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TecnologiaBDR
16/10/2026
10 min

Do PayPal ao “carro voador”: veja a linha do tempo de inovações das empresas de Musk

De pagamentos online a foguetes reutilizáveis e implantes cerebrais, veja 13 marcos das companhias ligadas ao empresário

Do PayPal ao “carro voador”: veja a linha do tempo de inovações das empresas de Musk
RESUMO +

De pagamentos pela internet a implantes cerebrais, empresas ligadas a Elon Musk desenvolveram produtos em setores muito diferentes. Esta linha do tempo reúne 13 marcos entre 1999 e 2026, incluindo o primeiro Roadster, a Dragon, a Starlink e o Grok. Os avanços resultam do trabalho de equipes, parceiros e, em alguns casos, programas públicos. Parte virou serviço comercial; outra parte começou como demonstração ou estudo clínico. O novo Roadster fecha a lista com três configurações e uma restrição: a Rocket não é aprovada para vias públicas.


A Tesla apresentou nesta quinta-feira, 15, um novo Roadster com propulsores em algumas configurações. O esportivo acrescenta mais um capítulo à trajetória das empresas ligadas a Elon Musk, que passaram dos serviços financeiros pela internet a carros elétricos, foguetes, inteligência artificial e implantes cerebrais.

A demonstração do novo Roadster retoma uma história que já chegou ao cotidiano, da internet da Starlink no Brasil às conversas com assistentes de IA. Também exige separar três coisas: apresentar uma ideia, demonstrar que ela funciona e colocá-la nas mãos do público.

A linha do tempo reúne 13 marcos, de 1999 a 2026, desenvolvidos por equipes das empresas, fornecedores e parceiros. A seleção passa por produtos que chegaram ao mercado e experiências que abriram novas frentes de pesquisa.

Um anúncio, um teste bem-sucedido e um produto à venda são etapas diferentes da inovação.

1999–2001: X.com e PayPal levam pagamentos para a internet

Quatro telas de demonstração do aplicativo PayPal em smartphones

Telas do aplicativo PayPal em imagem de 2022. O serviço de pagamentos se consolidou após a união entre Confinity e X.com. (PayPal)

A X.com, empresa de serviços financeiros criada com a participação de Musk em 1999, se uniu à Confinity em março de 2000. A Confinity já havia desenvolvido o produto PayPal, que permitia enviar dinheiro a alguém usando seu endereço de e-mail.

A empresa resultante adotou o nome PayPal em 2001. Usar o e-mail como identificador simplificava a transferência de dinheiro entre usuários da internet. Essa X.com era uma empresa financeira, diferente da rede social X que surgiria da mudança de nome do Twitter.

2008: o primeiro Roadster coloca a Tesla nas ruas


Roadster vermelho de primeira geração conectado a um carregador

Roadster de primeira geração conectado a um carregador, em foto de arquivo. O modelo começou a ser vendido em 2008. (Ming-yen Hsu/Flickr)

A Tesla começou a vender o Roadster de primeira geração em 2008. O esportivo combinava propulsão elétrica com baterias de íons de lítio, usadas em um projeto que exigia sistemas próprios de controle, refrigeração e segurança.

A novidade ajudou a apresentar o carro elétrico como um produto de desempenho, além da proposta de substituir a gasolina. A Tesla já existia desde 2003 quando Musk entrou em seu conselho, em 2004; ele assumiu como presidente-executivo em outubro de 2008. O veículo foi desenvolvido por uma equipe, com componentes e participação de fornecedores.

2012: a Dragon leva uma nave comercial à estação espacial

Cápsula Dragon presa ao braço robótico da estação espacial com a Terra ao fundo

Dragon é capturada pelo braço robótico da Estação Espacial Internacional em 25 de maio de 2012. (NASA)

Em 25 de maio de 2012, a cápsula Dragon, da SpaceX, foi capturada pelo braço robótico da Estação Espacial Internacional e conectada ao laboratório orbital. Foi a primeira nave de uma empresa comercial a realizar esse encontro e conexão com a estação, segundo a Nasa.

A missão era de demonstração e transportava carga, não astronautas. O resultado abriu caminho para o serviço de abastecimento da estação em parceria com a agência americana. A inovação envolvia tanto a nave quanto um modelo em que a Nasa contratava transporte de uma empresa privada.

