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InvestMercados
30/10/2026
3 min

Dólar tem maior alta semanal desde crise de 2008 e avança 9% no pós-eleição

A moeda americana terminou o pregão cotada a R$ 5,444, avanço de 1,05% nesta sexta-feira, 30

Dólar tem maior alta semanal desde crise de 2008 e avança 9% no pós-eleição
RESUMO +

O dólar à vista fechou nesta sexta-feira, 30, a R$ 5,444, com alta de 1,05%, e acumulou valorização de 9,04% na semana pós-eleição. Segundo dados compilados pela empresa Economatica, foi a maior alta do dólar na primeira semana após um segundo turno presidencial desde 1994. O movimento refletiu incertezas sobre a política econômica e as contas públicas.

O dólar à vista fechou em alta nesta sexta-feira, 30, e encerrou a semana pós-eleição com valorização de 9,04% frente ao real. A moeda americana terminou o pregão cotada a R$ 5,444, avanço de 1,05% no dia, depois de oscilar entre a mínima de R$ 5,387 e a máxima de R$ 5,462.

No acumulado de outubro, o dólar registrou alta de 5,20%. Apesar da valorização recente, a moeda ainda acumula queda de 0,81% no ano.

A alta semanal colocou a divisa no maior avanço desde a semana terminada em 24 de outubro de 2008, a "Sexta-Feira Sangrenta", ou Bloody Friday, quando o pânico da crise financeira de 2008 se tornou global.

O movimento reflete a reprecificação dos ativos brasileiros após o resultado da eleição presidencial. Desde avitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo, 25, investidores passaram a reduzir a exposição ao mercado doméstico em meio às incertezas sobre a condução da política econômica e a trajetória das contas públicas.

Na segunda-feira, 26, a reação dos mercados foi marcada por forte aversão ao risco. OIbovespa acionou o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde 2020, enquanto o dólar chegou a superar R$ 5,60 durante o pregão. A moeda americana chegou a recuar nas duas sessões seguidas, mas voltou a a avançar nesta quinta, 30, e hoje.

Dólar tem maior alta na semana pós-eleição desde 1994

A intensidade do movimento também aparece na comparação histórica. Dados compilados pela Economatica a pedido da EXAME mostram que a primeira semana após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 registrou a maior alta do dólar desde 1994.

O resultado contrasta como comportamento observado nas eleições anteriores. Em 2002, após a primeira vitória de Lula, o dólar caiu 5% na primeira semana depois do segundo turno. Em 2022, quando o petista também venceu a disputa presidencial, a queda foi de 4,8%. Em 1994, com a eleição de Fernando Henrique Cardoso, o recuo foi de 1,6%, enquanto em 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff, a moeda perdeu 1,5%.

Nas demais eleições analisadas, as oscilações foram mais moderadas: estabilidade em 2006, alta de 0,3% em 1998, queda de 0,3% em 2010 e valorização de 0,8% em 2018.

Volatilidade eleitoral pressiona o real

Para Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, a alta do dólar ocorre apesar da resiliência do fluxo de investimento estrangeiro direto para o Brasil. Em setembro, o país recebeu entrada líquida de US$ 11,3 bilhões, segundo dado divulgado nesta semana.

Na avaliação do gestor, a volatilidade característica dos períodos pré e pós-eleitorais favoreceu a saída de recursos de ativos domésticos, pressionando o real.

"Esse ambiente favoreceu a saída de recursos de ativos domésticos, impulsionando a valorização do dólar frente ao real", afirmou Pastorello

O cenário também foi marcado por dúvidas fiscais no Brasil e pela queda das bolsas em Nova York. Nesta sexta-feira, o Ibovespa voltou a operar em baixa, pressionado principalmente por bancos e ações ligadas à economia doméstica, enquanto o dólar avançava pela segunda sessão consecutiva.

AutorClara Assunção
FonteExame
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