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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
20/08/2026
2 min

Dólar a R$ 5,50? A previsão do JP Morgan em um cenário eleitoral 'ruim para o mercado'

Banco reconhece que o real se mostrou mais resiliente ao ruído político neste ano do que em ciclos anteriores

Dólar a R$ 5,50? A previsão do JP Morgan em um cenário eleitoral 'ruim para o mercado'

O JP Morgan projeta o dólar a R$ 5,50 caso a corrida presidencial de 2026 caminhe para um desfecho considerado adverso pelo mercado, segundo relatório enviado a clientes. No cenário oposto, mais otimista sob a ótica dos investidores, o banco americano vê a moeda a R$ 4,90. A leitura chega com o real cotado ao redor de R$ 5,17 nesta quarta-feira.

Para o banco, o real negocia hoje muito próximo de seus fundamentos, sem o prêmio de risco que costuma proteger a moeda diante de sobressaltos É uma ausência de "gordura" que, combinada a um posicionamento comprado que o banco classifica como excessivo, deixa o câmbio em posição frágil às vésperas do calendário eleitoral.

Ainda assim, a instituição reconhece que o real se mostrou mais resiliente ao ruído político neste ano do que em ciclos anteriores.

O forte apetite por carry trade, estratégia que se beneficia do diferencial de juros elevado do Brasil, tem sustentado a moeda mesmo com o início formal da disputa. Nas últimas semanas, o dólar chegou a engatar cinco sessões consecutivas de alta e voltar a se aproximar de R$ 5,25, movimento que analistas ouvidos pela EXAME atribuíram mais à volatilidade eleitoral do que a uma tendência linear de valorização.

O JP Morgan enxerga assimetria entre os mercados de câmbio e de juros na precificação do pleito. No câmbio, os preços embutem uma probabilidade um pouco maior de desfecho positivo para o mercado, na casa de 50%. Já a curva de juros trabalha com chance maior de resultado negativo, em torno de 65%.

Nas pesquisas de segundo turno, o levantamento citado pelo banco aponta vantagem média de 3,5 pontos percentuais de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).

A dinâmica fiscal segue como a principal fonte de preocupação do JP Morgan, e a reação do mercado dependerá dos planos apresentados pelos candidatos. Num cenário otimista, o banco vê espaço para um rali de 160 pontos-base na curva, com achatamento e juros ao redor de 13%. Para o mercado de juros reais, a recomendação permanece "neutra".

A projeção do JP Morgan se soma à de outras casas que já mapearam o câmbio para o ano eleitoral. Gestoras e bancos globais traçaram cenários que iam de R$ 5,20 a R$ 5,60 conforme o resultado das urnas.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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