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21/10/2026
10 min

Dono da Johnny Rockets no Brasil vai abrir 10 novas lojas e faturar R$ 350 milhões em 2026

À frente da operação brasileira desde 2013, ex-franqueado do McDonald's aposta em expansão seletiva, restaurantes maiores e novos canais de venda para crescer em um mercado competitivo

Dono da Johnny Rockets no Brasil vai abrir 10 novas lojas e faturar R$ 350 milhões em 2026
RESUMO +

A rede americana de hamburguerias Johnny Rockets pretende chegar a 60 pontos de venda no Brasil até 2027, ante cerca de 50 atuais. A holding de marcas de alimentação Antaris Foods Brands Franchising, responsável pela operação e por outras oito marcas, projeta faturar R$ 350 milhões em 2026, alta de 16,7%, e inaugurou em Maceió a maior loja de rua brasileira da rede.

A rede americana de hamburguerias Johnny Rockets prepara uma nova etapa de expansão no Brasil. A empresa, conhecida pelosrestaurantes inspirados nos Estados Unidos dos anos 1950, pretende chegar a 60 pontos de venda até 2027, dez a mais do que possui atualmente. O crescimento faz parte da estratégia da Antaris Foods Brands Franchising, holding responsável pela operação da marca no país, que projeta faturar R$ 350 milhões em 2026.

O valor representa um crescimento de 16,7% em relação aos R$ 300 milhões registrados em 2025 e considera o conjunto de negócios administrados pela holding, que reúne nove marcas do setor de alimentação. O Johnny Rockets é o carro-chefe do grupo, embora a companhia não divulgue o faturamento individual da rede no Brasil.

A expansão ganhou um novo capítulo com a inauguração de uma unidade em Maceió, em Alagoas. Com 269 metros quadrados e capacidade para 156 clientes, o restaurante é apresentado como a maior loja de rua da marca no Brasil. O investimento foi de R$ 2,8 milhões.

Apesar dos planos de crescimento, Antônio Augusto Ribeiro de Souza, CEO do Johnny Rockets no Brasil e da Antaris, afirma que não pretende acelerar a abertura de unidades a qualquer custo. Com mais de três décadas de experiência no setor de alimentação, o executivo diz que a escolha dos franqueados e dos pontos comerciais é tão importante quanto o tamanho da rede.

"Eu penso mais como franqueado do que como franqueador", afirma. "Eu falo muito mais não do que sim."

A cautela ajuda a explicar uma característica da operação brasileira. Embora o país já seja o maior mercado do Johnny Rockets fora dos Estados Unidos, segundo a empresa, a expansão ocorre de forma seletiva, com investimentos elevados e preferência por parceiros que tenham experiência no setor.

Como a rede pretende chegar a 60 lojas no Brasil

Presente no país desde 2013, o Johnny Rockets contabiliza cerca de 50 pontos de venda, dos quais 37 são restaurantes físicos, segundo Antônio Augusto. A diferença inclui outros formatos de comercialização da marca. A meta é chegar a 40 lojas físicas ainda em 2026, com três inaugurações previstas para os últimos meses do ano, todas franqueadas.

O foco da expansão está principalmente nas capitais brasileiras. Atualmente, a rede está presente em 12 estados, de acordo com o executivo, e procura novos parceiros para ampliar a cobertura nacional.

Mas abrir um Johnny Rockets exige capital. O investimento inicial varia conforme o formato e pode partir de aproximadamente R$ 960 mil, chegando a valores próximos de R$ 3 milhões em operações maiores.

Uma unidade de shopping, com área entre 200 e 220 metros quadrados, custa em média de R$ 1,6 milhão a R$ 1,8 milhão. Esses restaurantes costumam empregar entre 32 e 38 funcionários.

Segundo Antônio Augusto, o prazo médio estimado para recuperar o investimento é de 36 meses. Há, porém, variações importantes: algumas unidades já tiveram retorno em menos de um ano, enquanto outras levaram até 48 meses. Os resultados dependem de fatores como localização, maturidade do ponto comercial e desempenho das vendas.

