Dono do Cruzeiro tem 420 supermercados, 50 mil funcionários e fatura R$ 26 bilhões
Pedro Lourenço começou descarregando caminhão nas Casas da Banha e hoje negocia a compra de uma rival que fatura 8,9 bilhões de reais

O varejo alimentar brasileiro movimentou mais de 1,1 trilhão de reais em 2025, o equivalente a 9% do PIB. É o setor mais pulverizado do comércio do país: das 156 empresas supermercadistas que aparecem no ranking das 300 maiores varejistas, a maior parte opera em um único estado e tem menos de 50 lojas.
Minas Gerais é o caso mais extremo dessa lógica. O Supermercados BH fechou 2025 com 25,7 bilhões de reais em vendas e 420 lojas, quase todas em território mineiro.
A rede é a maior varejista de Minas Gerais e a nona maior do varejo brasileiro, segundo o TOP 300 do Varejo Brasileiro, levantamento do Instituto Retail Think Tank (IRTT), divulgado na última semana.
No ranking específico do varejo alimentar, da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), a companhia aparece em quarto lugar no país, atrás apenas de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus.
O dono é Pedro Lourenço de Oliveira, o mesmo empresário que comprou 90% da SAF do Cruzeiro, a Sociedade Anônima de Futebol, o modelo que transformou clubes em empresas, por 600 milhões de reais.
A rede completa 30 anos em 2026 no momento em que deixa de ser apenas mineira.
Em abril, o BH assinou o acordo para comprar aDMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa Supermercados e Mineirão Atacarejo.
A DMA é a quarta colocada do ranking mineiro, com 8,9 bilhões de reais. Se o negócio for concluído, o grupo passa a somar aproximadamente 35 bilhões de reais e cerca de 600 lojas em quatro estados: Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
O próximo capítulo depende do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão antitruste brasileiro.
O regulador já liberou uma parcela da operação — 40 lojas, três postos de combustíveis e dois centros de distribuição — e a companhia informou que aguarda as demais etapas formais. O ponto de atenção é Minas Gerais, onde as duas redes já se sobrepõem. O estado é o terceiro maior mercado supermercadista do país e movimenta 80,6 bilhões de reais só entre as dez maiores redes.
Quais são as 10 maiores varejistas de Minas Gerais
Minas tem 23 empresas no TOP 300 do IRTT, somando 106,4 bilhões de reais — 8% do faturamento das 300 maiores varejistas do país em 2025. Dessas 23, 17 atuam em supermercados, hipermercados ou atacarejo. É a lista estadual mais concentrada no varejo de alimentos.
- Supermercados BH: R$ 25,7 bilhões
- Mart Minas: R$ 12,6 bilhões
- Martins (Rede Smart Supermercados): R$ 11,8 bilhões
- DMA Distribuidora (Epa Supermercados): R$ 8,9 bilhões
- Azzas 2154: R$ 7,6 bilhões
- Grupo ABC: R$ 5,5 bilhões
- Drogaria Araújo: R$ 5,2 bilhões
- Grupo Supernosso: R$ 5,1 bilhões
- Supermercado Bahamas: R$ 4,5 bilhões
- Villefort: R$ 3,6 bilhões
O líder fatura o dobro do segundo colocado. E a distância aumenta: o crescimento do BH em 2025 foi de 21%, contra 8,6% na média das 227 companhias do TOP 300 que têm números comparáveis nos dois últimos anos. Descontada a inflação, o avanço do conjunto foi de 4,3%, o mais fraco desde 2021.
Para os autores do estudo, essa geografia dispersa resiste. "Não é correto dizer que o varejo brasileiro está se tornando concentrado. O que temos é um movimento de mais empresas crescendo e atingindo relevância, mas a diversidade regional permanece", diz o consultor Alberto Serrentino, sócio do IRTT.
Qual é a história de Pedro Lourenço
Pedro Lourenço nasceu em Paineiras, cidade a 250 quilômetros de Belo Horizonte, em outubro de 1955. Os pais eram lavradores. Ele estudou até o oitavo ano do ensino fundamental e, aos 18, foi para a capital procurar trabalho.
O primeiro emprego foi como descarregador de caminhão nas Casas da Banha, rede varejista que não existe mais. Dentro da empresa, passou por estoque, reposição e vendas. Depois saiu para ser representante comercial de um atacadista de arroz.
Em maio de 1996, abriu uma mercearia no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Era um ponto comercial só. Ele comprava, atendia o balcão e pagava as contas.
A rede se expandiu comprando lojas em dificuldade na periferia de Belo Horizonte e em cidades pequenas do interior que não tinham supermercado. Era um público de renda baixa, sem concorrência instalada e com custo de ponto comercial muito abaixo do praticado nos bairros centrais.
