E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
A queda recente não convenceu os analistas de que chegou a hora de aproveitar o desconto; entenda o que pesa sobre as ações

O Nubank (NU) já amarga perdas de cerca de 30% desde o início do ano. Mas, para quem vê o tombo das ações em Wall Street como uma oportunidade de comprar o banco digital na promoção, o Itaú BBA faz um alerta: a queda pode estar longe de terminar.
Na avaliação dos analistas, o desconto na bolsa talvez não seja suficiente para compensar os riscos que começam a aparecer nos resultados. E o balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26), previsto para 12 de novembro, pode colocar essa tese à prova.
O crédito ao consumidor começa a mostrar sinais de deterioração, enquanto as expectativas para o balanço já são elevadas. Se a inadimplência avançar ou a receita com juros perder força, a conta pode não fechar — e abrir um novo espaço para frustrações na bolsa.
É nesse contexto que o Itaú BBA decidiu reduzir o preço-alvo das ações do Nubank negociadas nos Estados Unidos de US$ 18 para US$ 15 até o fim de 2027.
Mesmo com o corte, o novo valor ainda implica um potencial de valorização de cerca de 25% em relação ao fechamento anterior.
O brasileiro está mais endividado — e isso pode custar caro para o Nubank
O endividamento das famílias brasileiras está em níveis recordes, com maior pressão entre os consumidores de renda mais baixa. Ao mesmo tempo, a inflação veio acima do esperado, e economistas projetam aumento do desemprego no próximo ano.
"Esses fatores adversos podem compensar o potencial suporte trazido pelo aumento dos pagamentos de transferências sociais e pelas restrições às apostas online", afirmam os analistas.
Para os bancos, a combinação pode significar mais clientes com dificuldade para pagar as contas. Nos últimos dias, players como Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) já relataram aumento da inadimplência entre pessoas físicas em seus resultados recentes, mesmo depois de anos reduzindo riscos e melhorando o perfil de suas carteiras.
Para os analistas, esse cenário acende um alerta para o Nubank, já que cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia têm peso relevante na operação.
São linhas que podem crescer rapidamente, mas também deixam o banco mais vulnerável quando o orçamento das famílias aperta — e que também estão na mira do Banco Central.
O regulador já começou a implementar medidas para conter o superendividamento e sinalizou a possibilidade de novas regras ainda em 2026.
Na leitura do Itaú BBA, o risco é que a combinação de crédito mais arriscado, maior inadimplência e mudanças regulatórias limite a capacidade de o Nubank sustentar o ritmo de crescimento e a rentabilidade que ajudaram a alimentar sua tese de investimento.
O preço de emprestar com mais cautela
O Itaú BBA projeta que a expansão da carteira de crédito do Nubank desacelere de um ritmo atual de 37% para 26% em 2027.
Segundo os analistas, o México, por enquanto, não teria escala suficiente para compensar uma eventual perda de velocidade no Brasil.
Há um dilema adicional: avançar para clientes de renda mais alta pode reduzir o risco de crédito, mas também tende a trazer margens menores. Enquanto isso, os custos seguem pressionados pela expansão internacional e pela tentativa de conquistar consumidores de renda média.
Nesse cenário, o Itaú BBA revisou suas estimativas para baixo em mais 4%. Mesmo após o ajuste, suas projeções de lucro estão 19% abaixo do consenso dos analistas para 2027 e 22% abaixo para 2028.
Nas contas do banco, o Nubank hoje está avaliado em 13,5 vezes o lucro estimado para 2027 — um múltiplo que, para o banco, ainda não compensa adequadamente os riscos à frente.
Isso não significa que o Itaú BBA tenha abandonado a tese de longo prazo.
"Acreditamos que o Nu será um vencedor de longo prazo, mas estamos aguardando maior visibilidade antes de voltar a recomendar uma posição mais construtiva", afirmam os analistas.
