Dólar encosta em R$ 5,25 na quinta alta seguida; juros futuros disparam com ‘estresse’ doméstico
O dólar à vista, que já opera no maior nível desde meados de janeiro, salta cerca de 1% e ronda a cotação de R$ 5,25, com a continuidade da redução a exposição dos investidores a ativos brasileiros. Com o desempenho negativo nesta sexta-feira (14), a moeda brasileira já tem o pior desempenho entre as principais […]

O dólar à vista, que já opera no maior nível desde meados de janeiro, salta cerca de 1% e ronda a cotação de R$ 5,25, com a continuidade da redução a exposição dos investidores a ativos brasileiros. Com o desempenho negativo nesta sexta-feira (14), a moeda brasileira já tem o pior desempenho entre as principais 33 moedas globais.
Mais cedo, o dólar atingiu R$ 5,2490 (+1,08%) no mercado à vista, na contramão da desvalorização do DXY.
Na semana, a divisa já acumula alta de 3,11% (por volta de 14h40, horário de Brasília), a segunda maior valorização semanal em 2026 – atrás apenas da alta de 3,54%, registrada em maio, com o evento da divulgação do áudio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que ficou conhecido como ‘Flávio Day 2.0’.
Parte desse movimento deve-se ao “prêmio eleitoral“. Os investidores aguardam a divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto para candidatos à Presidência da Quaest, encomendada pela Globo, e que deve ser divulgada ainda nesta sexta-feira.
Para os analistas e gestores ouvidos pelo Money Times, a eleição já está no preço dos ativos brasileiros — mas isso não significa que os investidores estejam antecipando um vencedor.O mercado, na verdade, está precificando a falta de clareza sobre o próximo governo e a sua agenda econômica.
“A percepção de que o próximo governo terá dificuldades para promover um ajuste fiscal consistente começa a se transformar em prêmio de risco nos preços dos ativos”, afirmou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora. “A preocupação aumenta com a proximidade das eleições e com a saída acelerada de capital estrangeiro.”
Na mesma linha, o Bank of America (BofA) destaca que “o mercado deve continuar acompanhando de perto o resultado das eleições, já que ele poderá influenciar os rumos da política fiscal nos próximos anos”, diz o banco em relatório a clientes. “A confiança na condução das contas públicas tornou-se o fator decisivo”, acrescenta o banco.
Bancos e corretoras também começaram a reduzir exposição ao real, desmontando posições na moeda em detrimento de outras moedas emergentes. Movimento esse, que foi intensificado na última terça-feira (11) com uma visão mais pessimista do JP Morgan para o mercado local.
O banco reduziu a recomendação de compra para neutra para ativos brasileiros, sinalizando cautela com o Brasil em função do ciclo de queda da Selic, cenário eleitoral e deterioração do crédito – gerando uma nova pressão vendedora sobre bolsa e câmbio.
Além disso, o câmbio também é pressionado pela abertura da curva de juros futuros, na esteira do avanço nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
“A curva de juros continua refletindo mais o risco fiscal e eleitoral do que o alívio observado na inflação norte-americana e no petróleo. Os vencimentos intermediários e longos sobem, enquanto a ponta curta premanece praticamente estável diante da expectativa de continuidade do processo de flexibilização monetária em setembro”, avalia Mollo, da Daycoval Corretora.
Na máxima intradia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, avançou 7 pontos-base, a 13,820% ante 13,750% do fechamento de ontem. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, saltou 22,5 pontos-base, para 14,540% ante 14,245% do fechamento anterior.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, bateu máxima a 14,885%, com salto de 20 pontos-base sobre o fechamento anterior, de 14,615%.