2012: Model S e Supercharger juntam carro elétrico e recarga

Tesla Model S em imagem de arquivo

Tesla Model S em imagem de arquivo. As primeiras entregas do sedã ocorreram em 2012. (Divulgação)

As primeiras entregas do Model S ocorreram em 22 de junho de 2012. O sedã ampliou a proposta iniciada pelo Roadster, com mais espaço e uma arquitetura projetada para a propulsão elétrica, incluindo a bateria instalada no assoalho.

Em setembro, a Tesla apresentou as seis primeiras estações da rede Supercharger. A combinação atacava um problema que ia além do carro: onde recarregar durante uma viagem. O carro e a rede de recarga passaram, assim, a fazer parte da mesma estratégia de expansão.

2015: Powerwall leva as baterias da Tesla para dentro de casa

Três baterias Powerwall expostas na parede durante apresentação

Baterias Powerwall da Tesla, em foto de arquivo. A primeira instalação do produto ocorreu em 2015. (Tim Rue/Bloomberg)

A Powerwall ampliou a atuação da Tesla para o armazenamento residencial de energia. Apresentada em 2015, a bateria permite guardar eletricidade para uso posterior, inclusive energia gerada por painéis solares.

A própria Tesla situa a primeira instalação em maio de 2015. A proposta aproxima geração, armazenamento e consumo: em vez de usar toda a eletricidade no momento em que ela é produzida, a casa pode recorrer à reserva em outro horário. A bateria também pode funcionar como reserva durante interrupções no fornecimento, conforme a configuração da instalação.

2015–2017: Falcon 9 pousa e volta a ser usado

Primeiro estágio do Falcon 9 pousa verticalmente com motor aceso

Primeiro estágio do Falcon 9 durante pouso, em imagem de arquivo. A recuperação abriu caminho para reutilizar o equipamento. (SpaceX/Divulgação)

Em 21 de dezembro de 2015, no horário da Flórida, a SpaceX pousou o primeiro estágio de um Falcon 9 após um lançamento que colocou satélites em órbita. Era a parte do foguete responsável pelo impulso inicial, não o veículo inteiro.

O passo seguinte veio em 30 de março de 2017, quando a empresa lançou novamente um primeiro estágio que já havia voado. Recuperar e reutilizar esse equipamento permitiu evitar a fabricação de um propulsor novo a cada missão. O Falcon 9, porém, não se tornou um foguete totalmente reutilizável: o segundo estágio não fazia parte dessa recuperação.

O salto do Falcon 9 veio em duas etapas: pousar o primeiro estágio em 2015 e lançá-lo novamente em 2017.

2020: Crew Dragon passa a transportar astronautas

Foguete Falcon 9 e Crew Dragon na plataforma ao anoitecer

Falcon 9 com a Crew Dragon na plataforma em maio de 2020, antes da missão Demo-2. (Steve Nesius/Reuters)

Em 30 de maio de 2020, a missão Demo-2 levou os astronautas Robert Behnken e Douglas Hurley ao espaço a bordo da Crew Dragon. A versão para tripulação acrescentava uma nova responsabilidade à experiência da SpaceX com transporte de carga.

A missão de teste fez parte do programa comercial de tripulações da Nasa e marcou a retomada dos lançamentos de astronautas de solo americano após o fim dos ônibus espaciais, em 2011. A parceria com a agência passou a incluir o transporte de pessoas, além do abastecimento da estação.

2020: Starlink abre sua internet por satélite a usuários de teste

Kit Starlink com antena circular, suporte e equipamentos de conexão

Kit da Starlink em imagem de divulgação de 2021, após a ampliação dos testes públicos do serviço em 2020. (Starlink/Divulgação)

Em outubro de 2020, a Starlink, serviço da SpaceX, ampliou os testes públicos de internet por satélite nos Estados Unidos. Os participantes pagavam pelo equipamento e pela conexão, ainda apresentada como uma versão de teste, ou beta.

A rede usa satélites em órbita baixa e uma antena do usuário para oferecer acesso à internet, inclusive em locais difíceis de atender por infraestrutura terrestre. O serviço passou a operar no Brasil em 2022. Sua evolução inclui a discussão sobre conexão com celulares e o mercado brasileiro de telefonia, uma frente distinta do acesso por antena residencial.

