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InvestMercados
26/10/2026
5 min

Dólar abre em alta de mais de 8% após reeleição de Lula e fica acima de R$ 5,40

Resultado contrariou a aposta do mercado na troca de governo; especialistas veem a moeda americana de volta à faixa de R$ 5,20 a R$ 5,30

Dólar abre em alta de mais de 8% após reeleição de Lula e fica acima de R$ 5,40

O dólar abriu em alta de 8,65% nesta segunda-feira, 26, cotado a R$ 5,425 no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento inverte a reação vista depois do primeiro turno, quando a moeda americanarecuou mais de 4% em um único dia com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A vitória do petista contrariou a expectativa predominante entre os investidores, que vinham apostando em uma mudança de governo. Agora, o mercado deve desmontar parte das posições construídas nas últimas semanas, o que pressiona também os juros futuros e a bolsa.

Especialistas ouvidos pela EXAME projetam que odólar pode voltar rapidamente à faixa de R$ 5,20 a R$ 5,30. Em um horizonte mais longo, há espaço para a moeda chegar a R$ 5,40, a depender da condução da política econômica no novo mandato.

Com 99,99% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. A diferença de 3,58 pontos percentuais garantiu ao petista o quarto mandato presidencial, que vai até dezembro de 2030.

O resultado inverteu a ordem do primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, com 47,1% dos votos válidos, contra 45,1% de Lula, em um placar que contrariou a maior parte das pesquisas.

Naquela rodada, o candidato do PL superou em mais de quatro pontos percentuais a média das pesquisas acompanhadas pelo Goldman Sachs, e venceu nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O banco passou a atribuir a ele uma leve vantagem para o segundo turno, embora considerasse a disputa aberta.

Do tombo de 4% à pressão de alta

O câmbio reagiu de imediato à liderança de Flávio. Em 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno, o dólar caiu 4,12%, a R$ 5,00, na maior queda diária em cerca de oito anos. No dia seguinte, fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio.

Ao longo da campanha, a moeda americana funcionou como um termômetro das pesquisas. A cada mudança na vantagem atribuída a um dos candidatos, os investidores recalibravam as apostas sobre o resultado e sobre o risco dos ativos brasileiros.

Depois do primeiro turno, o JP Morganchegou a projetar que o dólar testaria o patamar de R$ 5,00 e poderia recuar para R$ 4,95 ou até R$ 4,80 nas semanas seguintes. A reeleição de Lula tira essa trajetória do cenário principal.

A principal preocupação dos investidores é a trajetória das contas públicas. O mercado trabalhava com a possibilidade de uma política fiscal mais restritiva, com maior controle de despesas e medidas para conter o crescimento da dívida.

Com a reeleição, a expectativa passa a ser de continuidade de uma política econômica com maior participação do Estado e de um ajuste fiscal potencialmente mais moderado.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avalia que o resultado pode reverter parte do otimismo registrado após o primeiro turno. Ele ressalta, porém, que a concessão de benefícios à população não é, por si só, um problema para as contas públicas. A preocupação está na ausência de medidas que compensem financeiramente novas despesas.

Mas o estrategista lembra que o primeiro movimento do mercado não necessariamente indica a trajetória dos meses seguintes. Em 2022, apesar das preocupações dos investidores com a volta do petista ao poder, o dólar caiu 2,55% no primeiro pregão após o segundo turno, a R$ 5,1654.

Qual a diferença do dólar comercial para o dólar turismo?

O dólar comercial trata-se de milhares de dólares em transação no mercado de câmbio. Isso computa exportações, importações, transferências financeiras milionárias e que normalmente são feitas por grandes empresas e bancos.

Já o dólar turismo é comprado por pessoas físicas, normalmente em casas de câmbio, em menores quantidades para viagens ou até passado no cartão de crédito.

Por que o dólar turismo é mais caro?

A cotação do dólar turismo é mais cara, pois são compras muito menores do câmbio, ao contrário das transações feitas por grandes empresas e instituições. Logo, seu custo operacional com transporte de notas e taxa de corretoras ficam mais alto.

Por que o dólar cai?

O preço em relação ao real é calculado em função da disponibilidade de dólares no mercado brasileiro. Quando há uma grande quantidade de moeda norte-americana no país, a tendência é que o preço dela caia em relação ao real, já a baixa disponibilidade da moeda, por outro lado, faz com que o câmbio norte-americano se valorize em relação a nossa moeda.

O Banco Central também tem o poder intervir na cotação. Quando a moeda americana dispara, é comum que o órgão use parte de sua reserva para injetar dólares na economia. Com mais disponibilidade, a cotação da moeda americana tende a cair.

Quais os impactos da queda do dólar?

A queda do dólar frente ao real traz impactos significativos para a economia brasileira. Entre os principais efeitos estão:

  • Exportações: Com um real mais valorizado, as exportações brasileiras tornam-se mais competitivas, impulsionando o setor e favorecendo a balança comercial.
  • Inflação: Uma cotação do dólar mais baixa pode ajudar a conter a inflação, uma vez que reduz o custo de importação de produtos.
  • Investimentos estrangeiros: Um real mais forte pode atrair investimentos estrangeiros para o país, impulsionando a economia e estimulando o crescimento de diversos setores.
AutorLetícia Furlan
FonteExame
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