Ebola avança na África e já soma 488 casos; OMS alerta para risco de disseminação

O surto de ebola na África Central continua avançando e já acumula 488 casos confirmados e 86 mortes, segundo dados divulgados neste domingo, 7, pelas autoridades da República Democrática do Congo (RD Congo). A atualização reforça a preocupação da Organização Mundial da Saúde (OMS) com avelocidade de propagação da doença na região.
A província de Ituri, no leste congolês, permanece como o epicentro da epidemia, concentrando 460 dos casos registrados, o equivalente a mais de 94% das infecções confirmadas. O surto foi declarado oficialmente em 15 de maio, mas a OMS estima que o vírus circulava na região havia cerca de dois meses antes da identificação formal da emergência.
Em boletim divulgado neste fim de semana, o Instituto Nacional de Saúde Pública da RD Congo alertou que a evolução dos casos sugere uma fase de transmissão sustentada da doença. Segundo o órgão, pacientes começaram a apresentar sintomas em diferentes períodos entre maio e início de junho, indicando que o vírus segue se espalhando entre a população.
Atualmente, 267 pacientes permanecem hospitalizados ou em isolamento, enquanto apenas nove pessoas foram consideradas recuperadas. A taxa de letalidade do surto está em 17,6%.
Ebola já chegou a Uganda
A epidemia ultrapassou as fronteiras congolesas e já alcançou Uganda, onde foram registrados 19 casos confirmados, incluindo duas mortes. Desses, 14 são considerados casos importados da República Democrática do Congo.
A OMS classifica como alto o risco de disseminação da doença na África Subsaariana, embora considere baixo o risco global. Em maio, a entidade declarou o surto uma emergência de saúde pública de importância internacional.
O atual surto é provocado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola, uma variante rara para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico aprovado. Segundo a OMS, a taxa de mortalidade dessa cepa pode variar entre 30% e 50%.
Risco de uma crise maior
O avanço dos casos ocorre em meio a alertas de especialistas sobre a possibilidade de a epidemia atingir proporções semelhantes às observadas entre 2014 e 2016, quando um surto de ebola na África Ocidental deixou mais de 11 mil mortos.
De acordo com Jason Asher, especialista em previsão e análise de epidemias dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), esse cenário pode se tornar realidade caso as medidas de contenção não sejam reforçadas rapidamente.
Na última sexta-feira, a OMS e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) anunciaram um plano de US$ 518 milhões para intensificar o combate à doença nos próximos seis meses. A estratégia inclui ampliação da vigilância epidemiológica, fortalecimento da capacidade de diagnóstico e ações para interromper as cadeias de transmissão.
"A epidemia está avançando rapidamente e estamos perdendo terreno", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao anunciar o plano de resposta.
Transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, o ebola provoca febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas. Nos últimos 50 anos, a doença já causou mais de 15 mil mortes em diferentes países africanos.
(Com informações da EFE)
