Dólar chega a maior nível global em 13 meses e bate R$ 5,20 no Brasil

O dólar comercial avança nesta quarta-feira, 24, e operarava a R$ 5,20 por volta das 9 horas (horário de Brasília), com alta de 0,30%. No mercado futuro, a moeda sobe na mesma direção, a R$ 5,20, com ganho de 0,31%, em meio a expectativas de que o Federal Reserve (Fed) volte a subir os juros.
O movimento de valorização da moeda americana é global. Já no mercado de ações, o Ibovespa futuro cai 0,44%, a 174,1 mil pontos, enquanto os juros futuros abrem em queda no Brasil.
O pano de fundo externo explica boa parte da pressão sobre o real. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas como euro e iene, atingiu 101,635 pontos hoje, o nível mais alto desde 13 de maio de 2025.
Aversão ao risco global
A alta reflete uma onda de aversão ao risco global, puxada por vendas generalizadas em ações de tecnologia e semicondutores, setores que vinham acumulando ganhos expressivos e agora enfrentam uma onda de realização de lucros, de acordo com dados divulgados pela imprensa internacional.
O movimento derrubou bolsas ao redor do mundo e reforçou a demanda por ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries; além de que o mercado passou a precificar uma probabilidade de 37% de alta de 0,25 ponto percentual nos juros do Fed em julho.
Para setembro, a chance de aperto subiu de 29,1% para 70%, segundo informações da CME FedWatch. O tom mais duro adotado por dirigentes do banco central estadunidense nas últimas semanas alimentou essa revisão nas expectativas.
O chefe de estratégia cambial do National Australia Bank, Ray Attrill, pontuou, em fala repercutida pela Reuters, que o dólar segue como o principal ativo de proteção no momento. "Obviamente, o momento joga a seu favor no momento, mas acredito que muita coisa já está precificada", disse.
"Precisaremos ver uma correção no sentimento de risco — uma que seja mais ampla, e não restrita apenas ao setor de tecnologia — ou o mercado elevando ainda mais suas expectativas de aumento de juros, antes que o dólar possa subir muito mais a partir deste patamar", acrescentou.
Tensão geopolítica
As negociações entre EUA e Irã esbarram em questões nucleares e no controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do fluxo global de petróleo. Especialistas veem que as dúvidas sobre a viabilidade do acordo entre os dois países adicionam uma camada extra de incerteza e sustentam os patamares da moeda.
O Senado dos EUA aprovou na última terça-feira, 23, uma medida que exigiria do presidente Donald Trump a aprovação do Congresso antes de qualquer ação militar contra o Irã. A iniciativa, sem força de lei, provocou reação imediata de Trump, que afirmou ter o Irã "nas cordas" e classificou a votação como "mal programada e sem sentido".
Trump também afirmou que o Irã aceitou inspeções nucleares, mas Teerã contesta.
Apesar da turbulência política, os dois países assinaram um cessar-fogo que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz. A Organização Marítima Internacional informou que 11 mil petroleiros retidos no Golfo Pérsico voltarão a circular pela rota, conforme informações da CNBC.
