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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
22/07/2026
4 min

Dona do Google supera expectativas no 2º tri, mas queima caixa com gastos em IA

Dona do Google supera expectativas no 2º tri, mas queima caixa com gastos em IA

A Alphabet, controladora do Google, reportou receita de US$ 119,8 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 24% na comparação anual. O número superou o consenso de mercado, que projetava entre US$ 116,9 bilhões e US$ 117 bilhões, e marcou o 12º trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos na receita.

O lucro operacional somou US$ 40,8 bilhões, alta de 30%, com margem de 34%, dois pontos percentuais acima do registrado um ano antes.

Já o lucro líquido veio distorcido por um efeito contábil. A companhia reportou US$ 112,1 bilhões, alta de 298%, e lucro por ação de US$ 9,11. A diferença vem de um ganho ainda não realizado com participações acionárias, que somou US$ 99 bilhões e, sozinho, respondeu por US$ 6,26 do lucro por ação do trimestre.

Os números são apresentados no padrão GAAP, o critério contábil oficial americano, que inclui todos os efeitos do período.

Google Cloud cresce 82% e supera todas as projeções

A divisão de nuvem foi o grande destaque. A receita do Google Cloud somou US$ 24,8 bilhões, alta de 82% na comparação anual, enquanto o mercado projetava entre US$ 22,4 bilhões e US$ 22,79 bilhões, com crescimento de 63% a 67%. Nem as casas mais otimistas, que falavam em até 70%, chegaram perto do resultado.

O lucro operacional da unidade triplicou, de US$ 2,8 bilhões para US$ 8,8 bilhões, e a margem saltou de 20,7% para 35,6%. A trajetória de aceleração da nuvem vem se firmando desde 2025, quando a divisão passou a ser a segunda maior fonte de receita do grupo.

A fila de contratos ainda não reconhecidos como receita também veio acima do esperado: US$ 514 bilhões de backlog, contra projeção de US$ 488,1 bilhões.

Busca acelera e YouTube cresce 13%

Em Google Services, a receita cresceu 15%, para US$ 94,5 bilhões. O faturamento com a ferramenta de buscas avançou 17%, para US$ 63,3 bilhões, ritmo bem superior aos cerca de 13,7% que o mercado projetava para publicidade. No mesmo trimestre do ano passado, a busca havia crescido 11,7%.

Os anúncios do YouTube subiram 13%, para US$ 11,1 bilhões, e a Google Network recuou 1%, para US$ 7,3 bilhões. O custo de aquisição de tráfego (TAC), os repasses que o Google faz a parceiros, somou US$ 16,2 bilhões.

Capex dobra e fluxo de caixa livre fica negativo

O investimento em infraestrutura somou US$ 44,9 bilhões no trimestre, o dobro do registrado um ano antes e em linha com a estimativa de mercado de cerca de US$ 45 bilhões.

O impacto aparece no caixa. O fluxo de caixa livre, que desconta os investimentos em ativos fixos do caixa gerado pelas operações, ficou negativo em US$ 5,86 bilhões, contra US$ 5,3 bilhões positivos um ano antes. Em doze meses, o indicador caiu 20%, para US$ 53,3 bilhões.

Para bancar o ritmo, a Alphabet captou US$ 49,6 bilhões em junho com a emissão de ações e de ações preferenciais conversíveis, além de US$ 20,3 bilhões em notas seniores no trimestre. A dívida de longo prazo mais que dobrou desde dezembro, de US$ 46,5 bilhões para US$ 98,2 bilhões.

Pichai responde às dúvidas sobre o Gemini

Diante das dúvidas do mercado sobre o atraso do Gemini 3.5 Pro, o CEO Sundar Pichai preferiu falar de adoção nas mensagens que acompanham o balanço. Segundo ele, quase 90% das empresas da Fortune 100 usam o Gemini Enterprise, os modelos processam 22 bilhões de tokens de API por minuto e o aplicativo Gemini tem 950 milhões de usuários ativos mensais.

A companhia também apresentou o Gemini 3.5 Flash Cyber, voltado a soluções de segurança. Pichai citou ainda o desempenho do YouTube durante a Copa do Mundo de 2026, com mais de 1,7 bilhão de espectadores únicos em vídeos relacionados ao torneio.

O conselho de administração aprovou dividendo trimestral de US$ 0,22 por ação ordinária, com pagamento em 14 de setembro.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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