Durigan diz que tarifa dos EUA tenta retomar ‘na marra’ cobrança derrubada pela Suprema Corte

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira, que a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa uma tentativa do governo Donald Trump de retomar as chamadas “tarifas recíprocas”, derrubadas pela Suprema Corte americana.
A nova alíquota entra em vigor nesta sexta-feira, 24, no mesmo dia em que termina a vigência das tarifas anteriores.Segundo Durigan, a medida alcança praticamente todas as importações dos Estados Unidos e funciona, na avaliação do ministro, como substituta do mecanismo tarifário anterior. A nova tarifa foi anunciada após a derrubada das cobranças anteriores pela Suprema Corte dos EUA.
"Essa tarifa pega 99% das importações para os Estados Unidos (considerando todos os países), que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa. Nesse caso a todas as grandes economias do mundo, inclusive ao Brasil — disse o ministro em entrevista à BandNews TV.
A sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e outros 59 países falham em impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Do grupo de 60 países atingidos, 54 receberam uma tarifa de 12,5%, enquanto outros seis foram submetidos a uma alíquota de 10%. A decisão alcança 99,4% das importações americanas.
No caso brasileiro, a tarifa de 12,5% deve ser somada à alíquota de 25% anunciada na semana passada, sob o argumento de que o país adota “práticas desleais” que prejudicam o comércio dos Estados Unidos. Com a sobreposição das medidas, parte dos produtores brasileiros ficará sujeita a uma sobretaxa total de 37,5%.
"O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os Estados Unidos e tem déficit em relação aos EUA".
Governo prevê crédito e mantém negociações com os EUA
Durigan classificou a medida como "injustificada e unilateral". Segundo o ministro, o governo brasileiro manteve conversas com a administração de Donald Trump e conduziu as tratativas com "boa-vontade".
O ministro afirmou que o governo pretende manter o apoio aos empresários afetados pelas tarifas. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito destinadas a capital de giro e investimentos, dentro do programa Brasil Soberano.
Segundo Durigan, o governo também pretende dar continuidade às negociações com a administração americana enquanto mantém os mecanismos de apoio às empresas prejudicadas pelas novas tarifas.