O movimento exigiu caixa. Em 2004, Pedro Lourenço vendeu 40% da operação para levantar dinheiro e continuar comprando unidades. A escolha do formato acompanhou o público: lojas de 1.000 a 2.000 metros quadrados, sortimento enxuto e preço como argumento principal.
Como a empresa expande
O salto recente tem nome e data. Em fevereiro de 2025, o BH assinou a compra de todas as operações da bandeira Bretas em Minas Gerais: 54 supermercados, oito postos de combustíveis, um centro de distribuição e outros ativos, por 716 milhões de reais. A vendedora foi a chilena Cencosud, que havia adquirido o Bretas em 2010 por 1,35 bilhão de reais nos valores da época.
A integração começou em maio de 2025.
Em 9 de julho daquele ano, o Cade autorizou sem restrições a transferência de uma parcela de 22 lojas, distribuídas por dez municípios mineiros: Juiz de Fora, Curvelo, Janaúba, Matozinhos, Montes Claros, Pedro Leopoldo, Pirapora, Sete Lagoas, Unaí e Varginha. O parecer identificou sobreposição de atividades em todas as cidades, mas concluiu que a presença de Bahamas, Assaí, Atacadão e Mart Minas mantinha a concorrência viável.
Uma semana depois do acordo do Bretas, o BH comprou o Canguru Supermercados, três lojas na Serra, no Espírito Santo. A família Dall'Orto Dalvi, dona da rede desde 1978, vendeu apenas a operação e manteve os imóveis, que passaram a ser alugados para o grupo mineiro.
O BH deixou de ser uma empresa de um estado só antes das compras de 2025. Em julho de 2023, assumiu 34 lojas das bandeiras Epa e Mineirão Atacarejo no Espírito Santo — 21 no varejo e 13 no atacado —, todas convertidas para a fachada amarela da rede ao longo daquele mês. Foi a primeira operação fora de Minas.
Com o Canguru, o grupo chegou a 41 lojas em 11 municípios capixabas, incluindo Vitória, Serra e Guarapari.
O crescimento do BH combina duas frentes. A primeira é a compra de concorrentes. A segunda é a inauguração de lojas próprias e a conversão de unidades adquiridas.
O faturamento acompanhou. A rede saiu de 17,4 bilhões de reais em 2023 para 21,3 bilhões em 2024 e 25,7 bilhões em 2025 — alta de 48% em dois anos.
Se a compra da DMA se confirmar, a receita combinada vai a aproximadamente 34,6 bilhões de reais, o que reduz a distância em relação ao terceiro colocado nacional, o Grupo Mateus, com 43,5 bilhões, e amplia a folga sobre o Grupo Pão de Açúcar, que registrou 20,6 bilhões.
Quanto faturou o Supermercados BH em 2025?
O Supermercados BH faturou R$ 25,7 bilhões em 2025 e encerrou o ano com 420 lojas. Segundo o TOP 300 do Instituto Retail Think Tank, a companhia é a maior varejista de Minas Gerais e a nona maior do Brasil.
Quem é o dono do Supermercados BH?
O Supermercados BH pertence a Pedro Lourenço de Oliveira, empresário que também comprou 90% da SAF do Cruzeiro por R$ 600 milhões. A Forbes estima a fortuna de Pedro Lourenço em cerca de R$ 7,5 bilhões.
Quando Pedro Lourenço fundou o Supermercados BH?
Pedro Lourenço abriu a primeira mercearia da rede em maio de 1996, no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. O negócio cresceu inicialmente por meio da compra de lojas em dificuldade na periferia da capital e em cidades pequenas do interior.
O Supermercados BH comprou o Epa e o Mineirão Atacarejo?
O Supermercados BH assinou em abril um acordo para comprar a DMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa Supermercados e Mineirão Atacarejo, mas a conclusão depende das etapas formais do Cade. O órgão já liberou uma parcela da operação composta por 40 lojas, três postos de combustíveis e dois centros de distribuição.
Qual será o tamanho do Supermercados BH após a compra da DMA?
Se a compra da DMA for concluída, o grupo terá receita combinada de aproximadamente R$ 35 bilhões e cerca de 600 lojas em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. A operação reduzirá a distância para o Grupo Mateus, terceiro colocado nacional com faturamento de R$ 43,5 bilhões.
Quais são as maiores varejistas de Minas Gerais?
Segundo o TOP 300 do IRTT, as dez maiores varejistas mineiras são Supermercados BH, Mart Minas, Martins, DMA Distribuidora, Azzas 2154, Grupo ABC, Drogaria Araújo, Grupo Supernosso, Supermercado Bahamas e Villefort. O Supermercados BH lidera com R$ 25,7 bilhões, mais que o dobro dos R$ 12,6 bilhões registrados pelo Mart Minas.
