Dona do Google supera expectativas no 2º tri, mas queima caixa com gastos em IA

A Alphabet, controladora do Google, reportou receita de US$ 119,8 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 24% na comparação anual. O número superou o consenso de mercado, que projetava entre US$ 116,9 bilhões e US$ 117 bilhões, e marcou o 12º trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos na receita.
O lucro operacional somou US$ 40,8 bilhões, alta de 30%, com margem de 34%, dois pontos percentuais acima do registrado um ano antes.
Já o lucro líquido veio distorcido por um efeito contábil. A companhia reportou US$ 112,1 bilhões, alta de 298%, e lucro por ação de US$ 9,11. A diferença vem de um ganho ainda não realizado com participações acionárias, que somou US$ 99 bilhões e, sozinho, respondeu por US$ 6,26 do lucro por ação do trimestre.
Os números são apresentados no padrão GAAP, o critério contábil oficial americano, que inclui todos os efeitos do período.
Google Cloud cresce 82% e supera todas as projeções
A divisão de nuvem foi o grande destaque. A receita do Google Cloud somou US$ 24,8 bilhões, alta de 82% na comparação anual, enquanto o mercado projetava entre US$ 22,4 bilhões e US$ 22,79 bilhões, com crescimento de 63% a 67%. Nem as casas mais otimistas, que falavam em até 70%, chegaram perto do resultado.
O lucro operacional da unidade triplicou, de US$ 2,8 bilhões para US$ 8,8 bilhões, e a margem saltou de 20,7% para 35,6%. A trajetória de aceleração da nuvem vem se firmando desde 2025, quando a divisão passou a ser a segunda maior fonte de receita do grupo.
A fila de contratos ainda não reconhecidos como receita também veio acima do esperado: US$ 514 bilhões de backlog, contra projeção de US$ 488,1 bilhões.
Busca acelera e YouTube cresce 13%
Em Google Services, a receita cresceu 15%, para US$ 94,5 bilhões. O faturamento com a ferramenta de buscas avançou 17%, para US$ 63,3 bilhões, ritmo bem superior aos cerca de 13,7% que o mercado projetava para publicidade. No mesmo trimestre do ano passado, a busca havia crescido 11,7%.
Os anúncios do YouTube subiram 13%, para US$ 11,1 bilhões, e a Google Network recuou 1%, para US$ 7,3 bilhões. O custo de aquisição de tráfego (TAC), os repasses que o Google faz a parceiros, somou US$ 16,2 bilhões.
Capex dobra e fluxo de caixa livre fica negativo
O investimento em infraestrutura somou US$ 44,9 bilhões no trimestre, o dobro do registrado um ano antes e em linha com a estimativa de mercado de cerca de US$ 45 bilhões.
O impacto aparece no caixa. O fluxo de caixa livre, que desconta os investimentos em ativos fixos do caixa gerado pelas operações, ficou negativo em US$ 5,86 bilhões, contra US$ 5,3 bilhões positivos um ano antes. Em doze meses, o indicador caiu 20%, para US$ 53,3 bilhões.
Para bancar o ritmo, a Alphabet captou US$ 49,6 bilhões em junho com a emissão de ações e de ações preferenciais conversíveis, além de US$ 20,3 bilhões em notas seniores no trimestre. A dívida de longo prazo mais que dobrou desde dezembro, de US$ 46,5 bilhões para US$ 98,2 bilhões.
Pichai responde às dúvidas sobre o Gemini
Diante das dúvidas do mercado sobre o atraso do Gemini 3.5 Pro, o CEO Sundar Pichai preferiu falar de adoção nas mensagens que acompanham o balanço. Segundo ele, quase 90% das empresas da Fortune 100 usam o Gemini Enterprise, os modelos processam 22 bilhões de tokens de API por minuto e o aplicativo Gemini tem 950 milhões de usuários ativos mensais.
A companhia também apresentou o Gemini 3.5 Flash Cyber, voltado a soluções de segurança. Pichai citou ainda o desempenho do YouTube durante a Copa do Mundo de 2026, com mais de 1,7 bilhão de espectadores únicos em vídeos relacionados ao torneio.
O conselho de administração aprovou dividendo trimestral de US$ 0,22 por ação ordinária, com pagamento em 14 de setembro.
