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Sacre Investimentos
Economia
07/10/2026
4 min

Durigan diz ter dificuldade de entender 'euforia' do mercado após 1º turno

Ministro da Fazenda criticou promessa de superávit de 1,5% do PIB e questionou reação positiva do mercado à possibilidade de mudança de governo

Durigan diz ter dificuldade de entender 'euforia' do mercado após 1º turno

O ministro daFazenda, Dario Durigan, classificou como “pastel de vento” as propostas econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para melhorar as contas públicas. A declaração foi feita em participação remota em evento daAssociação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) nesta quarta-feira, 7.

“Compra pastel de vento, quem quer? Já está sendo dito por eles que vão fazer uma magia, vendendo a dívida ativa da União, criando um fundo imobiliário e cortando ministérios para, com isso, alcançar 1,5% de superávit do PIB”, disse Durigan ao questionar as promessas da campanha de Flávio, como alcançar um superávit primário de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

A crítica ocorre após oprimeiro turno das eleições, que provocou uma reação positiva entre agentes econômicos diante da possibilidade de mudança de governo. Para Durigan, porém, essa reação não corresponde necessariamente à consistência das propostas apresentadas.

“O veredito do eleitor ainda não aconteceu. Vai acontecer no final do segundo turno, no fim do mês. Mas o veredito do agente econômico já aconteceu”, afirmou.

Segundo o ministro, a perspectiva de que a reeleição de Lula se tornou mais difícil após o resultado do primeiro turno foi acompanhada por movimentos de queda no câmbio e nas taxas de juros de longo prazo.

“Eu tenho alguma dificuldade de entender essa euforia”, disse. Na avaliação de Durigan, a comparação entre as propostas econômicas e os resultados dos governos anteriores torna difícil justificar o otimismo em relação à política fiscal da oposição.

“Você compara com as outras propostas, compara o que foi o governo anterior e o governo atual, do presidente Lula, e é difícil o governo anterior ganhar em alguma coisa, em especial no fiscal”, afirmou.

O que Flávio Bolsonaro propõe para a economia

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro defende o envio de uma PEC fiscal durante a transição, com o objetivo de conter despesas e recuperar a credibilidade do país.

Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, também propõe um “enxugamento de pelo menos dez ministérios” no início de um eventual governo. A equipe pretende ainda rever gastos administrativos, combater supersalários e retomar a reforma administrativa.

Outra proposta é revisar os imóveis da União. Segundo Marques, existem cerca de 760 mil propriedades públicas, avaliadas em aproximadamente R$ 1,7 trilhão, muitas delas ociosas.

A campanha também defende a securitização de ativos sob custódia da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), estimados por Marques em cerca de R$ 400 bilhões por ano. A ideia é utilizar os recursos para reduzir a dívida pública e investir em infraestrutura.

A equipe também critica o atual modelo tributário e promete uma “Lei de Liberdade Econômica 2.0”, além de mudanças na estrutura administrativa do Estado.

'É difícil comprar um pastel de vento'

Para Durigan, as medidas anunciadas não seriam suficientes para sustentar a promessa de um superávit tão expressivo. “Essa história de vender ativos, dizer que vai privatizar tudo e que vai fazer, no primeiro ano, um superávit de 1,5% do PIB, sem mostrar como isso será feito, e, quando você olha para o passado, vê que nada foi feito nesse sentido. É difícil comprar um pastel de vento em meio a essa euforia”, afirmou.

O ministro defendeu, em contraposição, a estratégia fiscal do governo Lula.

“Vamos continuar equilibrando o orçamento e gerando superávits crescentes até 2027, de modo a reduzir a dívida pública brasileira, reduzir a taxa de juros e criar um ambiente para que o mercado prospere, mas com a participação do Estado”, disse.

Durigan também defendeu a atuação do Estado como parceiro do setor privado e citou a reforma tributária, a revisão de benefícios fiscais e políticas voltadas ao setor da construção civil como medidas para melhorar a situação fiscal e econômica do país.

“Um Estado eficiente e racional, que cumpra seu papel sem vender ilusão, é o que precisamos continuar construindo no Brasil, com muita responsabilidade e com um projeto de país claro, que seja bom para todos”, afirmou.

Durigan já havia defendido política fiscal de Lula

Dez dias antes do primeiro turno, Durigan publicou na The Economist o artigo “Lula has the right fiscal policy for Brazil” ("Lula tem a política fiscal correta para o Brasil", em tradução direta), no qual defendeu a política econômica do governo.

No texto, o ministro afirmou que odéficit primário, superior a 2% do PIB em 2023, deveria chegar a 0,6% do PIB em 2026. Também destacou o novo arcabouço fiscal aprovado em 2023 e afirmou que as despesas primárias permanecem em torno de 19% do PIB desde 2024.

Durigan reconheceu que a trajetória da dívida pública é uma preocupação, mas afirmou que o governo trabalha para alcançar superávits a partir de 2027.

No artigo, também defendeu a revisão de benefícios fiscais e a participação do Estado na economia.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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