É o fim dos aplicativos de namoro? Bumble negocia venda, diz agência

O Bumble, aplicativo de relacionamentos que já valeu mais de US$ 7 bilhões na bolsa e hoje tem um valuation de US$ 388 milhões, avalia possível venda. Ele contratou o Morgan Stanley para coordenar um processo de desinvestimento, segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Reuters.
Em 2025, a receita do Bumble caiu 9,9%, para US$ 965,7 milhões, e a base de assinantes encolheu 11,5%, chegando a 3,7 milhões. No primeiro trimestre deste ano, o recuo foi ainda mais acentuado, com a receita em queda de 14,1% na comparação anual, para US$ 212,4 milhões, e usuários pagantes abaixo de 3,2 milhões.
O ticket médio por usuário pagante, por outro lado, subiu 8,9% no primeiro trimestre. O problema é que os especialistas indicam que o Bumble está cobrando mais de quem ficou, mas está perdendo cada vez mais novos assinantes, de acordo com dados do Inc.
O problema é do setor ou do Bumble?
Já os rivais estão indo melhor. O Hinge registrou crescimento de usuários ativos diários nos Estados Unidos por pelo menos oito trimestres consecutivos, conforme levantamento da empresa de inteligência mobile Apptopia.
O Bumble, no mesmo período, viu sua base de ativos diários cair em seis dos oito trimestres. O diretor de relações públicas da Apptopia, Adam Blacker, destacou que "isso não parece fadiga geral dos apps de relacionamento."
Blacker acrescentou ao Inc que o Bumble é o mais fraco entre os principais aplicativos estadunidenses em termos de engajamento, com o menor tempo médio por usuário e o único que registrou queda nessa métrica no segundo trimestre.
"O Bumble está perdendo engajamento mais rápido do que está perdendo usuários, e esse costuma ser o problema mais difícil de resolver", complementou Blacker.
Já a professora de ciências da mídia da Universidade de Boston, Katy Coduto, pontuou que, à medida que os apps apostam em assinaturas e funcionalidades pagas, os usuários passam a sentir que estão fazendo "um investimento sem garantia de retorno."
A aposta na inteligência artificial tem limite
A resposta da empresa tem sido uma reformulação do produto. Whitney Wolfe Herd, fundadora que voltou ao cargo de CEO em março de 2025, está tentando reconstruir o aplicativo com uma experiência mais personalizada, apoiada em inteligência artificial.
O Bumble anunciou um assistente de IA chamado Bee, além de ferramentas voltadas a reduzir o tempo entre o "match" e o encontro presencial, bem como uma proposta de abandonar o formato clássico de deslizar cartões.
Os concorrentes estão fazendo apostas parecidas. A Match Group, dona do Tinder e do Hinge, registrou receita de US$ 864 milhões no primeiro trimestre, alta de 4% na comparação anual, com o Hinge crescendo 28% em receita direta, mesmo com o total de assinantes pagantes do grupo caindo 5%.
Mas o professor de psicologia da Universidade da Califórnia em Davis, Paul Eastwick, cujas pesquisas se concentram em atração romântica, disse à Inc. que a IA tem limitações quando treinada apenas com dados de pré-encontro.
"Se a IA é treinada com os dados disponíveis antes de as pessoas se encontrarem pessoalmente — fotos, autodescrições ou histórico de deslizes — sou pessimista de que ela resolva algum problema", avaliou.
Bumble e Morgan Stanley não responderam aos pedidos de comentário do Inc.
