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15/07/2026
6 min

Dono do Bondinho Pão de Açúcar aposta em conservação para crescer no ritmo do turismo carioca

Dono do Bondinho Pão de Açúcar aposta em conservação para crescer no ritmo do turismo carioca

Para o Grupo Iter, a sustentabilidade não é só meta: é vetor de desenvolvimento do negócio.

"Toda vez que temos um impacto positivo no entorno e na comunidade, alavancamos nosso crescimento de forma diferente", diz Paulo Gontijo, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e compliance da companhia, em entrevista à EXAME.

Dono do Bondinho Pão de Açúcar e do cartão-postal mais popular do Rio de Janeiro, a holding administra ainda o Parque do Caracol, em Gramado (RS), e o Parque Estadual do Tainhas, também na serra gaúcha.

Criado em 2021, o Grupo Iter nasceu com a criação da marca que passou a reunir os ativos de turismo e experiências da companhia, uma referência a iter, "caminho" em latim, em alusão à Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, nome original do Bondinho.

Desde então, sob a liderança do CEO Sandro Fernandes, o grupo expandiu o portfólio e se consolidou como um conglomerado de experiências em turismo, natureza e entretenimento. 

Para os próximos cinco anos, a companhia projeta investir R$ 300 milhões em suas marcas, com foco na revitalização dos parques, na criação de novas atrações e na recuperação de patrimônios históricos, reforçando a estratégia de desenvolvimento social e econômico onde atua.

A estratégia acaba de receber um reconhecimento importante: o Grupo Iter se tornou a primeira holding do setor de parques e atrações turísticas do Brasil a conquistar a certificação Empresa B, concedida a companhias que conciliam desempenho financeiro com impacto socioambiental. O Parque do Caracol também se tornou a primeira empresa certificada de Canela e Gramado.

E é a partir dessa rede de parques que o grupo constrói uma estratégia pioneira no setor de turismo: quanto mais investe em proteger a natureza, mais cresce com resiliência.

O exemplo mais direto da integração da agenda está na trilha que leva ao mirante do Pão de Açúcar, dentro de uma unidade de conservação e hoje visitada por 1,5 milhão de pessoas por ano.

Sinalização, escadaria, manutenção e limpeza são bancadas pela empresa, embora o acesso seja gratuito ao público.

"Se não garantimos um ambiente natural bem conservado e a proteção da biodiversidade, o entorno todo perde valor e a experiência de visitação cai", destaca o diretor.

Não à toa, o Grupo Iter compara sua taxa de crescimento dos últimos anos com a do próprio turismo carioca, que vive com um dos melhores momentos da sua história.

A cidade fechou 2025 com 10,5% mais turistas do que em 2024, alcançando a marca de 12,5 milhões de visitantes e R$ 27,2 bilhões movimentados na economia local.

O início de 2026 também foi histórico e movimentou R$ 12,2 bilhões, com 4,5 milhões de visitantes entre janeiro e abril, segundo dados da prefeitura. O fluxo de turistas internacionais também cresceu 18,1% no período.

Três parques, um só propósito

Entre os três parques, a diferença de escala é grande: o Bondinho Pão de Açúcar recebe 2 milhões de visitantes por ano; o Caracol, sob concessão do grupo desde dezembro de 2022, soma 400 mil; e o Tainhas segue rústico e em fase de estruturação e desenvolvimento, mas também com um alto potencial turístico.

Segundo Gontijo, o propósito comum é desenvolver destinos capazes de oferecer experiências memoráveis aos visitantes enquanto fortalecem a conservação ambiental, o desenvolvimento das comunidades e a economia local. 

"É uma transformação na forma de fazer negócios", destaca.

Em Canela, Parque do Caracol recebe um novo mirante (Divulgação)

Para chegar lá, o grupo lista uma série de programas e iniciativas que fazem parte de uma estratégia de longo prazo.

No Rio de Janeiro, já foram mais de R$ 2 milhões investidos em ações de conservação no entorno do Bondinho, incluindo a adoção de 38 mil m² de área verde na Pista Cláudio Coutinho.

Na Serra Gaúcha, o valor passa de R$ 500 mil em projetos ambientais desde 2022, com destaque para o Educa Caracol, programa de educação ambiental que já engajou cerca de 300 crianças em Canela e que nasceu como extensão do Educa Bondinho, que na capital carioca impactou mais de 80 mil crianças e adolescentes.

O grupo também opera em parceria com a prefeitura do Rio na gestão da unidade de conservação municipal e diz ter impactado positivamente cerca de 7 mil pessoas em 2025 por meio de projetos socioambientais.

Os investimentos também têm efeito direto sobre a economia local. Desde a expansão das operações, o número de colaboradores do grupo passou de cerca de 170 para mais de 500 pessoas, acompanhando a ampliação do portfólio e dos projetos desenvolvidos.

O diretor explica que a lógica do investimento social mudou nos últimos anos: passou de um critério baseado em mérito para considerar também o território, o que levou o programa que já existia com escolas da Urca a se estender para a Babilônia, no Rio, e para o entorno do Caracol, no Sul.

O grupo já sinaliza novos ativos: no Caracol, inaugura um salto de pêndulo e um caminho suspenso sob o mirante. No Rio, prepara a restauração de um casarão histórico e de um palacete no Cosme Velho, adquiridos em 2022, em um projeto que receberá R$ 50 milhões para transformá-los em um novo polo de experiências culturais e turísticas ao lado do Corcovado.

Outro projeto de recuperação ambiental está em curso: substituir espécies invasoras por nativas nas áreas sob gestão do grupo.

"Para nós, ESG é uma jornada, não é o ponto de chegada", diz Gontijo. "É realmente um compromisso de longo prazo", conclui o diretor.

AutorSofia Schuck
FonteExame
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