Do Sul a São Paulo: parceria entre hubs de inovação conecta empresas e abre caminho para a China
Acordo entre Instituto Caldeira e inovabra prevê acesso cruzado a programas, desafios corporativos, eventos e uma missão empresarial para Hong Kong e Shenzhen em 2027.

O Instituto Caldeira, de Porto Alegre, e o inovabra, de São Paulo, anunciaram uma parceria estratégica durante a Semana Caldeira 2026, evento realizado entre 21 e 25 de setembro na capital gaúcha. A iniciativa conecta dois ecossistemas de inovação de diferentes regiões do país com o objetivo de ampliar oportunidades de negócios, aproximar startups de grandes empresas e criar programas conjuntos.
O Instituto Caldeira reúne mais de 550 empresas e instituições, 135 empresas residentes, mais de 300 startups aceleradas e circulação anual superior a 300 mil pessoas. O inovabra soma cerca de 600 startups que passaram por seu ambiente físico em São Paulo, mais de mil negócios gerados entre integrantes da comunidade e aproximadamente 250 desafios estratégicos do Bradesco endereçados ao ecossistema.
A parceria ocorre em um momento de transformação do inovabra, que revisa seu modelo de atuação para ampliar a geração de valor para startups, corporações e parceiros. O ecossistema passa a se posicionar como uma plataforma de orquestração de negócios em tecnologia e inovação, com foco em conectar diferentes participantes em torno de desafios específicos.
“Hoje a gente tem uma comunidade super ativa, com cerca de 270 startups ativas, além das startups que já passaram pelo ecossistema e eventualmente cresceram. A gente tem também aproximadamente 40 corporações que são clientes do banco e fazem projetos de inovação”, afirma Paulo Emediato, Head de Growth e Comunicação do inovabra.
Paulo Emediato, Head de Growth e Comunicação do inovabra: novo modelo amplia atuação do ecossistema como plataforma de conexão entre desafios e soluções de inovação (inovabra/Divulgação)
Como os dois ecossistemas vão trabalhar juntos
Na prática, a parceria prevê acesso recíproco às comunidades, plataformas digitais, programas e eventos. Startups, scale-ups, empresas e centros de pesquisa ligados ao Instituto Caldeira poderão se conectar a demandas estratégicas do Bradesco e do inovabra - enquanto membros do inovabra terão acesso às iniciativas e oportunidades geradas pelo ecossistema gaúcho.
Segundo Emediato, a proposta é ampliar as conexões entre empresas e startups dos dois ambientes.
“A gente está fazendo essa conexão. Muito provavelmente vai ter programas conectados em que a gente traz desafios corporativos e consegue expandir não só para as startups que eu tenho embarcadas, mas também para as startups do Caldeira”, afirma.
Além dos programas conjuntos, os participantes poderão acessar iniciativas dos dois ecossistemas. “A primeira coisa é a presença mútua nos eventos. A segunda coisa é a possibilidade de startups que são membros daqui acessarem a plataforma do inovabra para desafios, espaços de trabalho, encontros, reuniões, eventos e programas, e vice-versa”, diz Emediato.
O acordo será apresentado durante a Semana Caldeira 2026, que reúne empresas, startups, investidores e representantes de ecossistemas de inovação. O inovabra participa do evento com atividades como happy hour, brunch para convidados e painéis com executivos ligados ao ecossistema.
Para Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira, a conexão com outros centros de inovação faz parte da estratégia do instituto desde sua criação.
“O Caldeira nasceu sempre com esse intuito de que, se a gente não tiver conectado com o que tem de mais legal pelo Brasil e pelo mundo, não rola. Então a gente vem nesse trabalho de intersecção e conexão com diferentes hubs”, afirma.
Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira: parceria cria canais permanentes de conexão entre empreendedores, empresas e ecossistemas de inovação (Leandro Fonseca/Exame)
Valério cita a aproximação com outros ecossistemas brasileiros e internacionais como parte da estratégia do instituto.
“A gente é de uma corrente que não acredita na escassez e acredita na abundância. Poder estar conectado com o inovabra, com o Cubo, com o Porto Digital, com a Acate e com tanta gente que está fazendo inovação e transformação no Brasil é maravilhoso”, diz.
Como o novo modelo do inovabra muda a relação com startups e empresas
A parceria com o Instituto Caldeira acontece junto com uma mudança no modelo de negócio do inovabra. Segundo Emediato, o movimento acompanha uma transformação na forma como empresas passaram a utilizar ambientes de inovação.
“Nos últimos 10 anos, 15 anos, em que as práticas de inovação corporativa se desenvolveram no Brasil, o modelo de negócio sempre esteve muito atrelado à gestão de um espaço físico, à venda desse espaço físico, de uma cadeira de trabalho, de um modelo de coworking”, afirma.
O executivo explica que o novo modelo busca reduzir a dependência da ocupação física e ampliar a oferta de programas, conexões e soluções estruturadas.
“A palavra-chave dessa atuação é orquestração. Mais do que ter startups, corporações, consultorias, fundos e promover eventos, o que a gente quer é olhar para a orquestração de um negócio mais intencional”, afirma.
O novo formato prevê uma utilização mais flexível dos espaços e programas do ecossistema. O inovabra informou que o novo modelo deixa de operar a partir de posições de trabalho ou escritórios residentes e passa a utilizar os espaços conforme as atividades previstas.
Como a parceria pode ajudar startups fora de São Paulo
Um dos objetivos da conexão entre os dois ecossistemas é ampliar o acesso de startups gaúchas ao mercado paulista e aproximar empresas de São Paulo de oportunidades no Sul.
Segundo Emediato, startups que buscam escala nacional costumam enfrentar o desafio de acessar o mercado de São Paulo.
“A startup que busca crescimento em escala no Brasil sempre vai ter um desafio de tracionar no mercado de São Paulo. Então a gente tem olhado, dentro desse novo modelo de negócio, como pode potencializar e desenhar um programa de growth para startups que não estão em São Paulo dentro de São Paulo”, afirma.
O Instituto Caldeira também vê a parceria como uma forma de criar canais permanentes para conexões entre empreendedores e empresas.
“Se tem empreendedor aqui, empresário que pode ter valor gerado nessa conexão com o inovabra, para a gente é maravilhoso. A gente quer realmente criar aqui canais permanentes de acesso para essa comunidade”, afirma Valério.
Como será a Missão China 2027
Entre as primeiras iniciativas anunciadas está a Missão China 2027, que será realizada entre 22 e 29 de maio de 2027. O programa levará lideranças brasileiras para uma imersão em Hong Kong e Shenzhen, com visitas técnicas e reuniões com empresas, instituições financeiras, universidades e organizações de tecnologia.
Segundo Emediato, a escolha das cidades está ligada à concentração de empresas e centros de desenvolvimento tecnológico.
“A gente não vai fazer Pequim e Xangai. A gente vai estar focado em Shenzhen e Hong Kong, que também conecta bastante com a presença do presidente e tem uma força grande de financial market em Hong Kong”, afirma.
A iniciativa faz parte do portfólio conjunto de oportunidades oferecidas aos membros das duas organizações e terá condições especiais para participantes das comunidades do inovabra e do Instituto Caldeira.
