Dólar sobe a R$ 5,06 com IPCA-15 acima do esperado e tombo do petróleo

O dólar manteve-se acima de R$ 5 com os investidores dividindo as atenções entre as negociações de paz no Oriente Médio, cenário eleitoral doméstico e novos dados macroeconômicos locais.
Nesta quarta-feira (27), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0609, com alta de 0,67%.
O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com ganho de 0,04%, aos 99.213 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio ganhou força na reta final da tarde com novas sinalizações de avanço nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
No início da tarde, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que houve algum progresso nas negociações com o Irã em direção a um acordo.
“Acho que houve algum progresso e algum interesse, e veremos nas próximas horas e dias se será possível fazer algum progresso”, disse Rubio em uma reunião do gabinete do presidente Donald Trump.
Já Trump voltou a dizer que o Estreito de Ormuz estará “aberto a todos” e que nenhum país controlará a importante rota marítima, já que o local contempla “águas internacionais”.
Apesar disso, ele destacou que os norte-americanos pretendem “monitorar” o estreito e, no momento certo, Washington liberará os barcos presentes na região.
O chefe da Casa Branca ainda disse que “o Irã está determinado a chegar a um acordo. Os iranianos querem muito firmar um pacto”.
Pela manhã, a TV estatal do Irã disse que Teerã obteve um esboço não oficial para um memorando de entendimento com Washington. O texto previa a restauração do transporte comercial pelo Estreito de Ormuz aos níveis anteriores à guerra no prazo de um mês pelo Irã, enquanto os EUA retirariam as forças militares das proximidades do Irã e suspenderiam o bloqueio naval.
Logo depois, a Casa Branca negou a autenticidade do memorando.
Em meio às notícias, os preços do petróleo voltaram a cair para abaixo de US$ 100 o barril, pressionando a moeda brasileira.
Em segundo plano
O mercado doméstico também reagiu, ainda que em segundo plano, a novos dados. Entre eles, a prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,62% em maio, acima das expectativas do mercado.
O dado acumulou alta de 4,64%. em 12 meses, acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 4,5%.
Na avaliação da analista Laís Costa, da Empiricus Research, “além do headline estar acima, a composição também foi pior do que o esperado. Não há razões para comemorarmos”.
Durante a participação no Giro do Mercado, a analista ressaltou que a comparação à meta perseguida pelo BC, o IPCA apresentado é um alerta para o mercado. “Se temos, de fato, uma meta que deve ser perseguida à risca, que é 3%, a situação é preocupante”, afirmou.
- CONFIRA: IPCA-15 FURA META DO BC:
