Dólar a R$ 6 entra no radar após vitória de Lula, mas depende de um fator, segundo Morgan Stanley
O dólar pode chegar a R$ 6 caso não haja uma sinalização de ajuste nas contas públicas nas próximas semanas, na avaliação do Morgan Stanley. Esse, porém, ainda não é o cenário-base do banco. Em relatório a clientes divulgado nesta segunda-feira (26), dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o […]

O dólar pode chegar a R$ 6 caso não haja uma sinalização de ajuste nas contas públicas nas próximas semanas, na avaliação do Morgan Stanley. Esse, porém, ainda não é o cenário-base do banco.
Em relatório a clientes divulgado nesta segunda-feira (26), dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o banco considera que, na ausência de ajustes, os investidores devem incorporar riscos de dominância fiscal aos preços dos ativos – levando o câmbio para os níveis de janeiro de 2025.
Em linhas gerais, a dominância fiscal ocorre quando a inflação e as expectativas de inflação passam a responder mais à política fiscal do que à política monetária. Na prática, esse quadro pode reduzir a eficácia dos juros elevados no controle da inflação e comprometer a capacidade do Banco Central de estabilizar os preços.
Nesse cenário, as taxas dos Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 alcançariam 16,50%, e os títulos prefixados do Tesouro Nacional (NTN-Fs) com vencimento em 2037 poderiam oferecer taxas de 18%.
“Os preços de mercado começariam a incorporar altas de juros, e uma intervenção do Banco Central do Brasil (BCB) para estabilizar o real se tornaria mais provável”, avaliam as estrategistas Ioana Zamfir e Sofia Palacios.
A dupla, porém, não espera que o mercado passe diretamente a precificar um cenário de dominância fiscal no curto prazo. “Os ativos brasileiros só precificaram esse cenário em duas ocasiões nos últimos 20 anos, o que indica que a barreira para sua materialização não é tão baixa quanto alguns participantes do mercado podem imaginar”, afirmam.
Dólar a R$ 6 é cenário mais pessimista
Para as estrategistas, a forte valorização do dólar para o nível de R$ 6 está condicionada a etapas de deterioração das expectativas fiscais.
No primeiro cenário, o câmbio testaria a marca de R$ 5,50, com a reversão da queda dos prêmios de risco fiscal observada após o primeiro turno, quando o mercado precificava uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), considerado mais alinhado às perspectivas do mercado.
Isso, porém, já é observado nesta segunda-feira, com os investidores reajustando posições após a recondução de Lula para o quarto mandato. Na máxima intradia, o dólar foi cotado a R$ 5,6049 (+12,25%).
Já a segunda etapa envolve a incorporação de um maior prêmio fiscal aos preços dos ativos, levando o dólar para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70 e uma correção adicional de aproximadamente 100 pontos-base nas taxas locais, que resultaria em contratos de DI com vencimento em janeiro de 2029 a 15,50%.
Esse também é o cenário-base do banco. “Observamos que a sazonalidade negativa do real em novembro e dezembro, decorrente de saídas de recursos de empresas e pagamentos de dividendos, pode intensificar a desvalorização da moeda”, avaliam as estrategistas.
“Também acreditamos que, nesses níveis, os participantes do mercado poderiam começar a apostar na reversão da tendência de queda dos ativos, especialmente se o novo governo começar a assumir compromissos com a consolidação fiscal nas próximas semanas.”
Já o dólar a R$ 6, no cenário mais pessimista, seria uma ‘terceira etapa’ de valorização do câmbio com a ausência de sinalizações de ajustes fiscais.