"Se eu não entro naquele local, se aquilo não é bom para mim, eu não vou franquear, porque, quando eu faço isso, eu trago um parceiro para o negócio e exponho ele a risco", afirma.

Johnny Rockets em Maceió: maior unidade de rua da rede no Brasil recebeu investimento de R$ 2,8 milhões e tem capacidade para 156 clientes. (Antaris Foods Brands Franchising/Divulgação)

Essa filosofia foi construída a partir da própria experiência do empresário. As primeiras 20 unidades brasileiras do Johnny Rockets tiveram sua participação como investidor e operador. Antes da pandemia, chegou a ter 22 restaurantes, mas decidiu reduzir a exposição às lojas próprias e ampliar a participação de franqueados.

A mudança também reflete o ambiente econômico. Com juros elevados e investimentos milionários para abrir restaurantes, encontrar candidatos dispostos a assumir o negócio se tornou mais difícil.

"Quando você trabalha com investimento de R$ 2 milhões, R$ 3 milhões, você não tem um franqueado operador, você tem um franqueado investidor", diz.

A rede busca, por isso, empresários mais profissionalizados, inclusive operadores que já trabalham com outras franquias.

Por que Maceió recebeu a maior loja de rua da rede no país

A nova unidade do Johnny Rockets foi instalada no bairro de Jatiúca, em Maceió, e representa uma aposta no potencial de consumo do Nordeste. O restaurante foi construído do zero e reúne características da operação tradicional americana, com decoração retrô, ambientação temática e atendimento inspirado nos diners dos anos 1950.

A loja conta com salão para festas e eventos privados, espaço pet friendly e serviço de delivery. A previsão da empresa é movimentar mais de R$ 4,2 milhões por ano na região, além de gerar 40 empregos diretos.

Para Antônio Augusto, a escolha de Maceió está relacionada à combinação entre a demanda dos moradores e o fluxo turístico da capital alagoana. A estratégia é atrair visitantes sem depender exclusivamente da alta temporada.

"A cidade reúne condições favoráveis para receber uma operação desse porte, capaz de representar de forma completa o conceito da marca", afirma o executivo.

O projeto também representa uma tentativa de reforçar o diferencial do Johnny Rockets em relação às redes tradicionais de fast-food. Enquanto concorrentes concentram suas operações em pedidos rápidos e cardápios padronizados, a empresa aposta em restaurantes nos quais o ambiente e o atendimento também fazem parte do produto.

No Brasil, essa diferenciação chegou ao cardápio. Além dos hambúrgueres, batatas fritas e milkshakes que caracterizam a marca internacionalmente, as unidades brasileiras oferecem pratos, massas, carnes, costelas e saladas.

A adaptação foi uma decisão do próprio Antônio Augusto, que identificou a necessidade de ampliar as opções para atrair grupos de consumidores com preferências diferentes.

"Eu entendi lá atrás que tinha um mar azul muito melhor levando para esse caminho", afirma.

Segundo ele, o modelo brasileiro se tornou uma referência dentro da operação global do Johnny Rockets, atraindo franqueados de outros países interessados em compreender como a marca conseguiu ampliar o cardápio sem abandonar sua identidade original.

Como um ex-franqueado do McDonald's construiu a operação brasileira

Antes de assumir o Johnny Rockets, Antônio Augusto Ribeiro de Souza passou por diferentes setores da economia.

Engenheiro de formação, começou a empreender aos 20 anos, como corretor de grãos. Criou uma empresa que comprava soja de produtores rurais e utilizava indústrias arrendadas para produzir óleo e farelo, comercializados posteriormente para outros negócios.

Depois de vender a corretora, atuou no setor de postos de combustíveis e entrou no mercado de alimentação na década de 1990, quando se tornou franqueado do McDonald's.

A experiência durou mais de 10 anos e ajudou a moldar sua visão sobre o funcionamento das franquias. Em 2003, vendeu as lojas que operava e passou a procurar outras marcas americanas que pudessem ser desenvolvidas no mercado brasileiro.

Uma delas era o Johnny Rockets, fundado na Califórnia em 1986. A chegada da rede ao país, no entanto, enfrentou um obstáculo: outra empresa havia registrado o nome no Brasil, provocando uma disputa pelos direitos de uso da marca.

