E32 fortalece segurança energética e evitará importação de 450 milhões de litros de gasolina, diz presidente da Unica

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, classificou o possível aumento na mistura do etanol anidro à gasolina de 30% (E30) para 32% (E32) como uma “medida que fortalece a segurança energética nacional”. Em nota divulgada nesta quarta-feira (10) pela entidade que representa 51% da produção de etanol do país, Gussi estima que a medida, avaliada pelo governo, evitará a importação de 450 milhões de litros de gasolina por ano.
O tema foi tratado terça-feira (9) em reunião de seis ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin com representanteso setor do etanol, no Palácio do Planalto.
Após o encontro, o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou que a proposta de aumento da mistura do etanol na gasolina para E32 será submetida ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) dentro de 15 dias.
Para o presidente da Unica, “o avanço para o E32 representa mais um passo na ampliação do uso de etanol na matriz de combustíveis do país. Trata-se de uma medida que fortalece a segurança energética nacional ao reduzir a necessidade de importação de gasolina”, informou.
Segundo ele, ao mesmo em que reduz a importação, o aumento na mistura amplia a participação de um combustível renovável produzido no Brasil na matriz energética. “O setor possui capacidade para atender à demanda adicional e, considerando a competitividade atual do etanol, a medida também tende a ampliar os benefícios econômicos para os consumidores”, informou.
Dados da Unica apontam que desde o início da escalada das tensões no Oriente Médio, com a guerra no Irã, a diferença de preços entre etanol e gasolina já proporcionou uma economia estimada em R$ 2 bilhões aos consumidores e de R$ 8 bilhões ao país com a redução das importações de gasolina.
Tarifaço
Outro tema tratado no encontro foi a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre o Brasilanunciada na semana passada, que ainda depende da autorização do Senado, e deve ter início em julho, seguida de uma sobretaxa de 12,5% aplicada pelo governo Trump a 60 países, entre eles o Brasil.
Os Estados Unidossustentam que o Brasil pratica uma taxação desleal sobre o etanol norte-americano, o que impede a importação do biocombustível daquele país. A Unica não comentou o caso, mas a medida gera preocupação e foi levada à mesa por representantes do setor produtivo do Nordeste.
Esses produtores temem perder, durante as negociações do etanol, a competitividade que possuem na cota preferencial de açúcar que é importada pelos Estados Unidos, ou mesmo serem utilizados como moeda de troca nas negociações sobre o etanol.
Os norte-americanos compram 155,9 mil toneladas de açúcar anualmente – cerca de 120 mil de usinas do Nordeste e o restante do Norte – com uma tarifa de 10%. Essa tarifa já foi zero, mas que pode chegar a 47,5% se o novo tarifaço for totalmente aplicado.
O vice-presidente da Bioenergia Brasil e presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou, ao Money Times, que essa cota, mesmo pequena em relação às 45 milhões de toneladas de açúcar exportada pelo Brasil anualmente, é fundamental para a região, por dar liquidez ao setor no início de cada safra.
“É uma injeção financeira importante para as usinas e nosso setor produtivo ficaria muito prejudicado se as tarifas fossem aplicadas e as negociações prejudicassem a compra do açúcar pelos Estados Unidos”, disse Cunha.
