É preciso olhar pra fora: o viés doméstico do investidor brasileiro e o que mexe com os seus investimentos na semana
Saiba como começar a investir no exterior e confira o calendário da semana, com Copom e eleições de meio de mandato nos EUA

Certa vez um amigo venezuelano me disse que o Brasil é o único país que tem uma palavra para designar as coisas que lhe são próprias, que têm a "vibe" da cultura do país: brasilidade.
Não sei se é verdade, mas como cantor de música hispânica, ele é um pouco crítico do fato de que música estrangeira não "pega" por aqui, para além dos óbvios hits globais e do que toca em novela.
Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, para um país emergente, o Brasil consome bastante a própria cultura, que é tão rica e diversa que às vezes parece se bastar.
Esse home bias, ou viés doméstico, não é observado apenas na cultura, mas também — e mais ainda — nos investimentos.
Embora seja um viés comum aos investidores do mundo todo, para um habitante de país emergente, o brasileiro exagera na proporção de ativos brasileiros na própria carteira.
Até os norte-americanos, que vivem no país com o mercado financeiro mais desenvolvido do planeta, mantêm cerca de 20% do portfólio no exterior.
E nós aqui, num país de moeda exótica e uma das maiores taxas de juros do mundo, deixando tudo dentro de casa, além do nosso ganha-pão e da casa própria.
A convulsão provocada no mercado com a vitória de Lula na última eleição evidencia, mais uma vez, a importância de se ter uma proteção contra choques domésticos, principalmente os políticos, que tanto pesam nos preços dos ativos brasileiros.
Ter uma parte da carteira em moeda forte é fundamental em qualquer época, mas sobretudo naquelas de maior volatilidade interna por conta de questões macroeconômicas.
Na reportagem especial de hoje, a editora Carolina Gama dá o passo a passo para você começar a internacionalizar o seu portfólio.
Afinal, diferentemente da cultura, o mercado financeiro brasileiro ainda não é tão rico a ponto de oferecer uma diversificação completa.
Esquenta dos mercados
Nesta segunda-feira (2), os mercados locais permanecem fechados em razão do feriado de Finados.
Esta semana, porém, será marcada por uma importante reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), cuja decisão para a Selic será anunciada na próxima quarta-feira (4).
Onde antes se esperava mais um corte de juro de 0,25 ponto percentual, agora se vislumbra manutenção, apontando para um cenário de política monetária mais apertada ante juros futuros pressionados.
Nos Estados Unidos, onde os índices apontam para um dia positivo nos mercados nesta segunda, destaque para os relatórios de emprego, culminando com a divulgação do payroll, o principal deles, na sexta-feira (6).
Além disso, os eleitores norte-americanos vão às urnas na terça-feira (3) para renovar boa parte do Congresso e eleger governadores de 36 estados, numa eleição que pode definir a força do governo Trump até o fim do seu atual mandato.
Confira a agenda da semana completa aqui.
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ONDE VIVEM OS ULTRARRICOS
Esqueça Miami e os Hamptons: por que Boca Raton é o reduto dos milionários aposentados nos EUA. Com mansões à beira d’água, renda elevada e vantagens tributárias, a cidade no sul da Flórida atrai aposentados milionários e uma nova geração de executivos em busca de qualidade de vida.
ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre. Piora nos indicadores de atraso acende sinal de alerta para a qualidade da carteira de crédito do banco, enquanto desaceleração dos empréstimos e spreads mais altos aumentam a pressão sobre o setor financeiro.
DÍVIDAS
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões. Companhia obteve adesão de credores que representam 61,6% dos créditos abrangidos pela reestruturação e agora busca homologação do plano na Justiça.
ELEIÇÃO DE MEIO DE MANDATO
Do déficit fiscal à IA: o que está em jogo para os mercados com as eleições dos EUA, segundo o UBS. Analistas avaliam que os investidores vão precisar acompanhar de perto as negociações entre republicanos e democratas após o pleito.
O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa. A proposta da empresa prevê a renegociação de prazos e condições de pagamento aos credores bancários.
