Ebola avança no Congo e já soma 360 mortos, dizem autoridades

O surto de ebola na República Democrática do Congo já provocou 360 mortes e 1.274 casos confirmados, segundo o boletim mais recente divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) do país. Os dados, atualizados até 27 de junho, apontam uma taxa de letalidade de 28,3%.
Declarada oficialmente em 15 de maio, a epidemia continua concentrada na província de Ituri, no leste do país, região que responde por 91,4% dos casos registrados e 83,6% das mortes. No entanto, a doença já se espalhou para as províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Segundo o INSP, 178 pacientes se recuperaram da doença, enquanto 502 seguem internados ou em isolamento. As autoridades também informaram que 87,1% dos contatos de pessoas infectadas estão sendo monitorados.
O instituto, porém, alertou para dificuldades no diagnóstico precoce e no acesso da população aos serviços de saúde. Também há preocupação com novos casos cuja origem ainda não foi identificada, cenário que pode indicar a disseminação do vírus para outras áreas do país.
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OMS mantém alerta para avanço da doença
O surto também ultrapassou as fronteiras da República Democrática do Congo. Em Uganda, foram confirmados 20 casos da doença, dos quais 15 são considerados importados do território congolês. O país já registrou duas mortes relacionadas ao vírus.
Na Europa, a França confirmou o primeiro caso positivo de ebola em um médico que retornou de uma missão humanitária na República Democrática do Congo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto é causado pela cepa Bundibugyo, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%. Atualmente, não existe vacina autorizada nem tratamento específico contra essa variante do vírus.
A OMS considera alto o risco de disseminação da doença na África Subsaariana e baixo em escala global. A entidade estima que o vírus circulava em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto e, em 17 de maio, classificou a epidemia como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
Este já é o terceiro maior surto de ebola da história. O mais grave ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, com cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos. O segundo atingiu o leste da República Democrática do Congo entre 2018 e 2020, quando foram registrados 3.481 casos e 2.299 mortes.
O vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e pode causar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.
*Com EFE
