento e propulsores para movimentos em diferentes direções, mas traz uma ressalva expressa: não é aprovada para uso em vias públicas.
A apresentação aproximou o esportivo das tecnologias de propulsão associadas à SpaceX. Mas o próximo passo comercial ainda estava em aberto: nas páginas consultadas, a Tesla não informava calendário de produção e entregas nem lançamento dessas versões no Brasil.
