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NegóciosMPOL
25/09/2026
6 min

Dono do Cruzeiro ganha aval para comprar mais 108 supermercados e construir império de R$ 35 bilhões

Com a aquisição, o Supermercados BH pode chegar a aproximadamente 600 lojas e consolida-se como o quarto maior supermercado do Brasil

Dono do Cruzeiro ganha aval para comprar mais 108 supermercados e construir império de R$ 35 bilhões

RESUMO | O Cade autorizou nesta quinta-feira, 24, sem restrições, a compra de 108 lojas da DMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa e Mineirão, pelo Supermercados BH, de Pedro Lourenço. Com a operação, a rede pode chegar a cerca de 600 lojas e R$ 34,6 bilhões em faturamento combinado, segundo projeção da FCDL-MG baseada no Ranking Abras 2026.


Dono do Cruzeiro e da rede Supermercados BH, Pedro Lourenço acaba de receber autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para comprar 108 lojas da DMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa e Mineirão.

A decisão, publicada nesta quinta-feira, 24, destrava uma das maiores expansões recentes do varejo alimentar mineiro. 

Com a aquisição, o Supermercados BH pode chegar a aproximadamente 600 lojas e a um faturamento combinado de 34,6 bilhões de reais, segundo projeção da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) com base no Ranking Abras 2026.

O avanço amplia o tamanho do negócio controlado por Lourenço, que já havia fechado 2025 com 25,7 bilhões de reais em vendas e 420 lojas.

Além dos supermercados, o empresário é dono de 90% da SAF do Cruzeiro, a Sociedade Anônima de Futebol, modelo empresarial adotado pelo clube.

A aprovação veio sem restrições, mas só depois de mudanças no acordo. O Cade chegou a aprofundar a análise da operação por preocupação com a concentração em alguns mercados de Minas Gerais.

Por que o Cade analisou a compra do Epa e Mineirão com mais cuidado

Quando o negócio foi apresentado ao Cade, em maio, o plano previa a compra de 120 lojas daDMA em Minas Gerais, sob as bandeiras Epa Plus, Epa Premium e Mineirão.

Em 31 de agosto, a Superintendência-Geral do Cade declarou a operação complexa. Naquele momento, o órgão disse não ter encontrado evidências suficientes de concorrência efetiva no entorno de seis unidades localizadas em Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Ouro Branco, Lagoa Santa, Sarzedo e Itajubá.

BH e DMA responderam retirando essas lojas do negócio. O primeiro aditivo reduziu a operação de 120 para 114 unidades. Segundo o parecer do Cade, os seis estabelecimentos permaneceriam sob controle da DMA.

Depois, as empresas fizeram uma nova redução. De acordo com as informações divulgadas na decisão final, outras seis unidades foram retiradas do pacote, levando a transação para 108 lojas.

Essa sequência ajuda a explicar por que a operação demorou meses para ser analisada. A preocupação estava principalmente em cidades e bairros onde Supermercados BH e DMA já disputavam os mesmos consumidores.

Em Venda Nova, em Belo Horizonte, por exemplo, o Cade calculou que BH e DMA somavam entre 40% e 50% do faturamento em um dos mercados analisados em 2025.

Por que o Cade liberou a compra das 108 lojas

Apesar das participações elevadas em alguns pontos, o Cade concluiu que havia concorrência suficiente para impedir que o Supermercados BH tivesse condições de exercer poder de mercado depois da compra.

O órgão analisou a presença de redes nacionais e regionais como Carrefour, Assaí, Mart Minas, Villefort, Economart, Verdemar e Multiformato.

Na região da Pampulha, em Belo Horizonte, por exemplo, houve inaugurações de duas lojas do Assaí, uma do Carrefour, duas do Mart Minas, cinco do grupo Multiformato e duas do Villefort entre 2021 e 2025.

