Doença de Newcastle derruba ações da MBRF, dona da Sadia; o que dizem os bancos
JP Morgan vê efeito limitado nas vendas; Itaú BBA alerta para pressão em margens

As ações da MBRF (MBRF3), dona das marcas Sadia e Perdigão, lideram as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira, 22, com queda de mais de 6%, em meio à preocupação com os efeitos do novo foco da doença de Newcastle sobre as exportações brasileiras de carne de aves.
O movimento ocorre no dia em que entrou em vigor a portaria do Ministério da Agricultura que declara emergência zoossanitária em quatro municípios de Santa Catarina, após a confirmação da doença em uma granja comercial de perus.
Às 15h39,os papéis da MBRF recuavam 6,38%, a R$ 17,61. As ações da Minerva (BEEF3) caíam 1,17%, enquanto os BDRs da JBS recuavam 0,88%. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, perdia 1,05%, aos 204.317 pontos.
A emergência zoossanitária tem validade de 60 dias e abrange Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, no oeste catarinense. A medida, anunciada na terça, 20, foi estabelecida em portaria do Ministério da Agricultura, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), com vigência a partir desta quinta.
O foco da doença foi confirmado na segunda-feira, 19, em uma criação comercial com cerca de 6 mil aves. O estabelecimento foi interditado, e o Ministério da Agricultura determinou a eliminação das aves, além da restrição à movimentação de animais na região afetada.
Bancos veem impacto limitado, mas restrições preocupam
Apesar da pressão sobre as ações, o JP Morgan avalia que os efeitos do novo foco sobre as vendas da MBRF e da JBS devem ser limitados, caso não haja um surto de maior escala. Segundo o banco, Santa Catarina responde por cerca de 10% a 20% das exportações de carne de frango das duas companhias.
Em relatório, a instituição destaca que a adoção de restrições sanitárias regionalizadas por parte de países importadores pode reduzir os efeitos comerciais do episódio, em comparação com bloqueios nacionais ou estaduais mais abrangentes.
O banco também lembra que, duranteo surto anterior de Newcastle no Brasil, em julho de 2024, as exportações brasileiras de carne de frango recuaram cerca de 100 mil toneladas no mês em que as restrições vigoraram, mas se recuperaram na sequência. Na ocasião, os resultados operacionais da JBS e da então BRF não sofreram impacto material.
O Itaú BBA, por sua vez, alerta que as restrições sanitárias podem pressionar as margens das operações de frango nos próximos trimestres, especialmente diante da alta dos preços dos grãos utilizados na alimentação das aves.
A dimensão dos efeitos sobre as companhias dependerá da evolução do controle sanitário e das decisões dos países importadores sobre as restrições às compras de produtos avícolas brasileiros.
