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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
07/06/2026
6 min

Dois anos após enchente, hub gaúcho de inovação dá a volta por cima e investe R$ 120 mi em expansão

Dois anos após enchente, hub gaúcho de inovação dá a volta por cima e investe R$ 120 mi em expansão

Dois anos após ter sido atingido pela enchente que devastou Porto Alegre, o Instituto Caldeira vive um momento que seus próprios executivos classificam como o mais forte desde a criação do hub de inovação.

O espaço, que teve a sua estrutura inundada em maio de 2024, voltou a operar, ampliou a comunidade de empresas e agora avança em um plano de expansão física e de conexão internacional

Localizado no Quarto Distrito, antiga região industrial da capital gaúcha que vem sendo transformada em um polo de inovação e economia criativa, o Caldeirareúne hoje 570 empresas vinculadas à comunidade, sendo cerca de 130 com escritórios dentro do complexo. Uma obra de expansão em andamento deve levar o espaço a aproximadamente 180 empresas residentes até o fim do ano. 

O projeto de modernização da estrutura envolve um investimento estimado em R$ 120 milhões ao longo de cinco anos, segundo o presidente do instituto, Pedro Valério. A ampliação faz parte de uma estratégia para consolidar o Caldeira como uma infraestrutura de desenvolvimento econômico, tecnologia e formação de talentos no Rio Grande do Sul. 

“A gente fez de um limão uma limonada. A rede empresarial, os empreendedores, a turma toda vinculada ao instituto cobrou essa aposta e falou: o instituto precisa, de alguma maneira, se perpetuar dentro dessa visão de futuro para o Rio Grande do Sul”, afirma Valério.

Da enchente à expansão para abrigar mais empresas

Em maio de 2024, a água tomou todo o térreo do Caldeira, em um dos episódios mais marcantes da enchente que atingiu Porto Alegre. O espaço precisou passar por uma profunda limpeza e reconstrução antes de voltar a operar.

Para Valério, o impacto acabou acelerando uma transformação que já vinha sendo construída pelo instituto. Após a enchente, o Caldeira passou a receber mais atenção de empresas, organizações e hubs internacionais interessados em acompanhar a reconstrução do ecossistema gaúcho.

O crescimento da comunidade levou o Caldeira a avançar na ocupação de novos espaços. O primeiro prédio do complexo, instalado na antiga fábrica das Lojas Renner, tem 22 mil metros quadrados. Já o novo prédio da antiga fábrica Guahyba soma outros 33 mil metros quadrados.

A nova estrutura já recebeu iniciativas como o laboratório global da Dell Technologies voltado a aplicações de inteligência artificial e design digital, desenvolvido em parceria com o Instituto Eldorado.

A expectativa é que, até o fim do ano, o novo prédio receba cerca de 50 empresas, levando o total de companhias com escritórios físicos no complexo para aproximadamente 180.

“Isso vai dando cada vez mais corpo e massa crítica para a constituição do ecossistema como um todo”, diz Valério.

Além da reforma da área já existente, o instituto trabalha com uma visão mais ampla de desenvolvimento urbano do entorno.

O chamado "Setor Caldeira" envolve uma área de 180 mil metros quadrados no Quarto Distrito, com a intenção de concentrar empresas, startups, instituições de ensino e projetos ligados à nova economia.

Antiga fábrica de tecidos da Guahyba será revitalizada: espaço ganhará novos usos ligados à tecnologia e inovação (Instituto Caldeira/Divulgação)

O Caldeira como ponte com o mundo

A enchente também marcou uma mudança na estratégia de relacionamento internacional do instituto. Nos últimos meses, o Caldeira ampliou conexões com empresas, hubs de inovação e organizações de desenvolvimento em outros países.

“No final das contas, a gente tem olhado tudo isso como um grande momento de oportunidade, onde a gente funciona como essa ponte entre o mundo e o Rio Grande do Sul", diz Valério.

Recentemente, o instituto realizou uma imersão em Nova York e participou de uma missão à China com uma comitiva de 27 empresários gaúchos. Durante a viagem, fechou acordos de cooperação com três hubs chineses ligados a tecnologia, startups e economia criativa.

“A gente tem funcionado como essa ponte entre o mundo e o Rio Grande do Sul e o Brasil como um todo”, afirma Valério.

A estratégia é aproximar empresas gaúchas de parceiros globais e acompanhar transformações tecnológicas em áreas como inteligência artificial, robótica e manufatura avançada.

Um dos temas estudados pelo instituto é o crescimento das chamadas empresas de uma pessoa só, impulsionadas pelo uso de inteligência artificial.

“Com as ferramentas que a gente tem hoje, esse número de novos empreendedores vai se tornar exponencial”, diz.

Formação de talentos para a nova economia

Outra frente de atuação do Caldeira é a formação profissional. O principal programa nessa área é o Geração Caldeira, iniciativa voltada à capacitação de jovens para oportunidades no mercado de tecnologia.

Segundo Valério, o programa já recebeu 35 mil inscritos e capacitou 15 mil jovens em etapas online. Na fase presencial, os participantes passam por uma formação de seis meses e podem ser conectados às empresas da rede.

Ao longo dos últimos anos, centenas de jovens foram contratados por empresas ligadas ao ecossistema do instituto.

“Em última instância, a gente também está construindo a economia do Rio Grande do Sul do amanhã”, afirma.

O programa também passou a atrair participantes de fora do estado, com jovens de diferentes regiões do país buscando oportunidades de formação e entrada no mercado de tecnologia.

O desafio urbano depois da enchente

A expansão do Caldeira também está ligada à transformação do Quarto Distrito, região que concentra antigos galpões industriais e vem passando por um processo de revitalização.

Depois da enchente, o tema da infraestrutura urbana ganhou ainda mais relevância na comunidade. O instituto passou a trabalhar em projetos ligados à segurança hídrica, adaptação climática e regeneração urbana.

O Caldeira participa de iniciativas com organizações nacionais e internacionais para desenvolver soluções que possam ser aplicadas não apenas na região, mas em outras áreas afetadas por eventos climáticos.

“Aquilo que era um problema local virou uma questão global. Hoje temos empresas do mundo todo olhando para nós”, afirma Valério.

A previsão é que o complexo esteja totalmente ampliado e ocupado até 2030. Segundo o executivo, a demanda por novos espaços já supera a oferta, mas o crescimento seguirá conforme a capacidade de investimento e execução do projeto.

“O desafio é não acelerar demasiadamente e respeitar que a gente ainda enfrenta nossos desafios internos de recuperação das enchentes”, diz.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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