O Cade também identificou crescimento forte do mercado em várias das regiões estudadas. Em três mercados da região Norte de Belo Horizonte, o faturamento total analisado cresceu de quase 100% a mais de 150% entre 2021 e 2025.

Ao fim da análise, o órgão concluiu que, nos 24 mercados relevantes distribuídos por 14 municípios examinados em maior profundidade, não havia naquele momento probabilidade de exercício de poder de mercado pelas empresas. O parecer recomendou a aprovação sem restrições.

Quanto pode faturar o Supermercados BH após a compra

A projeção é que o faturamento combinado chegue a aproximadamente 34,6 bilhões de reais.

O número coloca a operação em outra escala. Em 2025, o Supermercados BH faturou 25,7 bilhões de reais. A DMA registrou 8,9 bilhões de reais no TOP 300 do Varejo Brasileiro.

A compra também amplia a presença geográfica da companhia. O grupo passa a integrar operações em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco e pode chegar a cerca de 600 lojas.

A expansão segue uma estratégia que Pedro Lourenço já vinha usando nos últimos anos: crescer pela compra de redes e unidades de concorrentes.

Em 2025, o Supermercados BH fechou a compra de 54 supermercados do Bretas em Minas Gerais por 716 milhões de reais. Também adquiriu três lojas do Canguru Supermercados, no Espírito Santo.

Agora, com o aval para incorporar mais 108 unidades da DMA, Lourenço dá mais um passo para transformar uma rede criada em uma mercearia de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, em um grupo com faturamento próximo de 35 bilhões de reais.

Qual é a história da Supermercados BH

Pedro Lourenço nasceu em Paineiras, cidade a 250 quilômetros de Belo Horizonte, em outubro de 1955. Os pais eram lavradores. Ele estudou até o oitavo ano do ensino fundamental e, aos 18, foi para a capital procurar trabalho.

O primeiro emprego foi como descarregador de caminhão nas Casas da Banha, rede varejista que não existe mais. Dentro da empresa, passou por estoque, reposição e vendas. Depois saiu para ser representante comercial de um atacadista de arroz.

Em maio de 1996, abriu uma mercearia no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Era um ponto comercial só. Ele comprava, atendia o balcão e pagava as contas.

A rede se expandiu comprando lojas em dificuldade na periferia de Belo Horizonte e em cidades pequenas do interior que não tinham supermercado. Era um público de renda baixa, sem concorrência instalada e com custo de ponto comercial muito abaixo do praticado nos bairros centrais.


O Cade aprovou a compra do Epa e do Mineirão pelo Supermercados BH?

Sim. O Cade autorizou nesta quinta-feira, 24, sem restrições, a compra de 108 lojas da DMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa e Mineirão, pelo Supermercados BH.

Por que a operação foi reduzida de 120 para 108 lojas?

A operação foi reduzida após o Cade identificar dúvidas sobre a concorrência no entorno de algumas unidades em Minas Gerais. Supermercados BH e DMA retiraram seis lojas em um primeiro aditivo e outras seis antes da decisão final.

Por que o Cade aprovou a aquisição sem restrições?

O Cade concluiu que havia concorrência suficiente nos 24 mercados relevantes de 14 municípios examinados com maior profundidade. O órgão considerou a presença de redes como Carrefour, Assaí, Mart Minas, Villefort, Economart, Verdemar e Multiformato e não identificou probabilidade de exercício de poder de mercado.

Quanto o Supermercados BH pode faturar após a compra?

O faturamento combinado pode chegar a aproximadamente R$ 34,6 bilhões, segundo projeção da FCDL-MG baseada no Ranking Abras 2026. Em 2025, o Supermercados BH faturou R$ 25,7 bilhões, enquanto a DMA registrou R$ 8,9 bilhões no TOP 300 do Varejo Brasileiro.

Quantas lojas o Supermercados BH terá após a aquisição?

O Supermercados BH pode alcançar cerca de 600 lojas após incorporar as 108 unidades da DMA. O grupo passará a reunir operações em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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