Dono do Bondinho Pão de Açúcar aposta em conservação para crescer no ritmo do turismo carioca

Para o Grupo Iter, a sustentabilidade não é só meta: é vetor de desenvolvimento do negócio.
"Toda vez que temos um impacto positivo no entorno e na comunidade, alavancamos nosso crescimento de forma diferente", diz Paulo Gontijo, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e compliance da companhia, em entrevista à EXAME.
Dono do Bondinho Pão de Açúcar e do cartão-postal mais popular do Rio de Janeiro, a holding administra ainda o Parque do Caracol, em Gramado (RS), e o Parque Estadual do Tainhas, também na serra gaúcha.
Criado em 2021, o Grupo Iter nasceu com a criação da marca que passou a reunir os ativos de turismo e experiências da companhia, uma referência a iter, "caminho" em latim, em alusão à Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, nome original do Bondinho.
Desde então, sob a liderança do CEO Sandro Fernandes, o grupo expandiu o portfólio e se consolidou como um conglomerado de experiências em turismo, natureza e entretenimento.
Para os próximos cinco anos, a companhia projeta investir R$ 300 milhões em suas marcas, com foco na revitalização dos parques, na criação de novas atrações e na recuperação de patrimônios históricos, reforçando a estratégia de desenvolvimento social e econômico onde atua.
A estratégia acaba de receber um reconhecimento importante: o Grupo Iter se tornou a primeira holding do setor de parques e atrações turísticas do Brasil a conquistar a certificação Empresa B, concedida a companhias que conciliam desempenho financeiro com impacto socioambiental. O Parque do Caracol também se tornou a primeira empresa certificada de Canela e Gramado.
E é a partir dessa rede de parques que o grupo constrói uma estratégia pioneira no setor de turismo: quanto mais investe em proteger a natureza, mais cresce com resiliência.
O exemplo mais direto da integração da agenda está na trilha que leva ao mirante do Pão de Açúcar, dentro de uma unidade de conservação e hoje visitada por 1,5 milhão de pessoas por ano.
Sinalização, escadaria, manutenção e limpeza são bancadas pela empresa, embora o acesso seja gratuito ao público.
"Se não garantimos um ambiente natural bem conservado e a proteção da biodiversidade, o entorno todo perde valor e a experiência de visitação cai", destaca o diretor.
Não à toa, o Grupo Iter compara sua taxa de crescimento dos últimos anos com a do próprio turismo carioca, que vive com um dos melhores momentos da sua história.
A cidade fechou 2025 com 10,5% mais turistas do que em 2024, alcançando a marca de 12,5 milhões de visitantes e R$ 27,2 bilhões movimentados na economia local.
O início de 2026 também foi histórico e movimentou R$ 12,2 bilhões, com 4,5 milhões de visitantes entre janeiro e abril, segundo dados da prefeitura. O fluxo de turistas internacionais também cresceu 18,1% no período.
Três parques, um só propósito
Entre os três parques, a diferença de escala é grande: o Bondinho Pão de Açúcar recebe 2 milhões de visitantes por ano; o Caracol, sob concessão do grupo desde dezembro de 2022, soma 400 mil; e o Tainhas segue rústico e em fase de estruturação e desenvolvimento, mas também com um alto potencial turístico.
Segundo Gontijo, o propósito comum é desenvolver destinos capazes de oferecer experiências memoráveis aos visitantes enquanto fortalecem a conservação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a economia local.
"É uma transformação na forma de fazer negócios", destaca.
Em Canela, Parque do Caracol recebe um novo mirante (Divulgação)
Para chegar lá, o grupo lista uma série de programas e iniciativas que fazem parte de uma estratégia de longo prazo.
No Rio de Janeiro, já foram mais de R$ 2 milhões investidos em ações de conservação no entorno do Bondinho, incluindo a adoção de 38 mil m² de área verde na Pista Cláudio Coutinho.
Na Serra Gaúcha, o valor passa de R$ 500 mil em projetos ambientais desde 2022, com destaque para o Educa Caracol, programa de educação ambiental que já engajou cerca de 300 crianças em Canela e que nasceu como extensão do Educa Bondinho, que na capital carioca impactou mais de 80 mil crianças e adolescentes.
O grupo também opera em parceria com a prefeitura do Rio na gestão da unidade de conservação municipal e diz ter impactado positivamente cerca de 7 mil pessoas em 2025 por meio de projetos socioambientais.
Os investimentos também têm efeito direto sobre a economia local. Desde a expansão das operações, o número de colaboradores do grupo passou de cerca de 170 para mais de 500 pessoas, acompanhando a ampliação do portfólio e dos projetos desenvolvidos.
O diretor explica que a lógica do investimento social mudou nos últimos anos: passou de um critério baseado em mérito para considerar também o território, o que levou o programa que já existia com escolas da Urca a se estender para a Babilônia, no Rio, e para o entorno do Caracol, no Sul.
O grupo já sinaliza novos ativos: no Caracol, inaugura um salto de pêndulo e um caminho suspenso sob o mirante. No Rio, prepara a restauração de um casarão histórico e de um palacete no Cosme Velho, adquiridos em 2022, em um projeto que receberá R$ 50 milhões para transformá-los em um novo polo de experiências culturais e turísticas ao lado do Corcovado.
Outro projeto de recuperação ambiental está em curso: substituir espécies invasoras por nativas nas áreas sob gestão do grupo.
"Para nós, ESG é uma jornada, não é o ponto de chegada", diz Gontijo. "É realmente um compromisso de longo prazo", conclui o diretor.
