E-commerce tradicional ficou para trás? TikTok Shop explica a aposta que já gerou alta de até 460% em vendas para PMEs
O marketplace chinês agora explica como quer usar a estratégia durante a Black Friday; iniciativas envolvem milhões de reais em cupons de desconto e criadores de conteúdo

No e-commerce tradicional, o comprador busca na internet um produto que já tem interesse, realiza a compra pelo computador ou celular e, às vezes até no mesmo dia, o item chega à porta de casa. Enquanto esse formato é dominado por players como Mercado Livre e Amazon, o TikTok Shop aposta em outra estratégia na briga de gigantes: é o produto que procura o consumidor.
O aplicativo de entretenimento já atua como marketplace no Brasil há um ano e meio com o conceito de discovery commerce.
Segundo Gustavo Mondo, diretor de categoria da plataforma, nesse modelo a compra começa na descoberta de um item enquanto o usuário rola os vídeos no aplicativo, e não necessariamente em uma busca ativa.
"O algoritmo identifica os gostos das pessoas e antecipa o que o comprador deve ter interesse. Isso une entretenimento ao processo de compra”, afirmou o executivo em evento com jornalistas nesta terça-feira (30).
E, segundo o TikTok Shop, essa aposta está gerando resultados tanto para a empresa enquanto marketplace quanto para os empreendedores que vendem os produtos na plataforma.
Christian Baines, gerente de comunicação do TikTok Shop, defende que as trends na plataforma costumam gerar um aumento nas vendas para as marcas que estão no marketplace.
Um exemplo disso é a alta de 464% nas vendas de calças do modelo flare nos últimos cinco meses, graças a um “boom” de conteúdos dentro do aplicativo sobre moda temática dos anos 2000. Segundo dados da empresa, a busca por vídeos com o termo “Brasil 2000s estilo” saltou 26.409% no mesmo período.
“Essas procuras tendem a se converter em venda na plataforma após todo o processo de descoberta”, explica Baines.
Agora, a menos de dois meses da Black Friday, uma das datas mais quentes para o varejo, o foco do marketplace é aproveitar esse modelo de negócio, aliado a incentivos de descontos, para impulsionar as vendas.
E qual é a aceitação dos compradores?
Durante o evento, o TikTok Shop lançou os resultados de uma pesquisa realizada pela NielsenIQ no início de setembro. Os dados mostram que 74% dos brasileiros gostam do conceito de unir compras e entretenimento, que é a proposta da plataforma.
Além disso, entre os usuários do TikTok, 91% afirmam que já descobriram novas marcas e produtos ao usar o aplicativo.
A pesquisa também mostra que esse processo de descoberta pode gerar vendas para os empreendedores. Segundo o levantamento, 54% dos compradores do TikTok Shop fizeram a primeira compra no marketplace após assistir a um vídeo, e 60% disseram que fazem compras pelo menos uma vez por mês no aplicativo.
Cabe destacar que existem quatro canais de venda no marketplace chinês: vídeos curtos no feed produzidos por criadores de conteúdo afiliados, perfil da marca, aba de e-commerce na plataforma e lives (vídeos longos ao vivo).
Segundo Mondo, os vídeos curtos são um canal de descoberta, enquanto as lives se destacam com conversões altas, embora não divulgue um percentual.
“Uma live com a demonstração em tempo real de produto converte entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Às vezes até mais”, diz. A explicação do executivo é que, no ao vivo, os consumidores sentem a experiência de uma loja física pelo celular: tiram dúvidas, entendem o produto e veem os detalhes do material.
De acordo com a pesquisa, os consumidores também têm uma boa visão sobre a logística e os preços da plataforma.
Para 82%, o TikTok Shop tem um prazo de entrega rápido, mas a companhia não abre os números de qual é média desse tempo. Além disso, 87% afirmam que a empresa tem um bom custo-benefício.
Plataforma agora foca na Black Friday
Agora, com a Black Friday no radar, o TikTok Shop quer usar justamente essa combinação de descoberta, conteúdo e entretenimento para impulsionar as vendas.
Segundo Mondo, a empresa criou um pacote de iniciativas pensado para uma das principais datas do varejo e quer incentivar empreendedores a criarem um calendário forte de conteúdo, além do oferecimento de descontos.
A empresa anunciou um investimento de R$ 100 milhões em cupons para o período da Black Friday, com descontos que podem chegar a 70%.
Dependendo do produto, o desconto pode chegar até R$ 200 para usuários recorrentes da plataforma.
Outras iniciativas envolvem ofertas-relâmpago, frete grátis e parcelamento sem juros. Além disso, a empresa quer promover uma categoria de produtos diferente a cada dia até a Black Friday, começando em 27 de outubro.
O objetivo, segundo os executivos, é dar destaque para todos os itens que são vendidos no aplicativo. A iniciativa também vai ao encontro de uma estatística que mostra que, para 50% dos consumidores, a Black Friday começa com pelo menos um mês de antecedência.
Segundo Mondo, a plataforma está promovendo ações para os empreendedores se prepararem para o período. Uma delas é o encontro entre influenciadores do aplicativo — que produzem conteúdos sobre os itens — e os lojistas em eventos que funcionam como kick-offs da Black Friday. A ideia é que essas duas figuras pensem nas possíveis divulgações durante o período.
Para ele, esse contato azeitado é até mais importante do que a parte operacional.
"Mais importante do que garantir estoque é garantir conteúdo. Queremos assegurar que os vendedores tenham um calendário relevante de vídeos, lives e interação com criadores", afirmou o executivo.
