Dólar ganha força antes de decisão do BCE e pressiona moedas

O dólar voltou a se fortalecer frente a diversas moedas nesta quinta-feira, 23, inclusive renovando o maior patamar em quase quatro décadas diante do iene. A cotação chegou a 163,44 ienes por dólar, o nível mais elevado desde dezembro de 1986, antes de encerrar o pregão em 163,37 ienes, queda de 0,14%.
O avanço reflete a combinação entre a revisão das expectativas para os juros nos Estados Unidos e o aumento das hostilidades geopolíticas. Por volta das 10h, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas, subia 0,29%, para 101,40 pontos. As informações são da Reuters.
Petróleo e juros sustentam o dólar
O mercado reduziu as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), enquanto a economia dos EUA continua sendo vista como menos vulnerável ao choque provocado pela alta dos preços da energia do que outras regiões. Esse cenário favoreceu o dólar em relação a moedas como o euro e o iene.
A tensão no Oriente Médio também permaneceu no radar dos investidores. Os preços do petróleo avançaram pelo quinto pregão consecutivo, impulsionados pelos ataques de rebeldes houthis a navios no Mar Vermelho e pela paralisação da navegação no Estreito de Ormuz com a guerra no Irã.
Iene segue pressionado
Já a desvalorização do iene continua dividindo opiniões entre analistas. Parte do mercado atribui o movimento à cautela do Banco do Japão (BOJ) em elevar os juros, mas há quem veja o petróleo como o principal fator por trás da fraqueza da moeda.
O estrategista do Société Générale, Kit Juckes, vê que o encarecimento da energia reduziu significativamente as perspectivas de crescimento da economia japonesa neste ano. Ele ressaltou à Reuters que o iene tem sido a moeda com pior desempenho entre as divisas do G10 nas últimas semanas.
O rendimento dos títulos públicos japoneses de dois anos, ainda assim, alcançou o maior nível em 31 anos, refletindo a expectativa de que o BOJ possa acelerar o aperto monetário. Paralelamente, o ministro das Finanças voltou a sinalizar a possibilidade de intervenção no mercado cambial.
Outro ponto de atenção é a estratégia do fundo de pensão estatal japonês, considerado o maior investidor institucional do país. O governo pretende ampliar de forma significativa a parcela dos recursos aplicada em ativos domésticos, o que pode influenciar o comportamento do câmbio.
Chefe de temas cambiais do Deutsche Bank Research, Mallika Sachdeva destacou que o impacto sobre o iene dependerá da estratégia adotada. "Se o Fundo de Investimento de Pensões do Governo for obrigado a repatriar recursos para ativos domésticos, isso poderá ser muito favorável para o iene."
Euro recua antes de decisão do BCE
O dólar também ganhou força frente ao euro, que caiu 0,08%, para US$ 1,1403, na véspera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).
A expectativa predominante é de manutenção dos juros, embora o mercado continue projetando duas altas até o início de 2027. Para o estrategista sênior do ING, Michiel Tukker, não é possível descartar completamente uma elevação de 25 pontos-base já nesta reunião.
"A questão é se os mercados interpretariam isso como uma guinada na política monetária em direção a uma postura mais restritiva (hawkish) ou se a medida seria vista como uma antecipação da decisão de setembro", pontuou à Reuters.