2021: o Loop leva carros a túneis de transporte em Las Vegas

Carro Tesla em túnel de demonstração da Boring Company iluminado em verde

Túnel de demonstração da The Boring Company em Hawthorne, em 2018. O registro antecede o LVCC Loop de Las Vegas, aberto em 2021. (Robyn Beck/Reuters)

A The Boring Company colocou em operação o LVCC Loop, no centro de convenções de Las Vegas, em 2021. Segundo a empresa, o sistema abriu em abril, durante um evento de leilão de motocicletas.

O projeto conectou áreas do complexo com carros que circulam por túneis. A proposta era encurtar o deslocamento entre pavilhões sem disputar espaço com o trânsito da superfície. Diferentemente do Hyperloop, o Loop utiliza veículos sobre pneus, em vez de cápsulas em tubos de baixa pressão.

2023: Grok coloca a xAI na disputa dos assistentes de IA

Tela de smartphone mostra o logotipo do Grok

Grok em imagem ilustrativa de arquivo de 2025. O assistente foi apresentado pela xAI em novembro de 2023. (Getty Images)

A xAI apresentou o Grok em novembro de 2023, inicialmente como uma versão de teste oferecida a um grupo limitado de usuários nos Estados Unidos. A empresa destacou o acesso a informações da rede social X como uma das características do assistente.

O produto marcou a entrada da companhia nos modelos de linguagem capazes de conversar e produzir respostas a comandos. A própria apresentação reconhecia que o sistema poderia gerar informações falsas ou contraditórias. A evolução dos recursos e das formas de acesso ao Grok não transforma suas respostas em informação automaticamente verificada.

2024: Neuralink faz seu primeiro implante cerebral em uma pessoa

Esquema em quatro etapas de implantação apresentado pela Neuralink

Esquema apresentado pela Neuralink em 2020, anterior ao primeiro implante humano realizado pela empresa em 2024. (Neuralink/YouTube/Reprodução)

Em janeiro de 2024, a Neuralink realizou seu primeiro implante em um participante humano, Noland Arbaugh. O dispositivo registra sinais neurais e os transmite sem fio a um sistema capaz de convertê-los em comandos para um computador.

O avanço ocorreu no estudo clínico PRIME. O objetivo era avaliar uma interface que ajudasse pessoas com paralisia a controlar dispositivos digitais. A empresa depois anunciou metas de automação de etapas da cirurgia. O primeiro implante, porém, fazia parte de pesquisa clínica, sem representar liberação do aparelho para venda ao público.

2024: braços da torre capturam o Super Heavy

Propulsor Super Heavy próximo aos braços da torre de lançamento

Super Heavy se aproxima da torre antes da captura no quinto teste do Starship, em 13 de outubro de 2024. (SpaceX / Handout/Anadolu via Getty Images)

No quinto teste integrado do Starship, em 13 de outubro de 2024, a SpaceX recuperou o propulsor Super Heavy com os braços da torre de lançamento. O equipamento retornou ao local de onde havia partido e foi segurado pela estrutura.

A manobra testou uma alternativa às pernas de pouso usadas pelo Falcon 9. Foi um passo no desenvolvimento de um sistema concebido para reutilização, mas aquele voo não demonstrou a recuperação e o novo lançamento do conjunto inteiro. O Super Heavy é o primeiro estágio; a nave Starship constitui a parte superior.

2026: o novo Roadster acrescenta propulsores ao esportivo

Vista frontal do novo Roadster claro em fundo escuro

Novo Roadster apresentado em outubro de 2026: algumas configurações acrescentam propulsores ao esportivo. (Tesla/Divulgação)

A apresentação de 15 de outubro de 2026 retomou o projeto da nova geração do Roadster, mostrado originalmente em 2017. A Tesla passou a apresentar três configurações: Performance, Thrust e Rocket.

Segundo a fabricante, a Performance combina aerodinâmica ativa e sucção para aumentar a aderência; a Thrust acrescenta propulsores traseiros de gás frio. A Rocket tem um assento e propulsores para movimentos em diferentes direções, mas traz uma ressalva expressa: não é aprovada para uso em vias públicas.

A apresentação aproximou o esportivo das tecnologias de propulsão associadas à SpaceX. Mas o próximo passo comercial ainda estava em aberto: nas páginas consultadas, a Tesla não informava calendário de produção e entregas nem lançamento dessas versões no Brasil.


AutorAndré Lopes
FonteExame
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