E agora, Elon Musk? O lançamento da Apple que faz a ação subir para a terceira maior alta em Nova York
Na véspera, o Bank of America havia soltado um alerta sobre como a Starlink pode retirar US$ 6 bilhões em receita da fabricante de iPhone

A Apple escolheu esta terça-feira (13) para entrar de vez na briga pela casa inteligente, e o mercado gostou. As ações da empresa subiam mais de 1% em Nova York, ocupando a terceira posição entre as maiores altas do Dow Jones.
Só que a comemoração convive com um sinal de alerta. Na véspera, o Bank of America (BofA) divulgou uma nota em que aponta que o futuro da empresa pode ser ameaçado pela Starlink, braço de internet via satélite da SpaceX, de Elon Musk.
O que a Apple lançou
A principal novidade é o HomeView, um hub para a casa com tela Liquid Retina de sete polegadas. Ele pode ficar sobre a bancada, no suporte de alto-falante embutido, ou ser fixado na parede. O aparelho custa US$ 299 (cerca de R$ 1.500 no câmbio atual) e começa a ser vendido em 13 de novembro.
A ideia é que ele seja a central da casa inteligente. Com reconhecimento facial, identifica até seis moradores e mostra os aplicativos e as notificações de cada um.
Também toca músicas e podcasts, faz chamadas de FaceTime e exibe receitas em vídeo na cozinha.
Dá ainda para controlar luzes, fechaduras e termostatos, consultar a agenda e pedir ajuda à Siri com inteligência artificial (IA), até para achar chaves com AirTags.
A Apple já tinha dado passos nesse mercado, com o HomePod original, o HomePod mini, a Apple TV e o aplicativo Home, mas nunca havia lançado um hub completo como esse.
Na prática, ela deixou boa parte do espaço para Google e Amazon, donas das linhas Google Home e Alexa. Mas o HomeView pode mudar esse jogo.
Quem queria uma central de comando precisava improvisar, por exemplo, prendendo um iPad na parede. O novo aparelho promete ser uma solução mais fácil e coesa para o consumidor comum.
Enquanto o HomeView custa US$ 299, o HomePod mini 2 será comercializado por US$ 149 (cerca de R$ 800 na cotação atual).
Já a Apple TV 4K custa US$ 299 (cerca de R$ 1.500 no câmbio atual), com processador mais potente e microfones que captam a voz à distância, sem precisar segurar o botão do controle.
Também toca um som para ajudar a achar o controle perdido entre as almofadas do sofá.
Apple Home Collection
A empresa também apresentou a linha Apple Home Collection, de acessórios feitos em parceria com a LG Electronics e a Schneider.
Entre eles estão uma câmera interna da LG que vira para baixo quando o morador chega em casa, para preservar a privacidade, e uma câmera externa que monitora entregas e reconhece rostos conhecidos.
Há ainda uma câmera de porta com fechadura da LG que identifica o iPhone de quem se aproxima e libera a entrada.
A configuração é tão simples quanto conectar um AirPods, e o foco são consumidores que buscam integração com o ecossistema da Apple e recursos de privacidade.
As informações sobre preços dos acessórios não foram divulgadas.
O alerta do BofA
O lançamento é um teste importante para John Ternus, novo CEO da Apple. Ele assumiu o cargo de Tim Cook em 1 de setembro e, segundo informações de bastidores, quer dar mais peso a hardware e design.
A iniciativa acontece em um momento no qual o BofA lembra que o iPhone, principal fonte de receita da Apple, pode enfrentar um cenário bem diferente nos próximos anos.
O analista Wamsi Mohan avalia que a receita e o lucro da Apple podem ter uma"cara completamente diferente daqui a alguns anos se a Starlink se firmar como uma força relevante em telecomunicações.
O gatilho foi a aquisição, anunciada pela SpaceX no fim da semana passada, de um portfólio nacional de espectro de baixa frequência nos Estados Unidos. Com isso, a Starlink se posiciona para desafiar AT&T, Verizon e T-Mobile.
Na visão do banco, a investida atinge a Apple em três frentes: subsídios das operadoras, já que o incentivo financeiro das teles é hoje um dos pilares de venda do iPhone; a possibilidade de um smartphone concorrente que tome fatia de mercado; e a integração entre Tesla e SpaceX, somada ao modelo de IA Grok, criando uma concorrência de ponta a ponta.
Para entender o risco, é preciso olhar a engrenagem de vendas. O BofA estima que cerca de 53 milhões de iPhones por ano são vendidos nos EUA pelas três grandes operadoras, com crédito promocional médio de US$ 800 por aparelho.
Quem migrar para a Starlink perde esse desconto, e a tendência é esticar o tempo para trocar de celular ou optar por modelos mais baratos, o chamado trade down.
Nas contas de Mohan, se apenas 10% dos assinantes pós-pagos da big 3 migrarem para a SpaceX, a Apple deixaria de vender cerca de 5 milhões de unidades, o que equivale a US$ 6 bilhões a menos em receita.
O impacto pode ser maior se a SpaceX lançar um celular de baixo custo, movido pelo ecossistema do Grok, ao mesmo tempo em que as operadoras tradicionais recuarem nas promoções.
Para o banco, o maior risco está no valuation. Com subsídios mais fracos, o mercado passaria a questionar a durabilidade da base de clientes premium da Apple nos EUA e o real poder de precificação do iPhone.
