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NegóciosMPOL
19/06/2026
5 min

Duas mães e duas filhas levam do Recife ao país uma franquia de 'fast beauty' que mira R$ 30 mi

Duas mães e duas filhas levam do Recife ao país uma franquia de 'fast beauty' que mira R$ 30 mi

Quando Fabiana Gueiros se mudou para um condomínio em Recife (PE), no fim dos anos 1990, não imaginava que a nova vizinha se tornaria sua sócia quase três décadas depois. Bianca Drummond já morava no prédio. As duas construíram uma amizade que atravessou diferentes fases da vida, enquanto criavam suas famílias e desenvolviam carreiras no empreendedorismo.

Hoje, ao lado das filhas Eduarda Gueiros, 28 anos, e Camila Drummond, 32, elas comandam o Bessie Beauty Club, rede de salões de beleza criada na capital pernambucana que faturou R$ 16,7 milhões em 2025.

A empresa possui 17 unidades em operação, outras cinco em implantação e projeta chegar a 35 lojas até o fim deste ano, com receita superior a R$ 30 milhões. A sociedade transformou as quatro em um caso incomum no franchising brasileiro: duas mães e duas filhas dividindo o comando de uma mesma empresa.

A trajetória até o setor de beleza começou longe dos salões. Formada em Direito, Fabiana passou mais de uma década trabalhando na empresa de eventos do marido, participando da organização de festivais realizados no Brasil e no exterior. Bianca construiu sua carreira no franchising e na operação dos negócios da família, dona das redes Camarão & Cia e Camarada Camarão.

A ideia do Bessie surgiu durante a pandemia, quando as duas amigas perceberam uma dificuldade que fazia parte da própria rotina. Entre trabalho, filhos e compromissos do dia a dia, encontrar tempo para cuidar da aparência exigia uma verdadeira logística.

“Percebemos que nós mesmas precisávamos otimizar o tempo. Queríamos um lugar onde fosse possível fazer tudo no mesmo espaço, sem precisar passar por vários salões diferentes”, afirma Fabiana.

O que começou como uma conversa entre amigas deu origem a uma rede que hoje opera em Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Pará, São Paulo, Goiás, Paraná e Distrito Federal.

Como surgiu a ideia do negócio

O projeto começou a ser desenhado em 2020. Desde o início, a intenção não era abrir apenas um salão de beleza. As fundadoras queriam construir uma marca preparada para crescer por franquias. Para isso, contrataram uma consultoria especializada na formatação do negócio e passaram os primeiros anos validando processos, atendimento e operação.

A primeira unidade foi inaugurada no fim de 2021, no shopping RioMar Recife. Poucos meses depois veio a segunda operação, no Shopping Recife. Antes de iniciar a expansão, as sócias ainda abriram uma terceira unidade própria de rua para testar o desempenho do modelo fora dos shopping centers.

“Queríamos testar tudo antes de expandir. Só começamos a franquear quando sentimos que a operação estava realmente pronta”, afirma Fabiana.

A proposta do Bessie é concentrar diversos serviços em uma única visita. O salão oferece manicure, pedicure, cabelo, maquiagem, design de sobrancelhas e depilação facial. Em alguns atendimentos, uma mesma cliente pode receber serviços simultaneamente de diferentes profissionais.

“Temos clientes com quatro profissionais trabalhando ao mesmo tempo. A estrutura da operação foi pensada para isso”, diz a empresária.

O ticket médio gira em torno de R$ 200. Segundo a companhia, a maior parte das clientes está na faixa entre 25 e 35 anos. Embora a proposta inicial fosse atrair principalmente consumidoras da classe B, a empresa afirma que cerca de 80% da base atual pertence ao público A.

Como os produtos entraram na estratégia da empresa

Um diferencial da operação é a combinação entre uma linha própria de produtos e marcas premium utilizadas nos serviços.

“Temos nossa linha própria, mas também trabalhamos com outras marcas reconhecidas internacionalmente. Não utilizamos apenas produtos da casa”, afirma.

Paralelamente à abertura das primeiras unidades, as fundadoras desenvolveram a Triple Blend, linha própria de produtos capilares composta por shampoo, condicionador, máscara, leave-in e reparador de pontas.

Os produtos são veganos e desenvolvidos em parceria com uma indústria especializada. A venda começou dentro dos salões poucos meses após a inauguração da primeira unidade. Neste ano, a empresa lançou o e-commerce da marca.

“Atualmente os produtos representam entre 5% e 10% do faturamento da rede, mas acreditamos que esse percentual deve crescer com a operação online”, afirma Fabiana.

Como mães e filhas dividem o comando

A entrada das filhas aconteceu ainda no primeiro ano da empresa. Camila Drummond, engenheira de produção, assumiu inovação, tecnologia e desenvolvimento de produtos. Eduarda Gueiros, formada pela ESPM, passou a liderar marketing e comunicação.

Fabiana ficou responsável pela área jurídica, gestão administrativa e implantação das unidades. Bianca assumiu a operação e o relacionamento com os franqueados.

Segundo Fabiana, a convivência entre duas gerações se tornou uma das forças da empresa.

“Elas têm rapidez, inovação e uma visão muito moderna. Eu e Bianca temos mais experiência e um olhar de longo prazo. Existe uma troca muito rica.”

A executiva afirma que o principal fator para o funcionamento da sociedade é o respeito pelas áreas de atuação de cada uma.

“Posso opinar no marketing, mas quem decide é Eduarda. Da mesma forma, Camila tem autonomia para conduzir inovação e tecnologia.”

Como a rede pretende crescer

Hoje o Bessie possui quatro unidades próprias — três em Recife e uma em São Paulo.

Ao todo, são 17 lojas em operação e outras cinco em implantação. A expansão tem avançado principalmente pelo Nordeste e Sudeste. Entre as prioridades da companhia estão o interior de São Paulo e estados como Bahia e Rio Grande do Norte.

“A gente está bastante focado no interior de São Paulo. Também queremos ampliar presença em mercados onde ainda temos espaço para crescer”, afirma Fabiana.

O investimento para abrir uma franquia varia entre R$ 295 mil e R$ 450 mil, dependendo do porte da unidade e da localização. O retorno estimado ocorre entre 18 e 24 meses.

As operações funcionam tanto em ruas quanto em shopping centers. Segundo a empresária, os dois formatos apresentam bom desempenho, mas os shoppings costumam gerar resultados acima da média por causa da conveniência oferecida ao consumidor.

Com contratos em negociação e novas inaugurações previstas para os próximos meses, a expectativa é encerrar o ano com 35 unidades e receita superior a R$ 30 milhões.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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