Dólar cai e vai a R$ 5,18, mas fecha agosto em alta de 2,17% frente ao real
Dia foi marcado pela repercussão de novas pesquisas eleitorais e pelo avanço do petróleo no mercado internacional

O dólar à vista fechou a sessão desta segunda-feira, 31, em queda, em um dia marcado pela repercussão de novas pesquisas eleitorais e pelo avanço do petróleo no mercado internacional. Apesar do recuo no último pregão do mês, a moeda americana encerrou agosto em alta ante o real.
O dólar à vista caiu 0,31% nesta segunda, a R$ 5,180, após oscilar entre R$ 5,161 e R$ 5,189. No acumulado de agosto, porém, a moeda americana avançou 2,17%.
No cenário doméstico, os investidores acompanharam umabateria de novas pesquisas eleitorais. Algumas delas mostraram uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), movimento que animou os traders.
A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta segunda, por exemplo, mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto contra 42,6% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. Na comparação com a pesquisa de julho, o petista caiu 1,6 ponto enquanto o senador do PL teve uma leve oscilação negativa de 0,3 ponto. A diferença entre os dois caiu de 6,3 pontos para 4,5 pontos percentuais.
O petróleo também esteve no radar dos investidores, em meio à renovação das tensões geopolíticas no Oriente Médio após a troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. A alta da commodity também ajudou a sustentar o desempenho das ações da Petrobras e contribuiu para a alta do Ibovespa na sessão.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o avanço do petróleo aumenta a atenção dos mercados para os riscos de oferta provocados pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
"O movimento do petróleo adiciona uma variável importante para os ativos brasileiros, principalmente diante dos impactos que uma eventual restrição de oferta pode provocar nos preços internacionais da commodity", afirma.
No exterior,o ambiente foi de maior aversão ao risco. Os principais índices de Wall Street — Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq — operaram em queda ao longo do dia. Além das tensões geopolíticas, os investidores também monitoraram as incertezas sobre a condução da política monetária do Federal Reserve e a resiliência da inflação americana.
Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o encerramento de agosto deixa três temas centrais para os mercados brasileiros no início de setembro: política fiscal, eleições e juros.
"O fechamento de agosto deixa, portanto, três vetores importantes para o mercado brasileiro no início de setembro: fiscal, política e juros", afirma. Segundo ele, a apresentação do Orçamento de 2027 e os dados domésticos devem ajudar a calibrar as expectativas para a Selic, enquanto a disputa eleitoral tende a ganhar cada vez mais espaço na formação dos preços.
No exterior, Praça aponta que o payroll, o comportamento do petróleo e a possibilidade de um novo aperto monetário pelo Federal Reserve estarão entre os principais fatores de influência sobre os ativos brasileiros.
Petróleo avança após EUA e Irã retomarem ataques
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, após Estados Unidos e Irã trocarem ataques novamente depois de um mês, elevando as tensões no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos responderão à retaliação de Teerã.
Apesar da escalada, uma reportagem da Axios mostrou que orepublicano planeja realizar ataques limitados contra o Irã no Estreito de Ormuz, com o objetivo de impedir que Teerã reconstrua sua capacidade de reação na região.
No fechamento, o contrato do Brent para novembro avançou 2,71%, a US$ 90,49 por barril, na ICE. Já o WTI para outubro teve alta de 2,83%, a US$ 85,76 por barril, na Nymex.