Dólar recua a R$ 5,17 com nova tensão entre EUA e Irã e alta do petróleo

O dólar à vista perdeu força pressionado pela valorização do petróleo em meio a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. Dados de inflação norte-americana e cenário eleitoral brasileiro também ficaram no radar.
Nesta quarta-feira (10), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1726, com queda de 0,09%.
O dólar destoou do desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,07%, aos 99,978 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a elevar as cotações do petróleo no mercado internacional, favorecendo o real ante o dólar no mercado à vista. O contrato mais líquido do Brent para agosto encerrou as negociações com alta de 1,80%, a US$ 93,10 o barril.
Na manhã desta quarta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que o Teerã “demorou demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles e agora terão que pagar o preço”, também em publicação na rede social.
No final da tarde, o chefe da Casa Branca voltou a ameaçar novas ataques contra o país persa. A repórteres, Trump disse que vai atacar Teerã “com muita força”, citando novamente o abate de um helicóptero Apache pelo Irã no Estreito de Ormuz.
“Estou anunciando isso hoje pela primeira vez, mas temos retirado milhões de barris de petróleo, milhões de barris todas as noites”, disse Trump, acrescentando que o Irã “acabou de descobrir”.
Do outro lado, Irã disse que reavaliará o diálogo diplomático com Washington após uma série de ataques recíprocos ocorridos durante a madrugada.
Apesar da troca de ataques e ameaças, o presidente dos EUA reafirmou que os dois países mantêm conversas para um eventual acordos. “Queremos um acordo significativo, queremos um acordo que funcione”, acrescentou Trump.
Além disso, novos dados de inflação reforçaram a perspectiva de juros dos EUA elevados por mais tempo. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) acelerou de 3,3% para 4,2% na base anual, atingindo o maior patamar desde abril de 2023.
O principal responsável pela alta continua sendo o grupo de energia, que acumula quase 20% de valorização nos últimos três meses, refletindo os impactos da guerra envolvendo o Irãe a disparada dos preços do petróleo.
Após o dado, o mercado adiou a chance de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para dezembro. Antes do CPI, a aposta majoritária de retomada do ciclo de aperto monetário era em outubro.
Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, mostrava 67,3% de chance de o Fed elevar os juros na última decisão do ano. Para a próxima reunião, em 17 de junho, há 98,3% de probabilidade de o BC manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Por aqui, o mercado precifica manutenção da Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) a 14,50% ao ano, também no dia 17, desde a semana passada.
