É fácil reabrir o Estreito de Ormuz? Aliados de Trump veem obstáculos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que o Estreito de Ormuz estará totalmente reaberto até sexta-feira, após o acordo anunciado entre Washington e Teerã para encerrar a guerra e restabelecer a navegação na principal rota energética do mundo.
Nos bastidores da cúpula do G7, porém, aliados europeus demonstram cautela e avaliam que o processo pode ser mais complexo.
Segundo autoridades ouvidas pela Bloomberg, países europeus ainda aguardam detalhes do memorando de entendimento que será assinado na Suíça antes de assumir compromissos em operações de desminagem e patrulhamento na região.
Há dúvidas sobre os termos do acordo e sobre o cronograma necessário para restaurar a segurança da rota marítima.
O estreito é responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente. Por isso, sua reabertura é considerada fundamental para reduzir as pressões sobre os preços da energia após mais de 100 dias de conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Apesar de Trump ter afirmado que navios já começaram a deixar a região e que a passagem estará completamente aberta nos próximos dias, integrantes do próprio governo americano adotam um tom mais cauteloso.
Um alto funcionário dos Estados Unidos afirmou à Bloomberg que o tráfego deverá aumentar gradualmente e que podem ser necessárias até duas semanas para uma retomada significativa da navegação. O retorno aos níveis observados antes do início da guerra pode levar ainda mais tempo.
O principal desafio é a possibilidade de existência de minas marítimas na região. Ainda não há consenso sobre quantas foram instaladas ou mesmo se todas as áreas potencialmente afetadas já foram identificadas.
Especialistas alertam que operações de remoção de minas costumam ser lentas e dependem de um ambiente estável. Caso as hostilidades sejam retomadas, embarcações especializadas poderiam ficar vulneráveis a novos ataques.
G7 busca consenso
As divergências também aparecem dentro do próprio G7. Segundo autoridades ouvidas pelo site, há dificuldades para alcançar uma posição comum sobre a situação no Irã e sobre o papel que cada país deverá desempenhar na reabertura da rota marítima.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que qualquer contribuição de seu país dependerá de uma redução das tensões no Líbano. Já o Canadá indicou que uma participação mais ativa exigiria um cessar-fogo permanente na região.
Líderes europeus discutem a criação de uma missão internacional para ajudar a garantir a segurança da navegação, mas avaliam que a operação só poderá avançar após a assinatura de um acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã.
Outro ponto de incerteza envolve os próprios termos do entendimento negociado entre Washington e Teerã. Apesar do anúncio de um acordo preliminar, os dois países têm apresentado versões diferentes sobre o conteúdo do documento.
Autoridades americanas afirmam que o memorando prevê a abertura do estreito sem cobrança de pedágios por um período inicial de 60 dias. Já o governo iraniano declarou que pretende cobrar taxas relacionadas a serviços marítimos, seguros e proteção ambiental.
Além disso, seguem indefinidas questões centrais, como o acesso do Irã a recursos financeiros bloqueados no exterior e a possível flexibilização de sanções econômicas.