A regularização levou anos. Somente em 2013 foi inaugurada a primeira loja brasileira, no Shopping Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Antes da abertura, Antônio Augusto dedicou dois anos à adaptação da operação. Uma das prioridades era reduzir a dependência de importações, desenvolvendo fornecedores nacionais para alimentos, equipamentos e outros materiais utilizados pelos restaurantes.

Segundo o executivo, praticamente todos os insumos alimentícios passaram a ser adquiridos no mercado brasileiro. A medida também ajudou a adequar o investimento necessário para abrir novas unidades.

A trajetória como franqueado permanece central em sua estratégia de gestão. Para ele, o reconhecimento de uma marca não elimina a necessidade de dedicação diária à operação.

"Como franqueado do McDonald's, eu limpava banheiro", recorda, ao explicar que também participava de ações para atrair clientes. "Não é porque você tem uma marca superconhecida que isso é sucesso."

Como funciona a Antaris e o que sustenta o crescimento da holding

A Antaris Foods Brands Franchising foi criada em 2021, durante o período da pandemia, como uma estrutura para reunir e desenvolver diferentes negócios de alimentação.

O grupo funciona como uma holding de marcas, com atuação na gestão, estruturação e expansão de franquias, incluindo operações próprias, marcas adquiridas e parcerias comerciais.

Além do Johnny Rockets, seu portfólio divulgado inclui as marcas Boulangerie Carioca, Cuor di Crema, Vassoura Quebrada, Afrika, Hot'n Tender (HNT), Mex Burritos, Poke Kauai e NY Bagel. 

A Boulangerie Carioca atua no segmento de cafés, padaria e confeitaria, enquanto a Cuor di Crema é especializada em gelatos. Já a Vassoura Quebrada aposta em restaurantes temáticos inspirados no universo da magia e da bruxaria.

As duas primeiras foram adquiridas pela holding durante a pandemia e passam por um processo de integração de produtos e desenvolvimento de novos formatos.

Na prática, a estratégia permite que itens de uma marca sejam oferecidos em unidades de outra. A Cuor di Crema, por exemplo, passou a incorporar produtos de confeitaria, enquanto a Boulangerie Carioca começou a testar operações com gelateria.

A diversificação ocorre em paralelo à busca por novas fontes de receita dentro do próprio Johnny Rockets.

Uma das apostas é aumentar a presença em grandes eventos, feiras e festivais. A marca passou a explorar oportunidades comerciais em eventos como Rock in Rio e Fórmula 1, além de operações temporárias em centros de exposições.

Outro movimento é a retomada do delivery, canal que havia perdido prioridade na estratégia da rede devido aos custos envolvidos.

Antônio Augusto afirma que decidiu desacelerar as entregas depois de avaliar o impacto das taxas e das condições comerciais das plataformas sobre a rentabilidade das lojas. Em 2026, com novos parceiros e uma estrutura mais dedicada, a operação voltou a ganhar importância.

"Eu faço muita conta para poder fazer delivery", diz. "Como franqueador, eu poderia estar só incentivando, mas eu faço conta porque tenho loja própria e preciso pagar conta."

O executivo afirma que a rede espera alcançar em outubro um recorde de vendas por delivery, embora não divulgue os valores.

A estratégia acompanha uma transformação mais ampla no mercado brasileiro de alimentação. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), em parceria com a consultoria GALUNION, o faturamento das franquias de alimentação cresceu 15,6% em 2025, alcançando R$ 79,9 bilhões. O delivery já representa, em média, 22,5% da receita das empresas pesquisadas.

Apesar do crescimento do setor, Antônio Augusto avalia que o desempenho dos restaurantes tem sido pressionado pelo cenário econômico. Na percepção do empresário, 2026 é um ano particularmente desafiador, com consumidores mais cautelosos e investimentos que exigem maior planejamento.

O avanço de novas redes internacionais de alimentação no Brasil também tende a ampliar a concorrência. Para o executivo, porém, a chegada de outras marcas é positiva por trazer novas referências e estimular as empresas que já operam no país.

"Eu acho supersaudável", conclui o executivo.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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