Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Economia
24/07/2026
3 min

Dólar mais fraco? Caminho para perda de hegemonia é ‘estreito’, avaliam gestores

Dólar mais fraco? Caminho para perda de hegemonia é ‘estreito’, avaliam gestores

O futuro dos juros, a meta de inflação e a predominância do dólar são temas que circulam quando o tópico é a economia dos Estados Unidos (EUA). Em painel na Expert XP, Luis Oliveira, vice-presidente executivo da gestora PIMCO, defendeu que três grandes forças que devem ter impacto nos próximos anos: geopolítica; velocidade de fragmentação e a Inteligência Artificial (IA).

Para ele, os efeitos dos desdobramentos geopolíticos se tornam cada vez mais evidentes e figuram uma fonte adicional de volatilidade difícil de precificar, enquanto a velocidade da fragmentação, com países priorizando a própria resiliência econômica em detrimento de eficiência, também entra no radar.

Para Oliveira, no entanto, o grande elefante na sala é justamente a Inteliência Artificial, que deve ditar o ritmo econômico nos próximos três a cinco anos, com expectativa de US$ 14 trilhões de capex (investimentos) acumulados ao final desse período.

Diante deste cenário, ele pondera que o dólar deve ter algum enfraquecimento nos próximos anos, “mas por falta de um substituto melhor, deve continuar como moeda de referência”.

Dólar mais fraco?

A perda de predominância do dólar americano paira no radar do mercado, com diversificações de reservas e atratividade de mercados emergentes mexendo com a hegemonia da moeda. Apesar do movimento, Paulo Eduardo Cllini, head de investimentos renda fixa e multimercados na Franklin Templeton, avaliou em sua participação que “o caminho para o dólar perder força é relativamente estreito” e a moeda se beneficia de extremos.

Quando o extremo configura um cenário negativo, como os receios que surgiram no início da guerra com o Irã, ele pondera que existe um pânico no mercado, a aversão ao risco cresce e o dólar volta como uma referência de segurança, enquanto, de um lado positivo, a colheita dos frutos da IA também é capaz de beneficiar o dólar.

“Ao caminhar nesse caminho relativamente estreito, pode ser que o dólar perca força, mas se flertar com esses cenários, seja com a explosão da guerra ou boom da IA, o dólar não perde força”, avalia.

Juros e inflação

Andressa Castro, economista-chefe da BNP Paribas Asset recorda que o mercado precificava até dois cortes de taxas nos juros dos EUA, mas perspectivas de inflação e juros foram impactadas pela IA e guerra com o Irã.

Castro argumenta que para convergir a inflação para a meta, basta calibrar os juros. “Inflação é uma escolha do Banco central, mas claro que você paga um preço por isso”.

Ela pondera que o patamar atual dos juros está relativamente restritivo e que a própria inflação do Federal Reserve aponta para cerca de 2,5% no ano que vem e em 2028 deve convergir para a meta.

Diante desse cenário, a economista afirma que existe uma escolha do Fed sobre se a calibragem dos juros será voltada a conversão para a meta já no ano que vem ou se a decisão será de deixar o processo ocorrer de forma gradual.

Em contraponto, Paulo Clini levanta dúvidas sobre uma convergência da inflação para a meta sem uma ação do Federal Reserve. Na leitura dele, os juros não estão restritivos, como mostra o desempenho do mercado de trabalho e condições financeiras no mercado de capitais.

“É fundamental que o Fed aja para trazer essa inflação para baixo”, afirma. Ao olhar as condições correntes, ele não vê o juro restritivo o suficiente para isso.

AutorLorena Matos
FonteMoney Times
Distribuído por